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A Revolta do 31 de Janeiro de 1891, foi há 125 anos

 

A Revolta do 31 de Janeiro de 1891, foi uma consequência do “Mapa Cor-de-Rosa” e uma preparação para a implantação da República.

Aqui ficam alguns dados históricos e os nomes de alguns heróis e vítimas dessa revolta.

A Foto representa o momento em que Alves da Veiga fazia a proclamação da República.

 

Alves da VeigaLevantamento de uma parte da guarnição da Cidade do Porto na madrugada de 31-01-1891, o qual, conduzida com ininteligente sentimentalismo e muita ilusão acerca dos apoios com que podia contar, foi facilmente subjugada por forças da Guarca Ncional Municipal.

A revolta resultou da agitação suscitada no País contra a Inglaterra e contra a maneira como decorreram as negociações com ela a respeito de territórios africanos, agitação que veio a ser desviada contra a Monarquia, apontada pelos mais exaltados como responsável das injustiças e humilhações que Portugal sofrera.

Como se sabe, o desenvolvimento da grande indústria provocou, em alguns Estados da Europa, onde ocorreu, problemas político-sociais particularmente graves. Ao passo que no interior desses Estados, a difusão da grande indústria criou grandes massas de operários impulsionadas por tendências revolucionárias e por ideias socialistas, na ordem internacional ela suscitou, para abrir mercados às produções vultuosas, uma política de expansão colonial.

A partir de 1887 realizaram-se grandes explorações no Continente Africano. No meio dessas ambições territoriais, os Portugueses pensaram em defender a posse daquilo sobre que estavam convencidos de ter direitos históricos. Assim sucedeu em relação à bacia do Zaire. Os Ingleses disputavam-nos a sua posse, apoiados por Belgas, Franceses e Alemães. A acção de diversas missões, expedições e associações gerou uma luta de reivindicações territoriais.

Para definir os direitos reclamados por uns e por outros, reuniu-se, por iniciativa de Bismark, uma Conferência Internacional em Berlim (de 15-11-1884 a 26-02-1885), de que saíram as seguintes conclusões: a) – a liberdade comercial absoluta na bacia do Zaire; b) – a liberdade de navegação no Niger; c) – a atribuição da margem esquerda do Zaire e do seu hinterland à Associação Internacional Africana, fundada por Leopoldo II da Bélgica, criando-se o Estado Livre do Congo, declarado propriedade pessoal daquele soberano; d) – a formulação do princípio da necessidade de ocupação efectiva para a posse legítima de um território africano.

Pouco depois da Conferência de Berlim, o governo inglês, presidido por Lord Salisbury, invocava este último princípio num Memorandum ao nosso governo, afirmando que a Inglaterra não reconheceria a posse portuguesa de quelaquer território sobre que não tivessemos soberania e ocupação efectivas, com força suficiente para manter a ordem ente os indígenas e fazer respeitar os direitos dos estrangeiros. Fácil foi aos ingleses provocar incidentes que lhes dessem pretextos para a ocupação de territórios em nome do tal princípio. Foram, pois, tratando de se expandir até à fronteira de Moçambique, bloqueando por todos os lados as repúblicas boers.

Um inglês que viera para o Cabo restabelcer a sua saúde, Cecil Rhodes, concebeu o grandioso projecto de um império africano inglês que fosse do Cabo até ao Cairo. Para isso criou a Companhia Majestática da África do Sul (Outubro de 1889), a qual, aprovada pelo governo inglês, empreendeu a anexação das regiões ao Norte do Transval, na bacia do Zambeze, que os portugueses consideravam suas. Fácil foi aos compatriotas de Cecil Rhodes arranjar pretextos apar abrir um conflito e para enviar ao nosso governo o célebre ultimatum de 11-01-1890, a que se seguiu o tratado de 20 de Agosto, pelo qual não só se confirmava a perda de tudo que, de facto, já foramos forçados a abandonar pelo ultimatum, mas ainda desistiamos de direitos e territórios não contestados ao Norte e ao Sul do Zambeze, ao passo que abriamos, pela cláusula da liberdade de propaganda religiosa, de comércio e de navegação, um novo campo à acção britânica.

Perante tudo isso, a agitação foi crescendo na opinião pública portuguesa, ao mesmo tempo que se fundia a ideia de que a responsável de tudo era a instituição monárquica.

