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“Uma Poetisa na Toponímia de Oeiras”. No dia em que Salette Tavares completaria 95 anos de idade, deixamos aqui esta pequena homenagem.

 

Salette TavaresMaria de la SALETTE Arraiano TAVARES de Aranda, poetisa portuguesa, nasceu na cidade de Lourenço Marques (actual Maputo, Moçambique), a 31-03-1922, e faleceu em Lisboa, a 30-05-1994. Era filha de Francisco Tavares Duarte e de Maria Guilhermina Amélia Arraiano.

Deixou aquela antiga colónia ainda criança (1932), embora na idade adulta ali tenha voltado por breves períodos. Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas (1948), pela Faculdade de Letras de Lisboa, dedicou-se a partir de 1949 a estudos especializados de filosofia estética, linguagem e teoria da arte, designadamente em França, Espanha e Itália, trabalhando directamente com, entre outros, Gabriel Marcel, Maurice Merleau-Ponty e Louis Lavelle. Publicou nos anos sessenta, na revista Brotéria, importantes ensaios de estética: «Forma e Criação», «Forma Poética e Tempo», «Teoria da Informação», etc. Um volume que colige esses trabalhos nunca passou do prelo. Também publicou estudos de filosofia, inspirados no signo do existencialismo cristão. A estreia poética deu-se com Espelho Cego (1957). A sua actividade no âmbito da poesia espacial começou no final dos anos quarenta, temdo colaborado em Poesia Experimental e Hidra e participado de Visopoemas (1965). Encontra-se representada em diveras antologias, nacionais e estrangeiras. Foi Presidente da secção portuguesa da Associação Internacional dos Críticos de Arte. A edição da sua obra poética completa, Poesia 1957-1971 (1992), valeu-lhe o Prémio do Pen Clube.

Obras principais: Poesia: Espelho Cego, (1957); Concerto em Mi Maior para Clarinete e Bateria, (1961); Letras de Pedro Sete, (1965); Quadrada, (1967); Lex Icon, (1971); Poesia 1957-1971, (1992); Poesia Gráfica, (1995, póstuma). Ensaio: Aproximação do Pensamento Concreto de Gabriel Marcel, (1948); Arquitectura, Semiologia e Mass Media, (1969); Menez, (1983).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Oeiras.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. V, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres”, (de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 1273).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 505).

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Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

LOURENÇO António DE ARAÚJO, foi o 2º Sub-Inspector Geral dos Correios e Postas do Reino e exerceu o cargo de 1810 a 1827. Nasceu em Lisboa, Na Freguesia de Santa Engrácia, a 17 de Agosto de 1768, e faleceu, repentinamente, na mesma cidade, na Freguesia das Mercês, a 10 de Julho de 1827. Era filho de João Gomes de Araújo, Oficial-Maior da Secretaria de Estado dos Negócios de Marinha e Ultramar, e de D. Damiana Rosa.

Ingressou na vida pública em 1786, como oficial da Secretaria do pai, onde ascendeu a Oficial-Maior em 1817. Foi também Secretário da Real Junta do Tabaco e Comendador da Ordem de Cristo.

Pela portaria de 05 de Setembro de 1810 teve a nomeação de Sub-Inspector Geral dos Correios e Postas do Reino, situação que conservou até ao fim da vida, embora em Outubro de 1820 a Junho de 1823 estivesse afastado do lugar por não merecer a confiança política aos homens da revolução triunfante em 1820. A Administração dos Correios foi então entregue a uma comissão composta pelos Doutores José Joaquim Ferreira de Moura, António Gomes Loureiro e José Barreto Gomes, servindo o primeiro de Presidente. Não foi, porém, longa a vida desta comissão, que veio a dissolver-se em 17 de Março de 1821, por determinação das Cortes Gerais Extraordinárias. Barreto Gomes assumiu nessa altura a direcção dos Serviços, como Sub-Inspector interino, até que Lourenço de Araújo retomou o lugar, a 25 de Junho de 1823, como consequência do volte-face da situação política.

