Archive for Dezembro, 2017|Monthly archive page

Recordamos hoje, o Cantor Lírico José Lisboa, no dia em que passa mais um aniversário do seu nascimento.

 

 

José LisboaJOSÉ Eurico Corrêa LISBOA, Cantor Lírico e Engenheiro Agrónomo, natural de Lisboa, nasceu a 31-12-1912 e faleceu a 03-02-1981. Era filho do Dr. Eurico Fernandes Lisboa (distinto Oftalmologista) e de Elisa Adelaide Teles de Macedo Corrêa Lisboa. Era pai da Actriz Elisa Lisboa.

Com 17 anos, após ter concluído os Estudos Secundários, matriculou-se no Instituto Superior de Agronomia, onde terminou o Curso de Engenheiro Agrónomo aos 22 anos de idade.

Entretanto, precisamente por volta dos 17 anos, o interesse pelo canto levou-o a procurar os ensinamentos de D. Fernando de Almeida, que veio a ser o seu único Mestre. Outra consequência importante da frequência dessas aulas foi o casamento com uma afilhada daquele famoso Professor, a Violoncelista Maria Isaura Bello de Carvalho Pavia de Magalhães. Só cerca de dez anos após ter começado a estudar canto surge pela primeira vez o nome de José Lisboa, em recitais realizados na Emissora Nacional (11 de Janeiro e 22 de Fevereiro de 1940).

A primeira apresentação pública, porém, foi num concerto de beneficência realizado no Teatro da Trindade em 06 de Maio de 1940, com a comparticipação das Cantoras Elsa Penchi Levy, Laura Lima, Maria Teresa de Almeida e Elvira Landeiro e da Orquestra Sinfónica Nacional dirigida por Pedro Blanch.

Após novo concerto com Maria Teresa de Almeida, a favor da Associação Protectora dos Diabéticos Pobres (Trindade, 18 de Maio), José Lisboa estreou-se como Cantor de Ópera interpretando a parte de “Scarpia”, da Tosca, no Coliseu dos Recreios, em 01 de Junho de 1940, Elsa Penchi Levy foi a protagonista e Américo Costa, também estreante, o “Cavaradossi”. O espectáculo repetiu-se no dia seguinte.

Na mesma série de espectáculos, José Lisboa cantou depois os papéis de “Diogo Lopes Pacheco” e de “Prior de Alcobaça” numa récita da Inês de Castro. Em Dezembro de 1940 (dias 1, 3 e 5) foi o protagonista da ópera D. João IV, de Rui Coelho, em três espectáculos (o primeiro dos quais de grande gala) que assinalaram a reabertura do Teatro S. Carlos. José Lisboa voltou ao S. Carlos em 17 e 18 de Fevereiro de 1941, desta vez com Marina Dewander Gabriel e a Orquestra Sinfónica de Lisboa dirigida por Ivo Cruz, para cantar as primeiras audições em Portugal da obra de Grieg Olav Trigvason. E, pouco depois (19 de Maio), no mesmo palco, cantou a parte de “Jesus”, da Paixão Segundo S. João, de Bach, também em primeira audição em Portugal. Os restantes solistas foram Ans Bierman, Marina Dewander Gabriel, Elisa Silva Santos, José António Teixeira e António Alves Pacheco.

Colaboraram a Sociedade Coral Duarte Lobo e a Orquestra Filarmónica de Lisboa, com direcção de Ivo Cruz. Em 21 de Junho de 1941, com Maria Teresa de Almeida, tomou parte num concerto na Academia de Amadores de Música e em 12 de Julho voltou a interpretar uma personagem operática, agora o “Rei D. Fernando”, no 2º acto de Leonor Teles.

Em 1941 apresentou-se ainda em público em 28 de Setembro, com Maria Teresa de Almeida e alguns artistas do nosso teatro declamado, numa festa de beneficência tralizada no Casino Internacional de Monte Estoril, mas ao longo do ano cantou várias vezes aos microfones da Emissora Nacional.

Em 1942, a carreira de José Lisboa decorreu predominantemente na Emissora Nacional, ou em espectáculos organizados por esta emissora, como no Shell Sporti Club, Instituto de Cultura Italina, Teatro de S. Carlos, Instituto Superior Técnico, etc. Em 1945 voltou a actuar, por várias vezes, no Teatro de S. Carlos, no Coliseu do Porto e no Teatro la Zarzuela, de Madrid e, durante os anos de 1946 e 1947, José Lisboa, voltou a actuar nos Teatros de S. Carlos, Coliseu dos Recreios, Coliseu do Porto, Teatro Albeniz e Teatro La Zarzuela, e até 1955 a sua carreira decorreu muito intensa tanto em Portugal como por toda a Europa.