Guerra Junqueiro deu expressão eloquente a tal estado de espírito nos poemas Finis Patrie e Caçador Simão; João Chagas fundou no Porto um jornal republicano, intitulado República Portuguesa, em que se propôs demolir, com grande truculência de linguagem, a instituição monárquica, alvejando o rei como sobrinho da Rainha Vitória, bem como da Inglaterra, país que apresentava como aliado dos Braganças, não de Portugal.. A «Portuguesa» ouvia-se como canção anti-monárquica. Contra a realeza publicava artigos violentos o jornal Pátria, ao passo que o diário republicano O Século se tornara um grande órgão de imprensa.

Na Universidade de Coimbra um grupo de académicos (Afonso Costa, António José de Almeida, João de Meneses e outros) entendiam-se com os seus colegas de Lisboa, onde se preparava tudo para que vencessem nas eleições três nomes republicanos: Latino Coelho, José Elias Garcia e Manuel de Arriaga.

A República Portuguesa, de João Chagas, tinha como auxiliar um semanário, O Sargento, que agitava a classe dos Oficiais inferiores. João Chagas tornara-se o paladino da comspiração republicana no Porto, de que era chefe civil o Dr. Alves da Veiga; mas o principal elemento conspiratório foi Santos Cardoso, redactor de uma folha intitulada A Justiça Portuguesa.

Em consequência de um artigo mais ousado, enncarceraram o jovem João Chagas na Relação do Porto, nas vésperas da data marcada para o levantamento. Os verdadeiros impulsionadores da acção eram os Sargentos.

Contamdo com apoios sentimentais que estavam longe de ser capazes de se converter em auxílios eficazes, na madrugada de 31 de Janeiro saíram dos seus quartéis o Batalhão de Caçadores nº 9, das Taipas; Infantaria nº 10, da Torre da Marca, e várias praças de Infantaria e Cavalaria da Guarda Fiscal. Só tinham como Oficiais o Capitão Amaral Leitão e o Tenente Manuel Maria Coelho. Caçadores nº 9 pusera-se em marcha apenas sob o comando de um Sargento. Ao passar por diante do posto da guarda da cadeia da Relação, o seu comandante, Alferes Malheiro (republicano, mas não aliciado), ante o convite insistente dos seus subordinados assumiu o comando do Regimento.

As forças revoltadas concentraram-se no Campo de Santo Ovídio, onde tentaram em vão trazer para a rua o Regimento de Infantaria nº 18. Desistindo finalmente do intento e sem plano algum de natureza militar, sme sombra de previdência, a coluna dos rebeldes desceu a extensa rua do Almada, entre cantos e aclamações, e desembocou na Praça Nova, para ali proclamar a República nos Paços do Concelho.

Das janelas do edifício foram então lidos pelo Actor Verdial os nomes dos que se fantasiou poder apresentar como membros do Governo provisório. Com excepção de Alves da Veiga, chefe civil da conspiração, e do General Correia da Silva, indigitado caudilho militar da revolta, os indivíduos designados (os Professores Rodrigues de Freitas, Azevedo de Albuquerque e Morais Caldas, o Dr. José Ventura dos Santos Reis, o Desembargador Joaquim Bernardo Soares e o banqueiro Licínio Pinto Leite) não tinham sido ouvidos sobre o assunto, e puderam com veracidade e honradez repudiar qualquer responsabilidade na tentativa.

Tendo-se procedido àquela cerimónia e distribuição uma leve refeição à tropa, em jejum desde a madrugada, ocorreu aos chefes que convinha assonhearem-se do Telégrafo; reorganizou-se o cortejo e começaram a subir a Rua de Santo António, em direcção à Batalha. A Guarda Municipal, que até ali seguira os rebeldes à espera de momento oportuno para intervir, entrincheirara-se no escadório da Igreja de Santo Ildefonso e d elá espingardeou os insrttectos. Soldados e populares debandaram como uma cachoeira e pela rua abaixo, apenas se mantendo o Alferes Malheiro e a sua linha de atiradores. Alguns foram concentrar-se no edifício da Câmara Municipal

Ao fim de cerca de hora e meia de combate (das oito às nove e meia da manhã) os revoltosos que não tinham debandado desceram em boa ordem a rua até à Praça Nova.Às dez e um quarto, a Guarda Municipal, depois de concentrada na Batalha, torneou pela rua do Loureiro e veio a atacar os que haviam refugiado na Câmara, em número de uns 300.