Como encarregado de um particular Real Serviço (Gabinete secreto de abertura de correspondeência), recebeu a gratificação anual de 480.000 réis, até 1820. Nesse ano o Governo saído da revolução acabou com esta espécie de censura; e, embora pouco depois criasse outra semelhante, ainda que mais encapotada, fez na ocasião grande alarde do facto, e até patenteou ao público a sala onde se fazia a censura, que era no próprio edifício do Correio-Geral, mas com entrada privativa pela Travessa das Mercês. O curioso é que José Barreto Gomes, que substituiu o Sub-Inspector após a vitória revolucionária, apressou-se a lançar ao Tejo todos os utensílios que serviam ao Gabinete Secreto, com a preocupação, ele mesmo o diz, de se não comprometer. Os utensílios atirados ao rio eram 2 ou 3 maçaricos de prata, 3 ou 4 facas, uns vidros para água, uma porção de massa de prata preparada, além de uma Imprensa que se escondeu num sótão.

O Fiel Joaquim José Maria tinha, em 1817, grande prática de abrir as cartas, e sabia o segredo de fazer a massa, sem que para isso fosse necessário procurar um ourives.

O Gabinete secreto voltou a funcionar em 1823, e Lourenço de Araújo de novo recebeu a gratificação de 480.000 réis, ayté que com a publicação da Carta Constitucional, em 1826, se interrompeu outra vez a censura. Nessa altura exitian no Correio 1700 a 2000 cartas suprimidas pelo Entrudo, que nada mais continham do que palhas próprias daquele tempo.

O período de administração deste Sub-Inspector não foi de todo improfícuo para o progresso dos Correios, apesar das perturbações de então. Ele mesmo enumera, num Relatório redigido em 1822, os trabalhos realizados:

Em 1810 estabeleceu as postas de comunicação com o nosso exército e de correspondência ordinária para o Porto, quase por entre tropas inimigas, apesar de poucos recursos de que dispunha o Correio pela diminuição das correspondências.

Achando-se os Correios das Secretarias do Estado em grande miséria pela falta de pagamento dos vencimentos, tomou a resolução de propor que esse pessoal ficasse a cargo do Cofre do Correio, para o que se restabeleceu regulamentação própria, aliviando-se assim o Erário de uma despesa que então subia a 22 contos por ano.

Estabeleceu um correio diário para o Quartel General de Lord Wellington, não obstante as enormes dificuldades que para isso encontrou, especialmente pela recusa dos alquiladores convidados a assegurar esse serviço.

A Estalagem dos Carvalhos, construída pela Super-Intendência de Estradas para servir a carreira da Mala-Posta Lisboa-Coimbra, estava abandonada, arruinada pelas tropas estrangeiras que por ali passaram, e não havia quem quisesse tomar conta dela, perdendo assim a Fazenda Real as avultadas quantias que despendera na construção. Anexou-a a Administração dos Correios e deu-a de renda, por 30.000 réis, com o encargo, para o rendeiro, de fazer reparações necessárias e de reservar os cómodos indispensáveis para a troca das Malas do Correio e alojamento dos condutores e estafetas.

Em 1814, nomeou-se novo Assistente para o Correio de Tomar, e elevou-se-lhe a pensão de 242.000 para 400.000 réis..

Às posta dos Alentejo, que eram pagas pelo Real Erário, mas estavam abandonadas, passaram, em 1813, a ser de conta do Cofre do Correio-Geral.

Em 1813 equilibraram-se as erceitas e despesas e pagaram-se as dívidas atrasadas, tais como a pensão vitalícia do Conde de Penafiel, ordenados do Director e mais funcionários do Correio, etc.

Considerando que a Administração dos Correios estava numa casa alugada, e que seria últil removê-la, propôs, em 1818, que, utilizando 40 contos quie existiam nessa ocasião, se constrísse uma casa própria, escolheu-se o Largo do Passeio Público para esse fim, com o que se aformoseava aquele Largo e se empregavam muitos operários reduzidos à indigência por falta de obras; porém a aplicação que o Estado teve necessidade de fazer dos fundos que existiam não permitiu que o projecto fosse avante.

Aviso de 02 de Janeiro de 1811: manda fazer o Correio para o Porto por mar, enquanto, por motivo da guerra, estiver impedida a comunicação por terra.

Regulamento da Repartição dos Seguros, de 13 de Dezembro de 1811, com 21 artigos, estabelece as formalidades a atenxder na expedição de valores seguros (registados).