A carreira lírica de José Lisboa terminou em 06 de Novembro de 1955 com a primeira récita da ópera Um Sonho de D. João V (Sebastião José de Carvalho e Melo), do Conde da Esperança. Os restantes intérpretes foram Mina Braga, Maria Cristina de Castro, Guilherme Kjölner, Armando Guerreiro e Ugo Novelli (Bobo). A morte de seu pai, ocorrida pourco depois, em 25 de Novembro, terá sido a causa principal do abandono da carreira por parte do artista, que veio a falecer, em Lisboa, em 03 de Fevereiro de 1981.

Fonte:  “Cantores de Ópera Portugueses”, (Mário Moreau, III Volume, Bertrand Editora).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 15, Pág. 298)

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“Cândido Tavares, um Desportista pouco conhecido”

 

 

Cândido TavaresCÂNDIDO Coelho TAVARES, Desportista e Militar, natural do Seixal, nasceu a 30-12-1911 e faleceu a 18-06-1997. Casapiano e 1º Sargento do Exército Português. Na sua actividade desportiva, participou como Atleta, como Árbitro e como Treinador.

Como Jogador de Basquetebol, representou o Lusitano de Évora, na época de 1931/1932.

Como Jogador de Futebol, na posição de Guarda-Redes, representou o Casa-Pia Atlético Clube, na época de 1931, 1934/1935 e, 1938/1939; o Lusitano de Évora, nas épocas de 1932 a 1934; Sport Lisboa e Benfica, nas épocas de 1934 a 1937; o Clube União Sportiva (São Miguel – Açores), na época de 1941/1942.

Como Treinador e Preparador Físico, representou o Sport Lisboa e Benfica, em 1952, como Treinador Adjunto e como Treinador Principal, tendo, nesta função, ganho uma Taça de Portugal ao Sporting e logo por 5-4; Vitória Sport Clube de Guimarães, na época de 1953/1954; no Lusitano Ginásio Clube, na época de 1954/1955; Federação Portuguesa de Futebol, na época de 1954/1956; Sport Clube União Torriense, na época de 1956; Grupo Desportivo da Companhia União Fabril, na época de 1957/1958.

Também deu a sua colaboração a alguns jornais, nomeadamente ao Diário Popular, na época de 1947/1948.

Enquanto Militar praticou Esgrima, com licença de Praticante Internacional Amador, emitida em Setembro de 1920, pela Fédération Internationale d’Escrime, sedeada na Bélgica e, como Árbitro no Campeonato Militar de Futebol de 1965, tendo dirigido 6 jogos.

Foi louvado pelo Comando Militar, na Ordem de Serviço 274, de 17 de Dezembro de 1965, pode lêr-se o seguinte: “Que, louva o primeiro-sargento do QSSGE (Quadro Sargentos Serviço Geral Exército), CÂNDIDO COELHO TAVARES, desempenhando há cerca de dois anos as funções de Amanuense da 1ª Repartição deste Comando Territorial Independente, especialmente na fase incipiente na sua organização e particularmente nos serviços do RDM (Regulamento de Disciplina Militar) adstrito, suportou sempre um trabalho intenso, havendo-se com excepcional aprumo militar, ponderação, zelo, honestidade e prontidão nos múltiplos serviços de que tem sido encarregado. Muito ordenado nos serviços a seu cargo, manifestou constantemente no contacto cotidiano com os assuntos do pessoal, apurado espírito de justiça, isenção, especial cuidado e humanidade no processo de normalização da situação militar, muitas vezes bastante confusa, não só dos nativos como dos oriundos de outras Províncias, a todos atendendo com o melhor interesse e orientando do modo mais conveniente. O seu empenho de bem cumprir, o seu porte disciplinado, franco e leal, a sua correcção de maneiras e de trato, completam em si um conjunto de qualidades que o impuzeram á estima geral e o tornam exemplo a apontar a todos os seus camaradas e inferiores”.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Seixal (Rua Cândido Tavares).

Fonte: “Alberto Hélder.Blogspot.pt” (Cândido Tavares, Um Bom Homem, Um Bom Desportista)

Recordamos hoje Alves Redol, introdutor e o expoente máximo do Neorealismo Português.

 

Alves RedolAntónio ALVES REDOL, Escritor, nasceu em Vila Franca de Xira, a 29-12-1911, e faleceu na Freguesia do Campo Grande (Lisboa), a 29-11-1969. Era filho de António Redol da Cruz, pequeno Comerciante Ribatejano, e de Inocência Alves. Obteve um Curso Comercial e, cedo, teve de se iniciar no mundo do trabalho. Ainda jovem, partiu para Angola à procura de melhores condições de trabalho, mas lá conheceu a probreza e o desemprego.

De regresso a Portugal, à Capital,  desenvolveu várias actividades profissionais e enveredoun nos meandros da oposição ao Estado Novo, ingressando no Partido Comunista Português.

De início, tornou-se colaborador do jornal O Diabo, mas a sua veia literária acabaria por se manifestar em 1939.