Alves da Veiga conseguiu escapar disfarçado em poveiro, e foi residir em Paris. Organizaram-se tribunais militares em Leixões. Foram condenados a degredo os chefes civis e militares, os Sargentos, Cabos e muitos Soldados, bem como João Chagas, que estava preso na Relação, mas como foi considerado como agitador e responsável (quatro anos de cárcere, ou seis no Ultramar), José Pereira de Sampaio (Bruno) e o Advogado António Claro acharam asilo em espanha, de onde este último partiu para o Brasil. Santos Cardoso foi condenado em quatro anos de Penitenciária e quinde de degredo; o Capitão Leitão, a seis anos de prisão e vinte de degredo; o Tenente Coelho, a cinco anos em possessão de primeira classe. Verdial e o Cabo Galileu cumpriram três anos. O Aspirante a Médico Naval eduardo de Sousa, Felizardo Lima, Aloinho Lopes e Ferreira da Costa foram condenados a dois anos de prisão correccional. Os Sargentos Abílio e Galho, a seis anos de reclusão ou nove de degredo; e o Cabo Salomé, da Guarda Fiscal, a quatro de prisão e oito de deportação, ou quinze no Ultramar.

Outros – Músicos, Sargentos, Cabos, Soldados, sofreram penas menores. O Alferes Malheiro conseguiu fugir para Espanha, de onde passou para o Brasil.

O nome de 31 de Janeiro faz parte da Toponímia de: Abrantes; Alcácer do Sal (Vila de Alcácer e Freguesia do Torrão); Alcochete; Aljustrel; Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Amarante; Aveiro (Cidade de Aveiro e Freguesias de Cacia e Eixo); Barreiro (Cidade o Barreiro e Freguesia de Santo António da Charneca); Beja; Benavente (Freguesias de Benavente e Samora Correia); Braga; Caldas da Rainha; Caminha (Freguesia de Vila Praia de Âncora); Cascais (Freguesia da Parede); Castelo de Paiva; Celorico da Beira; Coimbra (Freguesia de São João do Campo); Entroncamento; Esposende; Estremoz; Évora (Cidade de Évora e Freguesias da Azaruja e Nossa Senhora de Machede); Fafe; Felgueiras (Freguesias de Rande e Unhão); Figueira da Foz; Funchal; Gondomar (Freguesias de Gondomar e Valbom); Guarda; Guimarães (Freguesias de Brito e Caldas das Taipas); Leiria; Loures (Freguesias de Camarate e Santa Iria de Azóia); Lousada (Freguesia de Boim); Maia; Matosinhos (Freguesia de Perafita); Mira (Freguesias de Carapelhos e Mira); Moimenta da Beira (Freguesias de Leomil e Moimenta da Beira); Montemor-o-Novo); Mora (Freguesia de Cabeção); Murça; Nazaré; Nisa; Oeiras (Freguesias de Barcarena e Porto Salvo); Olhão; Ovar (Freguesias de Esmoriz e Ovar); Palmela; Pombal; Ponte de Lima; Portalegre; Porto; Póvoa de Varzim; Povoação (Freguesia da Ribeira Quente); Salvaterra de Magos; Santa Maria da Feira (Freguesias de Fiães e Lourosa); Santarém (Cidade de Santarém e Freguesias de Tremês e Vale de Santarém); Santo Tirso; Seixal (Freguesias de Amora, Corroios, Fernão Ferro e Seixal); Sdesimbra (Vila de Sesimbra e Freguesia da Quinta do Conde); Setúbal; Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins e Queluz); Sobral de Monte Agraço; Tavira; Trofa (Freguesia de São Romão do Coronado); Valongo (Freguesia de Alfena); Vila do Conde (Freguesia de Aveleda); Vila Franca de Xira (Freguesia do Forte da Casa); Vila Nova de Famalicão; Vila Nova de Gaia; Vila Real; Vila Viçosa (Freguesia de Bencatel); Viseu.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 32, Pág. 886, 887 e 888)