Aviso de 10 de Outubro de 1812, determina que a correspondência trocada entre a Academia Real das Ciências e os Médicos do Reino, com o fim de promover a introdução da vacina no País, seja considerada como do Real Serviço imediato, e como tal não pague porte.

Plano para o estabelecimento da Posta Diária, de 30 de Junho de 1821. Que põe finalmente em prática o projecto do Dr. Mascarenhas Neto, de 1800, iniciando a distribuição domiciliária das correspondências, na Cidade Lisboa.

Decreto de 13 de Agosto de 1824; fixa novos vencimentos ao pessoal dos Correios, reparando a injustiça e desatenção com que o mesmo pessoal fora tratado pela Portaria de Junho de 1821.

Decreto de 14 de Agosto de 1824; estupula as pensões a que poderão ter direito as viúvas e filhas dos Correios.

Decreto de 20 de Maio de 1825; regula o número das cavalgaduras para serviço dos Correios das Secretarias de Estado.

Decreto de 21 de Maio de 1825; estabelece os casos em que os Correios das Secretarias de Estado poderão requerer pensões e em que estas poderão ser concedidas.

Aviso de 15 de Abril de 1825; torna público que se procederá na conformidade das leis contra o Capitão, tripulação e passageiros do barco a vaport “Restaurador Lusitano”, todas as vezes que se provar que a correspondência entre a Capital e o Porto, que se transportarem pelo mesmo barco não são entregues nas Administrações do Correio.

Duas publicações de grande utilidade se editaram no tempo deste Sub-Inspector:

O Regulamento Geral para o Correio e suas dependências, (Lisboa, Oficina de António Rodrigues Galhardo, 1815), reunindo diversos diplomas datados de 1805 a 1811.

Tabela dos dias de partida e chegada dos Correios, acompanhada de um mapa que demonstra o giro do Correio e sua mútua correspondência, (Lisboa, Impressão Régia, 1818); curiosa brochura de 8 páginas e um  mapa de Porttal desdobrável.

Eram, então, 125 as terras do País que tinham correio, uma, duas ou três vezes por semana. De Lisboa partia o Correio às Segundas, Quartas e Sábados; às 6 e meia da tarde; e ao Porto, por exemplo, chegava respectivamente às Quintas, Sábados e Terças.

O estafeta das encomendas e dinheiros seguros, entre Lisboa, Coimbra, Porto, e localidades intermédias, partia da Capital às Terças, de tarde.

Os assaltos aos estafetas e os roubos das malas multiplicavam-se por forma assustadora, apesar das providências aflitivamente reclamadas pelo Sub-Inspector. Alguns exemplos, entre muitos:

Na noite de 23 para 24 de Outubro de 1810 um bando de salteadores ataca e fere o estafeta de Portalegre a uma légua da Cidade; mata-lhe um dos muares e rouba-lhe o outor juntamente com as malas do Correio e tudo o mais que o pobre homem levava consigo.

Em 1812 uma quadrilha de 35 bandoleiros, operando nas proximidades da Moita, sai ao caminho a uma caravana de viajantes que, por precaução, seguia um grupo, conjuntamente com o condutor do Correio de Setúbal. Este teve um macho inutilizado, mas, mercê da energia de alguns viajantes mais animosos e em especial de um Padre, cujos tiros do bacamarte eram certeiros, o incidente não teve consequências mais desastrosas.

Destinada a pesar as correspondências e a determinar ao mesmo tempo a taxa, especialmente para as cartas do Brasil, inventou Lourenço António de Araújo uma balança, de que existem em Portugal 3 exemplares, no Museu dos CTT e uma cópia no Museu Postal de Berlim (Alemanha).

Por seu falecimento, e em atenção aos serviços que prestou, foi arbitrada uma pensão à viúva, D. Ana Benedita de Azevedo Coutinho de Araújo.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

Eduardo Prado Coelho, Professor, Escritor e Político, que nas décadas de 70 e 80, era muito conhecido por EPC, no dia em que faria 73 anos de idade, deixamos aqui esta pequena homenagem.