Embrenhado na luta de resistência ao regime salazarista, compreendeu a litareatura como forma de intervenção social e, nesse mesmo ano, surgiu o seu primeiro romance, Gaibéus, cujo assunto, relacionado com problemas sócio-económicos vividos pelos ceifeiros, fez desta obra o marco do aparecimento do Neorealismo.

Romancista e dramaturgo, expoente cimeiro do movimento neo-realista em Portugal, cujo início oficial há quem faça coincidir com a edição do seu primeiro romance, Gaibéus (1940), descrição da vida e da luta das gentes do Ribatejo. Para além das temáticas e da abordagem socializante das suas obras, Alves Redol é em si mesmo uma personagem exemplar num movimento literário cuja ambição maior era fazer uma arte do povo para o povo: filho de um pequeno comerciante ribatejano que lhe consegue dar, como máxima habilitação literária, um curso comercial feito em Lisboa, embarca com cerca de 17 anos de idade para Angola, tendtando aliviar a crise financeira familiar. Depois de três anos de dificuldades, desemprego prolongado, doença, volta à Metrópole, onde acaba por encontrar um emprego em Lisboa, fazendo todos os dias o caminho de ida e volta para Vila Franca de Xira. Ao longo da vida, a part do empenhamento sociopolítico e da sua prolífica carreira de escritor e homem de letras, as actividades profissionais irão variar entre o ramo editorial, o betão prefabricado, a publicidade.

A sua obra, enquanto produto de um conceito de arte últil que visava promover o exame e a crítica das estruturas sociais, deixa, segundo Alberto Ferreira, «de se subordinar à forma e às categorias estéticas burguesas para proclamar a universalidade do conteúdo como elemento criativo de uma arte progressista».

Talvez devido a esta relativa despreocupação formal, a imagem que críticos e historiadores da literatura dão de Alves Redol é a de um autor desigual nos seus empreendimentos literários. A opinião e o respeito são no entanto unânimes na apreciação da sua grande capacidade e rigor de observação, da sua autenticidade. Unânime é também o considerar Barranco de Cegos (1961) como a obra maior do autor, para além da importância inaugural de Gaibéus. Paradoxalmente, Barranco de Cegos constitui uma excepção na obra de Alves Redol, ao tomar por objecto a história de uma família de grandes proprietários ribatejanos, deixando em fundo as movimentações das massas populares.

Obras principais: Glória: Uma Aldeia do Ribatejo, (ensaio etnográfico, 1938); Gaibéus, (romance, 1940); Nasci com Passaporte de Turista, (contos, 1940); Marés, (romance, 1941); Avieiros, (romance, 1942); Fanga, (romance, 1943); Anúncio, (romance, 1945); Porto Manso, (romance, 1946); Forja, (tragédia, 1948); Horizonte Cerrado, (romance, Ciclo Port Wine, Prémio Ricardo Malheiros, 1949); Os Homens e as Sombras, (romance, Ciclo Port Wine, 1953); Olhos de Água, (1954); A Vida Mágica da Sementinha: Uma Breve História do Trigo, (infantil, 1956); A Barca dos Sete Lemes, (1958); Uma Fenda na Muralha, (romance, 1959); O Cavalo Espantado, (romance, 1960); Barranco de Cegos, (1961); Constantino, Guardador de Vacas de de Sonhos, (infantil, 1962); Histórias Afluentes, (1963); O Muro Branco, (romance, 1966); Teatro I (Forja e Maria Emília, 1966); Teatro II (O Destino Morreu de Repente, 1967); Teatro III (Fronteira Fechada, 1972); Os Reinegros, (romance, 1974, edição póstuma de um livro probido pela censura).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albufeira; Alcácer do Sal; Almada (Cidade de Almada e Freguesias da Charneca de Caparica e Sobreda); Amadora; Azambuja (Vila da Azambuja e Freguesia de Maçussa); Barreiro (Cidade do Barreiro e Freguesias de Palhais e Santo António da Charneca); Beja; Benavente (Freguesia de Samora Correia); Cartaxo (Freguesias de Valda e Vila Chã de Ourique); Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais e São Domingos de Rana); Castro Verde; Coimbra; Coruche (Freguesia do Couço); Entroncamento; Estremoz; Évora; Faro; Ferreira do Alentejo; Gondomar; Grândola; Lisboa (Freguesia de São João de Deus, Edital de 30-12-1974, era a antiga Rua Sinel de Cordes); Loures (Freguesias de Camarate, Loures, Santa Iria da Azóia, Santo António dos Cavaleiros, São João da Talha, São Julião do Tojal e Unhos); Maia; Mangualde; Marinha Grande (Marinha Grande e Vieira de Leiria); Matosinhos (Freguesia de Leça do Balio); Mértola; Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Moita); Montemor-o-Novo; Montijo; Nazaré; Odivelas (Freguesias de Caneças, Famões, Odivelas, Póvoa de Santo Adrião e Ramada); Oeiras (Freguesias de Carnaxide, Caxias e Porto Salvo); Palmela (Freguesias de Palmela e Pinhal Novo); Ponte de Sôr (Freguesia de Foros de Arrão); Portimão; Porto; Sabugal; Salvaterra de Magos (Freguesias de Glória do Ribatejo e Marinhais); Santa Maria da Feira (Freguesias de Arrifana e Fiães); Santarém; Seixal ( Freguesias de Aldeia de Paio Pires, Amora, Corroios e Seixal); Serpa (Freguesia de Pias); Sesimbra (Freguesia de Quinta do Conde); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sintra (Cidade de Agualva- Cacém e Freguesias de Algueirão-Mem Martins, Belas, Monte Abraão e Rio de Mouro); Tomar; Trofa (Freguesias de São Mamede do Coronado, São Martinho do Bougado e São Romão do Coronado); Valongo (Freguesia de Ermesinde); Vila Franca de Xira (Freguesias de Castanheira do Ribatejo, Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria, São João dos Montes, Vialonga e Vila Franca de Xira); Vila Nova de Gaia; Vila Real de Santo António.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Leituras, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de 1997, Pág. 472 e 473)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 441).