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Alice Cruz, Jornalista e Locutora da RTP, se fosse viva, faria hoje 76 anos de idade

 

Aqui fica uma pequena homenagem à popular Locutora da RTP

 

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Maria ALICE Amorim CRUZ, nasceu na Póvoa de Varzim, a 30-01-1940, e faleceu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de um atropelamento, próximo de Sobral de Monte Agraço, a 10-06-1994. Partiu muito cedo para Angola com os pais. Tinha apenas 9 anos de idade quando participou num programa infantil na Rádio Clube de Angola a dizer um poema de Fernando Pessoa. A seguir vieram a Rádio Ecclesia e logo depois a Emissora Oficial de Angola.

O destino de Alice Cruz estava marcado quando em 1963, recebeu o convite da RTP, para fazer Televisão. Estreou-se em 1970, com Ana Zanatti e Linda Bruingel em “A Hora de Almoço”, um programa de informação com rubricas recreativas e de divulgação.

Dois anos depois apresentava “Domingo à Noite”, gravado no Teatro Maria Matos, com números musicais, bailado e números de humor. Ao seu lado estiveram nomes já formados como Henrique Mendes, Eládio Clímaco e Maria Margarida. Ainda em 1972, apresentou, com Carlos Cruz, o Festival RTP da Canção.

Em 1973 foi a vez de um programna de entrevistas chamado “No tempo em que você nasceu”, ao lado de Artur Agostinho. Outros programas a que o nome de Alice Cruz ficou ligado, foram, por exemplo, “Sete Folhas”, apresentação da programação semanal ao fim da tarde dos Sábados; “Directíssimo”, “Pontos cde Vista”; “Jogos Sem Fronteiras”, e, vários concursos.

Para além da televisão, Alice Cruz também colaborou com os Parodiantes de Lisboa, com a Antena 1 onde apresentou Felizmente há Domingos, com o jornal Tal & Qual onde assinava a rubrica «Querida Alice» e, de 1988 a Maio de 1991 acumulou as funções de Locutora com as de Directora da revista feminina Guia.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Lisboa (Freguesia de São Domingos de Benfica, Edital de 17-02-1995); Odivelas; Póvoa de Varzim.

Fonte: “Revista Tempo Livre”, (Fundação Inatel, Junho de 2012, Pág. 47)

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

Armandinho (Armando Augusto Salgado Freire), Guitarrista e Compistor, na Toponímia da Capital

 

O Fado não é só o interprete, antes da interpretação, alguém o escreveu e o musicou e, durante a interpretação, existe sempre alguém a fazer o acompanhamento. No entanto, sempre que ouvimos cantar o Fado, na Rádio ou na Televisão, muito raramente, ouvimos falar de quem o escreveu, compôs e acompanhou.

Aqui ficam alguns dados biográficos de um grande Guitarrista e Compositor que figura na Toponímia de Lisboa por proposta minha (32)

 

Marvila 1338Armando Augusto Salgado Freire, de seu verdadeiro nome, ARMANDINHO, como sempre foi conhecido, Guitarrista e Compositor, nasceu em Lisboa, no Pátio do Quintalinho, à Rua das Escolas Gerais, a 11-10-1891, e faleceu na Travessa das Flores, nº 8-1º, ao Campo de Santa Clara, a 21-12-1946. Guitarrista e Compositor. Um dos expoentes máximos da guitarra no Século XX, reconfigurou o estilo interpretativo do instrumento no âmbito do fado, quer no desempenho solista, quer no acompanhamento.

Nos anos 20 desempenhou diversas profissões como sapateiro, moço de bordo, operário na Companhia Nacional dos Fósforos e fiscal do Mercado da Ribeira. Só mais tarde conseguiu dedicar-se exclusivamente ao Fado. Foi uma figura de importância sem igual na evolução do fado em Portugal.

Actuou em contextos diversificados tais como tabernas, associações recreativas, salões familiares da alta sociedade lisboeta (Burnay, Fontalva, Castelo Melhor), teatros (Coliseu dos Recreios de Lisboa, Teatro Apolo, Teatro Maria Vitória, Teatro Politeama), e, a partir da segunda metade da década de 20, espaços de performação de fado (Solar da Alegria, Ferro de Engomar, Retido da Severa).