 

Carnaxide 0070EDUARDO Almeida do PRADO COELHO, Professor, Escritor e Político, natural de Lisboa, nasceu a 29-03-1944 e faleceu a 25-08-2007. Era filho do Professor Jacinto Almeida do Prado Coelho e de Dália Reis de Almeida e neto de António Diogo do Prado Coelho. Doutorou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tem exercido o ensino universitário e cultivado o jornalismo. Convivendo com os movimentos mais vivos do pensamento contemporâneo, cedo se fez sentir a sua intervenção na vida cultural portuguesa. Os seus textos denotam simultaneamente uma procura da verdade da literatura e uma reflexão política e cultural.

Esteve à frente da Direcção Geral da Acção Cultural da Embaixada de Portugal em Paris 8França) e foi Presidente do Instituto Camões em 1980-1990.

Foi militante do Partido Comunista Português (PCP) em 1974 e 1975 e mais tarde da União da Esquerda para a Democracia Socialista, embora tivesse apoiado o Partido Renovador Democrático (PRD) durante algum tempo.

Obras principais: A Palavra Sobre a Palavra, (1972); A Letra Litoral, (1978); Os Universos da Crítica – Paradigmas nos Estudos Literários, (1983); Mecânica dos Fluídos, (1984); Tudo o Que não Escrevi, (1992, em dois volumes); O Fio da Modernidade, (2004); Nacional e Transmissível, (2006).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Albufeira; Oeiras (Freguesia de Carnaxide); Seixal (Freguesia da Amora).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 313 e 314).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 152 e 153).

Alfredo Dinis, mais conhecido por Alex, se fosse vivo, faria hoje 100 anos de idade.

 

Alfredo DinisALFREDO DINIS “ALEX”, Operário e Político, nasceu em Lisboa, a 29-03-1917, e foi assassinado pela PIDE, próximo de Bucelas (Loures), a 04-07-1945. Alfredo Dinis, que na clandestinidade usou o pseudónimo de Alex. Operário Metalúrgico da Parry & Son, trabalhava de dia e à noite estudava numa Escola Industrial.

Aos 19 anos entrou para as Juventudes Comunistas, tendo igualmente pertencido ao Socorro Vermelho Internacional. Preso em Agosto de 1938 pela polícia fascista foi condenado a 18 meses de prisão. Quando saiu da prisão retomou a sua actividade revolucionária. Na qualidade de secretário da célula do PCP na Parry & Son passou a fazer parte do Comité Local de Almada.

Em 1943 entrou para o Comité Local de Almada. Também em 1943 entrou para o Comité Regional de Lisboa e pouco depois foi eleito para o Comité Central no III Congresso (Ilegal) do Partido, realizado nesse mesmo ano, passando a fazer parte do então existente Bureau Político.

Alfredo Dinis desenvolveu uma intensa actividade, participou na organização das lutas de 1942 na região de Lisboa e mais tarde na organização e direcção das grandes vagas de greves de 1943 e 1944 na região de Lisboa, Margem Sul e Ribatejo, assim como nas grandiosas manifestações da vitória sobre o nazi-fascismo de Maio de 1945.

Alfredo Dinis conhecia profundamente os problemas da classe operária, conhecia a classe, acompanhava dia a dia as lutas dos sectores que lhes estavam confiados, era um óptimo organizador das lutas reivindicativas

Como responsável pelo comité local de Almada evidenciou-se pela sua capacidade de organização durante as greves de 1942 na margem Sul, passando à clandestinidade no ano seguinte com o pseudónimo de «Alex», por que ficou conhecido.

Como funcionário do comité regional de Lisboa teve um importante papel na organização das greves de 1943 e 1944 e nas manifestações que celebraram a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Foi eleito membro do CC no III Congresso do PCP realizado em Novembro de 1943. Em 04 de Julho de 1945 foi assassinado em Bucelas por uma brigada da PVDE (mais tarde PIDE) chefiada por José Gonçalves, tornando-se uma figura de destaque na galeria de mártires do partido.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesias de Cacilhas, Charneca de Caparica e Sobreda); Barreiro; Loures (Freguesias de Bucelas, Fanhões, São Julião do nTopjal e Unhos); Moita (Freguesias da Moita e Vale da Amorerira); Odivelas (Freguesia da Ramada); Palmela (Freguesia da Quinta do Anjo).