Fonte: “Infopédia – Dicionários Porto Editora”

Recordamos hoje Mariana Rey Monteiro, uma grande Actriz, esquecida do grande público.

 

 

Mariana Rey MonteiroMARIANA Dolores REY Colaço Robles MONTEIRO, Actriz, natural de Lisboa, nasceu a 28-12-1922 e faleceu a 20-10-2010. Era filha dos Actores e Empresários Teatrais Amélia Schmidt Lafourcade Rey Colaço e Felisberto Coelho Teles Jordão Robles Monteiro. Iniciou a sua carreira profissional a 20-04-1946, no Teatro Nacional de Dona Maria II, na »Antígona«, de Sófocles.

Após o seu casamento afastou-se da cena. Viúva em 1958, regressou depois à actividade artística. Pela sua interpretação no »Diálogo das Carmelitas« recebeu o Prémio Lucinda Simões (1959) e em »Um Eléctrico Chamado Desejo«, o Prémio dos Jornais de Lisboa (1963), que voltaria a receber pelo papel desempenhado em »Divinas Palavras« (1964). A sua actuação no filme »Um Dia de Vida«, valeu-lhe o Óscar da Imprensa em 1962.

Participou nas telenovelas portuguesas »Vila Faia«, »Origens«, e »Chuva na Areia«, e na série televisiva »Gente Fina é Outra Coisa«.

Mariana Rey Monteiro, a 03 de Agosto de 1983 foi feita Dama da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, tendo sido elevada a Grande-Oficial da mesma Ordem a 08 de Junho de 1996.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Odivelas; Oeiras (Freguesia de Porto Salvo).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 371).

Escultor Lagoa Henriques, autor de obras como a Estátua de Fernando Pessoa, no Chiado, em Lisboa, aqui recordado no dia em que, se fosse vivo, faria 94 anos de idade.

 

Lagoa HenriquesAntónio Augusto LAGOA HENRIQUES, Escultor e Professor, natural de Lisboa, nasceu a 27-12-1923 e façeceu a 21-02-2009. Era filho de Delfim Augusto Henriques, Comerciante e Actor Amador e de Palmira de Almeida Lagoa Henriques, Professora Primária, que frequentou o Atelier de Columbano. O avô materno era Relojoeiro.

Inicialmente morou na Rua da Ilha Terceira, no Bairro dos Açores. Mais tarde, após a morte da avó paterna, foi viver com a família para casa do avô que ficara viúvo e que era Alfaiate de profissão e residia na Rua dos Douradores, em Lisboa.

Depois de concluir os Estudos Liceais pensou cursar Letras ou Direito, mas reprovou nas provas de aptidão à Universidade. Recorreu, então, às aulas particulares de Agostinho da Silva que, após ver os seus desenhos, o persuadiu a estudar Escultura.

Formadado pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, onde exerceu também funções docentes, é actualmente Professor na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Discípulo de Leopoldo de Almeida, Barata Feyo, Dórdio Gomes e Marino Marini, tomou caminhos de estilização decorativa, fazendo uso sensível e discreto dos valores académicos em obra pública gradualmente reconhecida, do que é prova a encomenda do túmulo de Fernando Pessoa para os Jerónimos. Artista participante e atento à realidade circundante, tem exercido também grande actividade como divulgador/defensor do património artístico português em programas televisivos.

Obteve em 1954 o Prémio Soares dos Reis e no mesmo ano a 1ª medalha em escultura na Sociedade Nacional de Belas-Artes. Mestre e motivador de sucessivas gerações de criadores artísticos, é de Lagoa Henriques a escultura representativa do poeta Fernando Pessoa que se encontra na esplanda do Café Brasileira, no Chiado, em Lisboa.

Entre as suas obras podemos destacar a escultura de Fernando Pessoa, frente à Brasileira, no Chiado, em Lisbnoa; O Segredo, no Jardim Amália Rodrigues; a estátua de Guerra Junqueiro; o mausoléu de Fernando Pessoa, no Mosteiro dos Jerónimos, bem como motivos escultóricos nos Hotéis Rex, Ritz e Altois, todas em Lisboa.

De igual modo merecem realce: a escultura de Alves Redol, em Vila Franca de Xira; a Conquista de Ceuta, no Jardiom do Ouro; e a escultura de Ferreira Borges, no Palácio da Justiça, ambas no Porto; dois grupos escultóricos em Oliveira do Bairro (Entrega do Foral a D. Manuel e o monumento ao Universalismo Português); esculturas da Imperatriz Sissi e do Papa João Paulo II, na Ilha da Madeira; Camões e Ilha dos Amores, em Constância; o monumento ao Condestável Nuno Álvares Pereira, em Abrantes; D. Sebastião, em Esposende; António Aleixo, em Loulé; Ano Cão e Encontro entre o Ocidente e o Oriente, nas proximidades das ruínas de S. Paulo, em Macau; Leda e o Cisne, na Embaixada de Portugal, em Brasília (Brasil); as intervenções em dependências do Banco Fonsecas & Burnay, no Porto e em Lagos; os baixos relevos nos Palácios da Justiça de Gouveia e de Lisboa; a Medalha Comemorativa dos 80 anos da Sociedade Portuguesa de Autores (2005)

Foi ainda autor de desenhos e esculturas, notáveis, poeta, conferencista e coleccionador de peças tão diversas como pinturas, conchas, livros e troncos de árvores.

Durante a sua longa e brilhante carreira foi distinguido com os Prémios Soares dos Reis; Teixceira Lopes e Diogo de Macedo; o Prémio Rotary Clube do Porto, a 1ª Medalha da Sociedade Nacional de Belas Artes; a Medalha de Honra na Exposição Internacional de Bruxelas e o 1º Prémio de Escultura da II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.

Lagoa Henriques também se dedicou à Cenografia, foi autor de programas televisivos (Risco Inadiável; Pare, Escute e Olhe; Portugal Passado e Presente e Lisboa Revisitada), proferiu conferências, nomeadamente sobre Escultura, Desenho e Poesia, e colaborou em actividades de dinamização cultural na Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu Naciopnal de Arte Antiga, no Centro Nacional de Cultura e no Insitututo Português do Património Cultural

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Belém, Edital 34/2015, de 24 de Julho); Nazaré.

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 268).

Fonte: “Universdidade do Porto – Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto”

Américo Amarelhe, ou simplesmente Amarelhe, o “diplomata” dos Caricaturistas, lembrado no dia em que passam 125 anos sobre o seu nascimento

 

AmarelheAmérico da Silva AMARELHE, Caricaturista e Pintor, nasceu no Porto, no dia 26 de Dezembro de 1892 e faleceu em Lisboa, a 03-04-1946. Filho de mãe portuguesa e de pai espanhol, José Amarelhe, donde provém o seu apelido aportuguesado, que utilizou como assinatura e, que muitos interpretaram como pseudónimo. Aos 14 anos fez a sua 1ª Exposição pública de «retratos caricaturais», no Salão de Fotografia União, da sua cidade natal, conseguindo um inegável êxito artístico e comercial, impondo-se como um artista de moda: os lojistas do Porto passaram a ter pelo menos uma caricatura de Amarelhe na sua montra, eles próprios lisonjeados, por se mandarem caricaturar e num clima em que quase parecia mal não ter na sua casa uma caricatura de Amarelhe.

Veio para Lisboa com 19 anos e rapidamente ganhou popularidade e mereceu destaque  entre os caricaturistas, como o primeiro artista a querer viver apenas do retrato caricatural. Começou por expor no Salão do Theatro das Variedades em 1911 e conseguiu exposições importantes no Eden Teatro, no Grémio Literário e no Salão do Teatro Nacional, notando-se a sua preocupação de criar obra para a exposição.

Em 09 de Maio de 1912 nas salas do Grémio Literário, sito na Rua Ivens, o presidente da República Manuel de Arriaga, inaugurou o I Salão de Humoristas Portugueses, onde, simbolicamente, comprou uma obra de cada artista exposto, no qual Amarelhe participou com uma vintena de trabalhos.  Também participou com 31 trabalhos, na Exposição de Humoristas e Modernistas, que se seguiu no Porto, no Salão do Jardim Passos Manuel, de 03 a 15 de Maio de 1915.