Fonte: “O Militante nº 277 de Julho/Agosto de 2005”, (por Maria da Piedasde Morgadinho)

Maldonado Freitas, Médico, mais uma vítima do fascismo, se fosse vivo, faria hoje 100 anos de idade

 

Custódio Pereira MALDONADO FREITAS, Médico e Autarca, natural das Caldas da Rainha, nasceu a 28.03-1917 e faleceu a 06-10-1994. Era filho do Dr. Custódio Maldonado Freitas que foi Deputado do círculo de Alcobaça pelo Partido Democrático, em 1919, e pelo Partido Reconstituinte, em 1922.

Frequentou as Faculdades de Medicina do Porto, de Lisboa e de Coimbra, onde terminou a sua Licenciatura em 1962. Na Universidade de Coimbra manteve uma actividade política e associativa intensa, tendo sido eleito Presidente do CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra). Participou nas campanhas de candidatura à Presidência da República do General Norton de Matos e do General Humberto Delgado. Após a sua Licenciatura em Medicina complementou a sua formação profissional trabalhando durante alguns anos nos Hospitais Civis de Lisboa – Hospital de S. José e Hospital de Santa Marta.

Foi preso pela PIDE em Maio de 1963 e mais tarde em 1967. Integrou a Lista vencedora das eleições para a Direcção da Ordem dos Médicos em 1972 que é impedida de assumir funções.

Defensor profundamente convicto de que “o exercício de cargos políticos deve ser uma extensão natural e transitória da prática diária da cidadania, sempre ao serviço do País e do seu Povo”, foi candidato eleito pelas listas da CDU à Assembleia Municipal de Caldas da Rainha nos triénios de 1982-1984 e 1984-1987.

Em 2010, foi-lhe atribuída, a título póstumo, a Medalha de Mérito Municipal.

O seu nome faz parte da Toponímia de Caldas da Rainha (Freguesias de Caldas da Rainha e Foz do Arelho).

Fonte: “Jornal das Caldas, on-line”

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973), Um Dicionário” (Mário Matos e Lemos, Coordenação de Luís Reis Torgal, Pág. 172, Colecção Parlamento, Edição de 2009).

O Professor Veiga Ferreira, Arqueólogo, Geólogo e Desportista, se fosse vivo, faria hoje 100 anos de idade

 

Veiga FerreiraOctávio Reinaldo Santos da VEIGA FERREIRA, Arqueólogo, Geólogo e Desportista, nasceu em Lisboa, na freguesia de Alcântara, na quarta-feira 28 de Março de 1917 e faleceu a 14-04-1997. Viveu grande parte da sua juventude em Terrugem, ao cuidado da sua tia materna, pelo que começou por frequentar a Escola Primária da Quinta de São Pedro, em Sintra, e só depois passou para a Escola primária do Arco do Cego, em Lisboa.

Em 1928, com 11 anos, veio definitivamente para Lisboa, onde frequentou o Colégio do Capitão, no Campo Grande e, foi também explicando do Doutor João Soares, no Colégio Moderno, aquando da frequência do 5º ano.

Em 1932, teve o seu primeiro contacto com a Arqueologia, ao acompanhar com curiosidade as escavações de Manuel Heleno na Necrópole Pré-Histórica de Carenque. No ano lectivo de 1934-1935 ingressou no Instituto Industrial de Lisboa, onde concluiu o Curso de Engenharia Técnica de Minas em 1940-1941.

Em paralelo e, até 1940, dedicou-se à prática desportiva, jogando futebol no Sporting Clube de Portugal, na Académica de Coimbra, na Académica de Santarém e no União de Lisboa, para além de ter sido internacional de rugby, como jogador do Belenenses e da equipa do seu Instituto.

Em 1940, passados que eram 4 anos após a morte de seu pai. Octávio como o filho mais velho de 6 irmãos teve de trabalhar pra ajudar a família. Conseguiu o seu primeiro trabalho em 1941, na Câmara Municipal de Lisboa, trabalhando em Tipografia, em regime de tarefa e, neste mesmo ano casou com Maria Luísa Fernandes Bastos.

Em 1942, já com o curso concluído, começou a trabalhar na Comissão Reguladora do Comércio de Metais e assistiu ao nascimento da sua 1ª filha, Seomara. Neste mesmo ano, resolve frequentar o curso de Pré-História de Henri Breuil, na Faculade de Letras de Lisboa, onde conhece George Zbyszewski, eminente Geólogo e Arqueólogo, pioneiro em Portugal do estudo das indústrias paleolíticas dos terraços fluviais e das praias antigas do litoral português, com quem viria a desenvolver um longo e frutuoso trabalho de campo, iniciado na estação arqueológica de Vila Pouca (Monsanto).