Como colaborador assíduo dos principais diários portugueses, incluindo o “Primeiro de Janeiro”, da sua terra natal e, sobretudo, na “Ilustração Portuguesa”, e no “Sempre Fixe”, dedicou-se especialmente a caricaturar gente de teatro. Como Adelina Fernandes, Alfredo Cortês, António Silva, Beatriz Costa, Francis Graça, Henrique Alves, Hortense Luz, João Bastos, José Loureiro, Josefina Silva, Francis Graça, Josefina silva, Leopoldo Frís, Manuel Joaquim de Araújo Pereira, Palmeira Bastos, entre outros, pelo que sucessivas gerações do teatro português passaram pelo lápis de Amarelhe. Amarelhe foi o mestre do retrato-caricatural e o criador do género dedicado ao teatro. A sua última exposição ocorreu nesse mesmo ano, inaugurada no deia que seria do seu aniversário, na Casa do Distrito do Porto em Lisboa , organizada pelos amigos Alfredo Cândido, Manuel Monterroso, Francisco Valença e Octávio Sérgio. Amarelhe faleceu de ataque de coração, em Lisboa, em 03 de Abril de 1946, aos 53 anos de idade.

Finalmente acrescente-se que ainda ligado ao teatro, Amarelhe executou decorações e cenários para além de conceber cartazes para o teatro de revista e para empresas discográficas.

Amarelhe teve ainda direito a uma exposição própria no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II em 1928 e, a sua grande relação com o mundo teatral levava os Teatros lisboetas a manterem sempre duas cadeiras livres na primeira fila:  para «o Amarelhe» e possível acompanhante.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Sobreda), Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 30-10-1997, ex-Impasse II à Avenida Maria Helena Vieira da Silva).

Fonte: “As Caricaturas da Primeira República, de Osvaldo Macedo de Sousa, Edição promovida pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, no âmbito do Programa das Comemorações do Centenário da República. Edições Tinta-da-China, 1ª Edição, Setembro de 2010, Pág. 192”

Carolina Lemos, Professora, aqui recordada no ano em passam 100 anos sobre o seu nascimento.

 

Carolina LemosCAROLINA LEMOS César Anjo, Professora, natural de Coimbra, nasceu a 24-12-1917 e faleceu a 08-12-2016. Professora, dirigente sindical e activista incansável, não só pelas causas do ensino, mas também pelos direitos humanos e de cidadania. Era filha de Álvaro Viana de Lemos, um dos percursores, em Portugal, da Escola Moderna, e era casada com Augusto César Anjo, que, com Carolina, esteve na génese e na divulgação do Esperanto no nosso País, mas sempre olhou de frente os algozes do regime fascista.

Para além de ser uma mulher extraordinária, que nunca virou costas às agruras da vida pessoal e profissional, apesar de ter visto familiares chegados perseguidos politicamente, designadamente o seu pai.

Pelo seu percurso ímpar, as suas características pessoais e sua personalidade cidadã, pelo trabalho realizado enquanto Professora Primária e a sua ligação às comunidades em que trabalhou, foi merecida a atribuição a Carolina Lemos, em 08 de Maio de 2004, da Ordem da Instrução Pública, pelo, então, Presidente da República Jorge Sampaio.

Mas o maior prémio foi sempre ver reconhecida a afirmação dos valores da esquerda, o seu interesse pela cultura, pela arte e pela educação, a vontade que todos tinham da sua presença e a clarividência do discurso, invocando sempre os valores de Abril, para justificar os seus actos.

Fonte: “FENPROF – Federação Nacional de Professores”

Fonte: “SPZC – Sindicato dos Professores da Zona Centro”

Francisco Pulido Valente, destacado oposicionista à ditadura, foi um dos maiores nomes da Medicina Portuguesa do seu tempo, tendo deixado obra notável. Aqui recordado no dia em que passa mais um aniversário sobre o seu nascimento.

 

Pulido ValenteFRANCISCO PULIDO VALENTE, Médico, Professor e Político, natural de Lisboa, nasceu na Praça dos Restauradores nº 33, nasceu a 25-12-1884 e faleceu a 20-06-1963. Era filho de Maria Bela Pulido Valente e de Francisco Manuel Valente. Frequentou o Liceu da Regaleira (actual sede da Ordem dos Advogados).

Destacado oposicionista à Ditadura, foi um dos maiores nomes da medicina portuguesa, deixando obra notável.

Assim como se destacou como modernizador do ensino médico em Portugal, também se destacou como opositor à Ditadura do Estado Novo, ao regime de Salazar. Assumiu sempre uma postura de total oposição ao Estado Novo, à Ditadura de Salazar, tendo sido afastado do serviço e aposentado compulsivamente em 1948, vítima da ofensiva do Ditador contra a Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1947.

Em 1904, fez parte, juntamente com Álvaro de Castro, Campos Lima, Carlos Amaro, Câmara Reis, Tomás da Fonseca e muitos outros, do corpo redactorial da revista Mocidade, em cujo nº1 da primeira série, com data de 1 de Novembro, tinha então 20 anos incompletos, publicou o artigo Geração Nova.

Em 1907, foi um dos cabecilhas da greve académica, juntamente com o seu cunhado, Lúcio Pinheiro dos Santos, os seus amigos Ramada Curto e os irmãos Américo e Carlos Olavo, durante a ditadura de João Franco.

Em 1909 formou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa com a tese “Introdução ao Estudo da Histeria”. Após a formatura, adquiriu uma sólida formação teórica e prática, estagiando em vários serviços.

Em 1912 iniciou o Ensino Universitário como Assistente de Psiquiatria. Pouco depois realizou investigações sobre Etiologia e a Patogenia da Paralisia Geral, que tiveram repercussão além-fronteiras. Em 1920 assumiu, como Professor Catedrático., a regência da cadeira de Clínica Médica, tornando-se o expoente em Portugal da Medicina Interna.

Em Junho de 1947 é demitido do lugar de Professor por decisão do Conselho de Ministros de 14 de Junho, Diário do Governo nº 138, 1ª série de 18 de Junho. Em Agosto é colocado na inactividade permanente aguardando aposentação.

No dia 25 de Março de 1948 é publicada em Diário do Governo, com o número 70, a sua aposentação compulsiva.

Deu largo contributo para a valorização em Portugal do método cintífico de análise no estudo da fisiopatologia. Alguns estudos que publicou: “A Etiologia e a Patologenia da Paralisia Cerebral”, “Sur la Poliomyélite Myoclonique”, “A Teoria da Circulação Normal e Patológica”, e “Bases Teóricas de Electrocardiografia Clínica”.

Médico dos Hospitais Civis de Lisboa, em 1914, alistou-se no C.E.P. (Corpo Expedicionáro Português) durante a primeira Guerra Mundial, diringindo um serviço de Medicina em França (1917-1919).

Empreendeu a dífícil tarefa de actualização do nosso meio profissional, obra ingente que a sua poderosa inteligência e cultura lhe permitiu realizar.

A brilhante carreira académica de Francisco Pulido Valente foi assinalada por numerosos prémios e distinções, entre os quais se contam os seguintes: Accesit na cadeira de Histologia; Accesit na cadeira de Patologia Interna; Accesit na cadeira de Anatomia Patológica; Accesit na cadeira de Patologia ExternaM Accesit na cadeira de Clínica Cirúrgica; Prémio Escolar na cadeira de Matéria Médica; Prémio Alvarenga na cadeira de Obstetrícia, Prémio Alvarenga na cadeira de Clínica Médica; Dezanove valores na Tese inaugural; Escolhido, em 1917, pela Direcção do Instituto Câmara Pestana para pensionista de Patologia Médica no estrangeiro.

Apoiou, com desassombro, a resistência antifascistas e o MUD, fundado em Outubro de 1945. Já doente, ainda participou, na comissão de honra da candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República, em 1958.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada; Lisboa (Freguesia de Telheiras, Edital de 27/02/1978, ex-Rua 1 da Zona de Telheiras); Odivelas; Oeiras (Freguesia de Linda-a-Velha); Seixal (Freguesia da Amora); Setúbal; Sintra (Freguesia de Massamá).

Fonte: “Médicos na Toponímia de Lisboa”, (de Luís Silveira Botelho, Edição da Câmara Municipal de Lisboa, 1991, Pág. 157 e 158)

Fonte: “A Perseguição aos Professores – Estado Novo e Universidade” (de Fernando Rosas e Cristina Sizifredo, Editora Tinta da China, 1ª Edição, Setembro de 2013, Pág. 105 e 106).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 517).

Amílcar Boticas, um Actor esquecido, recordado no dia em que, se fosse vivo, faria 86 anos de idade.

 

AMÍLCAR BOTICAS, Actor, nasceu na Freguesia de Alhandra (Vila Franca de Xira), a 24-12-1931, e faleceu em Lisboa, a 28-01-1993. Com 18 meses de idade vai com os pais para os Açores de onde só regressa em 1939. Fixando-se em Lisboa. Aqui frequenta a Escola Primária e depois a Escola Industrial Machado de Castro e a Escola Comercial Veiga Beirão, esta última em regime nocturno porque, entretanto, a partir dos 13 anos começa a trabalhar.

Em 1951 conhece a sua primeira experiência teatral ao fazer, no Teatro Experimental de Lisboa, Roberto e Melisandra, de Tomás Ribas, sob a direcção de Pedro Bom.

Em 1955 vai para Moçambique, primeiro trabalha no funcionalismo público, depois no sector privado, em actividades longe do teatro.