Aqui começa Veiga Ferreira  a sua carreira como Arqueólogo, Geólogo e Paleontólogo. Veiga Ferreira juntou uma obra de mais de 400 títulos publicados, em dezenas de revistas, colectâneas, livros de homenagem, e resultantes da sua participação em diversos congressos da especialidade, abarcando todas as épocas e materiais da Pré-História, da Proto-História, do período Romano, da mineração, da joalharia antiga, da numismática ibero-romana, romana e visigoda, para já não falar dos seus trabalhos de divulgação arqueológica e de investigação historiográfica, expressos pela publicação anotada de espístolas de eminentes arqueólogos e geólogos.

Da sua vasta obra ressalta tanbém a heterogeneidade dos temas tratados por Veiga Ferreira, o que evidencia, por um lado, o próprio estado do conhecimento científico da época, onde a investigação especializada ainda não se tinha imposto, e por outro lado, o incansável interesse do seu intelecto, permanente desperto para tão variados temas científicos, o que o consagraou como personalidade de excepção no panorama português, no domínio das Geociências.

Foi membro da Associação de Arqueólogos Portugueses e da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. Tem colaboração, entre outras, nas seguintes revistas e publicações: Revista de Guimarães, Arquivo de Beja, O Arquólogo Português, Revista de Arqueologia, Boletim de Minas, Estudos Italianos em Portugal, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Revista da Universidade de Coimbra, Conímbriga, Anais da Faculdade de Ciências do Porto, etc. Octávio Veiga Ferreira foi ainda agraciado com as Medalhas de Mérito dos Concelhos de Rio Maior e de Cascais e, já postumamente, com a Medalha de Ouro de Oeiras, mercê da iniciativa de discípulos seus. Ainda no Jardim de Rio Maior, existe um pequeno monumento, inspirado num cromeleque, em sua homenagem.

Obras principais: A Vida dos Lusitanos no Tempo de Viriato, (em colaboração, 1970); Tenente-Coronel Manuel Afonso do Paço: Arqueólogo e Etnógrafo, (1970); Guia Descritivo da Sala de Arqueologia Pré-Histórica, (1977); Portugal Pré-Histórico, (em colaboração, 1981).

O seu nome faz parte da Toponímia de Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital 22-04-1998).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 216).

José Magro, mais um resistente antifascista, se fosse vivo, faria hoje 97 anos de idade

 

José MagroJOSÉ Alves Tavares MAGRO, político, natural da Freguesia de Alcântara (Lisboa), nasceu a 27-03-1920 e faleceu a 22-02-1980. Escriturário da Federação Nacional dos Produtores de Trigo, aderiu, por volta de 1940, às Juventudes Comunistas, e fez parte do MUNAF durante o serviço militar. Na situação de disponibilidade em 1945, passou à clandestinidade. Usando os pseudónimos de «Artur» e depois de «Victor», teve responsabilidade na edição de jornais ilegais destinados às Forças Armadas, como: A Voz do Sargento, A Voz do Soldado e A Voz do Oficial Miliciano, suplementos de Libertação Nacional, órgão do Conselho Nacional de Unidade Antifascista. Sempre actuando na clandestinidade, participou na campanha de Norton de Matos e foi depois responsável partidário pelo distrito de Lisboa (1950). Preso a 25 de Janeiro de 1951, foi julgado e condenado a três anos de prisão maior celular e suspensão de direitos políticos por 15 anos. Sofreu diversos castigos durante a detenção. A 20 de Janeiro de 1954 era descoberta uma tentativa de fuga do Forte de Peniche, através de um túnel, sofrendo os seus autores, entre os quais José Magro, novos castigos. Libertado a 14 de Fevereiro de 1957, retomou a clandestinidade cinco meses depois. Participou no V Congresso do PCP, sendo eleito para o Comité Central. A 13 de Maio de 1959, foi de novo preso e condenado, a 04 de Dezembro de 1961, ao cúmulo jurídico de 10 anos de prisão, suspensão de direitos políticos por 15 anos, e medidas de segurança de seis meses a três anos prorrogáveis. Evadiu-se de Caxias a 04 de Dezembro de 1961, no Chrisler blindado de Salazar, mas pouco tempo esteve em liberdade, porque foi recapturado a 24 de Maio de 1962, em São Domingos de Rana. Já com pouca saúde continuou a sua luta pela liberdade, que só recuperou com o 25 de Abril de 1974.

Publicou um livro de poemas: Torre Cinzenta, Lisboa, Edic Avante, 1980 e Cartas da Prsião. Vida Prisional, Lisboa, Edic Avante, 1975.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Barreiro; Lisboa (Freguesia da Ajuda); Loures (Freguesia de Unhos); Sintra (Freguesia de Massamá); Viana do Alentejo (Greguesia de Aguair).

Fonte: “Memórias da Resistência, Literatura Autobiográfica da Resistência ao Estado Novo, de António Ventura”.

Comemorou-se ontem (25-03-2017) os 60 anos da criação da actual União Europeia, por isso vem a propósito lembrar aqui o último verdadeiro Presidente da Comissão Europeia, chama-se Jacques Delors, a ele se deve muito, ou quase tudo, do bom que a União Europeia nos trouxe, depois de Jacques Delors, apenas por lá passaram pessoas…

 

 

Jacques DelorsJACQUES Lucien Jean DELORS, Político, natural de Paris (França), a 20-07-1925. Em 1962 é nomeado Chefe do Serviço dos Assuntos Sociais do Comissariado-Geral do Plano. Mais tarde é designado Conselheiro para os Assuntos Sociais do Governo de Chaban-Delmas.

Pertenceu ao Conselho-Geral do Banco de França, entre 1973 e 1979. Foi Delegado do Partido Socialista Francês para as relações económicas internacionais.

Em Junho de 1979 é eleito para o Parlamento Europeu e nomeado Presidente da sua Comissão Económica e Monetária.

Desempenhou, após a eleição de Mitterrand, para o cargo de Ministro da Economia e Finanças no governo de Mauroy (1981).

A 15 de Janeiro de 1985 torna-se Presidente da Comissão das Comunidades Europeias, defendendo a Federação dos Estados Europeus. Foi-lhe concedido o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa (Outubro de 1988), e Doutor Honoris Causa pela Universidade do Porto, em 1990.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Oeiras (Freguesia de Porto Salvo).

Fonte: “Universidade de Lisboa”

Fonte: “Universidade do Porto”

A Actriz Fernanda Montemor, faleceu faz hoje dois anos, será que ainda se lembram do seu percurso profissional? Aqui ficam alguns traços do seu percurso.

 

Fernanda MontemorFERNANDA Janeiro de Sobral Pereira “MONTEMOR”, Actriz, nasceu em Sernancelhe, em 1935, e faleceu em Lisboa, a 26-03-2015. A Actriz fez o Curso de Teatro do Conservatório Nacional e, segundo o Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, começou a trabalhar em 1951, no Teatro da Mocidade Portuguesa, na peça “A cigarra e a formiga”, de Fernando Paços, em que contracenou com António Couto Viana e Luís Horta. Fernanda Montemor foi casada com o Actor Mário Pereira (1933-1996).

Estreou-se no Teatro Ginásio, em Lisboa, na Companhia Alves da Cunha, na década de 1950, integrou depois o Teatro do Povo, dirigido por Francisco Ribeiro (Ribeirinho).

A partir de 1956 trabalhou no Teatro da Trindade com Orlando Vitorino e Azinhal Ribeiro, tendo interpretado Federico Garcia Lorca, Anthon Tckekóv, Nicolau Gogol, Gil Vicente, Shakespeare e Bernard Shaw, entre outros.

Em 1973 integra o elenco do Teatro Estúdio de Lisboa, dirigido por Luzia Maria Martins, com interpretações em peças de Edward Bond, Luzia Maria Martins, David Hare, Vaclav Havel, Edward Albee, Simon Gray e Lillian Helmann. Trabalhou ainda com encenadores como Artur Ramos, Adolfo Marsillach, Fernando Gusmão, Peter Kleiwert/Peter Shroeder, Joaquim Benite, João Lourenço, Blanco Gil, Fernanda Lapa, António Feio, Castro Guedes.