Em 1963, com Mário Barradas, é um dos fundadores do Teatro de Amadores de Lourenço Marques (TALM), onde, até 1967, irá interpretar várias peças: Aniversário do Banco, de Techkhov; História do Jardim Zoológico, de Edward Albee; O Que Diz Sim, O Que Diz Não, de Brecht, entre outras. É por esta altura que também a sua primeira experiência cinematográfica em Catembe, de Faria de Almeida.

Volta para Portugal em 1967 e decide profissionalizar-se como Actor. Depois de uma passagem pelo Teatro Experimental de Cascais para Os Dois Verdugos, de Arrabal (encenação de Carlos Avilez), ingressa na Companhia Teatro Estúdio de Lisboa, sediada no Teatro Vasco Santana. Aí, sempre em encenações de Luzia Maria Martins, interpreta: 1969, As Mãos de Abraão Zacut, de Luís Sttau Monteiro; 1970, Vítor ou as Crianças no Poder, de Roger Vitrac; Quem é Esta Mulher, de Marguerite Duras; Lar, de David Storey; 1971, A Cozinha, de Arnold Wesker; Um Sonho, de Augusto Strindberg; 1972, A Outra Morte de Inês, de Fernando Luso Soares. Ainda em 1972 Amílcar Botica transfere-se para o palco do Teatro Laura Alves, onde fez Freud, O Princípio e o Fim, de Terence Rattigan, Pluff o Fantasminha, de Maria Clara Machado. Em 1973 está nos Bonecreiros para A Comédia Mosqueta, de Ruzante (estrada nos Bombeiros Voluntários Lisbonenses), encenação de Mário Barradas, após o que passa ao Teatro Villaret para O Ovo, de Felicien Marceau, e ao Teatro Monumental para A Pedra no Sapato, de Feydeau. Em 1974, por causa de um acidente de viação e suas sequelas, Amílcar Botica tem uma interrupção forçada na actividade, só retomada em 1978, no Grupo de Teatro Hoje, com Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira/Gastão Cruz, (encenação de Gastão Cruz), no Teatro da Graça, e A Estalajadeira, de Goldoni (encenação de Carlos Fernando), em 1979.

Depois desta data passou pela Cornucópia, Teatro Popular, Teatro da Trindade, etc. Amílcar Botica é um dos fundadores do Novo Grupo de Teatro. Para além do teatro, Amílcar Botica, tem também larga actividade na Televisão (lembremos a telenovela Origens, várias séries como A Tragédia da Rua das Flores e teatro) e na Rádio, em peças e folhetins. Também no cinema teve muita actividade.

Fonte: “Dicionário do Cinema Português 1962-1988” (Jorge Leitão Ramos)

Mário Botas, o Pintor Médico, aqui recordado no dia em que, se fosse vivo, faria hoje 65 anos de idade.

 

Mário BotasMÁRIO Ferreira da Silva BOTAS, Pintor e Médico, nasceu na Nazaré, a 23-12-1952, e faleceu em Lisboa, a 29-09-1983. Realizou os Estudos Primários e Secundários na Nazaré. Em 1970, ingressou na Faculdade de Medicina de Lisboa, obtendo a licenciatura, com distinção, em 1975.

Quase não chegou a exercer medicina já que, em 1977, surpreendido pela leucemia, decidiu dedicar-se inteiramente à Pintura. O seu interesse pela Pintura e a ligação a pintores estrangeiros, com que habitualmente convivia, assim como a busca de uma cura para a sua doença, levaram-no a Nova Iorque onde, em 1978, realizou uma exposição.

Em 1980, regressou a Lisboa continuando a realizar exposições individuais e colectivas, o que desde 1971 fazia regularmente. Em 1993, pouco antes da sua morte anunciada, fundou a Casa-Museu Mário Botas.

A sua obra caracteriza-se por conter referências literárias em muitos trabalhos, desenvolvidos sobretudo nas áreas do desenho e da aguarela. Almeida Faria, Mário Cláudio, Vasco Graça Moura e António Osório foram os escritores, seus contemporâneos, a que a sua obra mais ficou ligada.

Os universos de Edgar Allan Poe, Baudelaire e Fernando Pessoa serviram-lhe para criar um mundo próprio, povoado de fantasmagorias e assombrações, que muitas vezes envolvia auto-retratos que concebia sistematicamente. Expôs em vários países, como França, Japão, EUA e Reino Unido. “Os Passeios de Um Sonhador Solitário” 81982), de Almeida Faria e “Décima Aurora” (1982), de António Osório são dois dos livros em que colaborou. Em 1988, foi publicado postuamente “Spleen”. Em 1999, o Centro Cultural de Belém organizou uma exposição em que exibiu grande parte da sua obra, acompanhada de um catálogo que reproduz os seus trabalhos.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Lisboa (Freguesias de Marvila e Oriente); Matosinhos (Freguesia da Senhora da Hora); Seixal 8Freguesia de Corroios); Sintra (Freguesia de Massamá).

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 97).