Em 1993, fez parte do Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (ACARTE) e, no ano seguinte, iniciou uma colaboração, por seis temporadas, com o Teatro Infantil de Lisboa, sob direção de Fernando Gomes.

Entre finais da década de 1990 e a seguinte esteve nos elencos de “Hedda Gabler”, de Ibsen, com encenação de Juvenal Garcês, “Elefantes no jardim”, de Virgílio Almeida, com encenação de Teresa Sobral, “Night Mother”, de Marsha Norman, levada à cena por Celso Cleto, no Nacional D. Maria II, “A relíquia”, encenada por Miguel de Abreu, no grupo Cassefaz, e ainda “Dois irmãos”, de Fausto Paravidino, “Tão só o fim do mundo”, de Jean-Luc Lagarce, e “Os irmãos Geboers”, de Arne Sierens, estas últimas nos Artistas Unidos, entre 2004 e 2005.

Entre finais de 2005 e o primeiro trimestre de 2006, no Nacional D. Maria II, fez parte do elenco de “A mais velha profissão do mundo”, de Paula Vogel, com encenação de Fernanda Lapa, numa coprodução com a Escola de Mulheres, na qual contracenou com Maria José, Glória de Matos, Lia Gama e Lourdes Norberto.

No âmbito desta peça, na véspera do Dia Mundial do Teatro, precisamente há nove anos, recebeu a Medalha de Mérito Artístico, que lhe foi entregue pela então ministra da Cultura Isabel Pires de Lima.

Fernanda Montemor foi uma das pioneiras da televisão em Portugal, tendo interpretado, em directo, várias peças de teatro, nomeadamente textos de Synge, Dickens, Molière, Marivaux, Vasco Mendonça Alves, Gil Vicente, Ricardo Alberty, William Shakespeare, Jean Giraudoux, Ben Jonson e Marcel Pagnol.

Entrou nas séries “Zé Gato” e “Duarte & Cia.”, de Rogério Ceitil, em que contracenou entre outros, com António Assunção, Canto e Castro, Paula Mora e Rui Mendes. No programa infantil “Rua Sésamo”, encarnou a Avó Xica. Em 2002, fez uma participação na telenovela “Amanhecer”, de Tozé Martinho e, em 2010, na série histórica “Noite Sangrenta”, de Tiago Guedes e Frederico Serra.

No cinema participou em “O trigo e o joio” (1965), de Manuel Guimarães, filme com argumento de Fernando Namora, sobre o seu próprio romance homónimo.

Fernanda Montemor, recebeu, em 2006, a Medalha de Mérito Artístico do Ministério da Cultura, quando estava em cena, no Teatro Nacional D. Maria II, a peça “A mais velha profissão do Mundo”.

Fonte: “Agência Lusa”

Fonte: “RTP Notícias”

João Soares Louro, o Homem da Televisão, faleceu faz hoje 10 anos

 

João Soares LouroJOÃO SOARES LOURO, O Homem que se confundua com a Televisão, nasceu em Faro, a 12-02-1933, e faleceu em Lisboa, a 16-03-2007. João Soares Louro dedicou quase toda a sua vida à televisão – entrou na estação pública em 1957, quando tinha apenas 24 anos, como Escriturário.

João Soares Louro, destacou-se enquanto Presidente do Conselho de Administração da Radiotelevisão Portuguesa (RTP), entre 1976 e 1980, altura em que foi criado o segundo canal, com verdadeira autonomia.

Dedicou quase toda a sua vida profissional à Televisão, tendo impulsionado em finais da década de 1970 a reestruturação da RTP.

Como político, foi dirigente nacional do Partido Socialista durante vários anos. Foi eleito Deputado por Lisboa na Legislatura de 1976 a 1978, tendo sido, entretanto, chamado a integrar o I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, como subsecretário de Estado para a Comunicação Social.

Integrava desde 2005 o Conselho de Administração da Parque Expo como administrador não executivo, e em 2006, passou a fazer parte do Conselho de Administração da Atlântico – Pavilhão Multiusos de Lisboa e, desde 2006, era o Provedor da Qualidade do Parque das Nações desde 1999.

Fonte: “RTP – Rádio Televisão Portuguesa”