Ao longo das décadas de 20 e 30, formou vários grupos de performação de fado com destaque para o duo com Georgino de Sousa (viola), o Duo Guitarra de Portugal, com João da Mata Gonçalves (viola), o Grupo Artístico de Fado, com João da Mata (guitarra), Martinho d’Assunção (viola), Madalena de Melo e Berta Cardoso (voz), e o Grupo Típico de Guitarras com José Marques e João da Mata (guitarras), Santos Moreira e Alberto Correia (viola) (1927, 1928, 1933 e 1935).

Em 1930, a parceria com Georgino de Sousa estendeu-se à gestão do Salão Artístico de Fados, no Parque Mayer.

Aclamado por músicos e público, desde 1926 foi contratado por várias empresas discográficas, algumas delas rivais, para efectuar registos fonográficos e para angariar outros artistas proeminentes para integrarem os seus catálogos. A primeira gravação foi efectuada em 1926 pela Columbia Records, representada pela Valentim de Carvalho, integrando solos para guitarra com o acompanhamento de Goergino de Sousa à viola.

Verdadeira ponte entre duas concepções do fado, o Século XIX, com a sua conotação marginal e trágica e o Século XX com a popularização do género finalmente abraçado pelo grande público, deveu-se um notável trabalho de fixação de melodias e toda uma nova maneira de abordar a guitarra portuguesa.

Armandinho viveu de perto os anos da popularização do fado e foi discípulo de Petrolino, pelo qual ficou conhecido o guitarrista setubalense Luís Carlos da Silva, que fizera parte do sexteto de João Maria dos Anjos, reconhecido como o maior expoente do instrumento no Século XIX.

No início do Século XX, como nota Ruben de Carvalho no seu livro «As Músicas do Fado» levaram à vedetização dos cantadores e cantadeiras de fado veio de certa maneira subalternizar os guitarristas, que passaram de solistas virtuosos a meros acompanhantes. Armandinho inverteu essa tendência, ao adaptar a sua técnica a cada um dos fadistas que acompanhava, entrava como se fosse em diálogo com os cantores, sublinhando ou reforçando as suas características pessoais. Assim, sem se sobrepor aos fadistas, Armandinho devolvia à guitarra um papel proeminente no fado, impondo lentamente, com toda uma nova geração que seguia os seus passos, como Martinho d’Assunção, seu companheiro e, quase 20 anos mais novo, um novo estilo de acompanhar fado que continua nos nossos dias. Mas não foi esta a única inovação que Armandinho trouxe ao fado. Como um dos membros fundadores, em 1927, da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, antecessora da SPA (Sociedade Portuguesa de Autores). Armandinho responsabilizou-se pela recolha de inúmeras melodias da tradição fadista e pela creditação dos seus autores naquela Sociedade, trabalho paciente que hoje nos permite conhecermos muitas das composições mais antigas do género. Acompanhou muitos dos maiores fadistas portugueses da primeira metade do Século XX, e, por sua iniciativa muitos deles se inscreveram na SECTP, entre os quais Alfredo Marceneiro. Armandinho foi também empresário do Salão Artístico de Fados, inaugurado em 1930 no Parque Mayer, e gravou poucos discos, insuficientes, infelizmente para que hoje o seu talento seja devidamente admirado, pois são anteriores à popularização do disco.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Lisboa (Freguesia de Marvila, Edital de 01-08-2005*); Odivelas (Freguesia da Ramada).

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 46 e 47)

Fernando Farinha “O Miúdo da Bica”,na Toponímia do Barreiro e de Lisboa

 

Fernando Farinha, figura na Toponímia do Barreiro e na de Lisboa, por proposta minha. (31)

 

Marvila 1334FERNANDO Tavares FARINHA, Fadista, nasceu no Barreiro, a 20-12-1928, e faleceu em Lisboa, a 12-02-1988. Aos 8 anos de idade, veio para Lisboa com a família, que se fixou no Bairro da Bica. Aos 7 anos de idade já cantava, tendo vencido vários concursos de fados para crianças na Verbena dos Paulistas (Verbena da Poeira), tornando-se, a partir de então, conhecido por Miúdo da Bica.

Em 1935 foi mascote da Marcha da Bica e participou na cegada Amor de Pai. Actuou nas revistas Boa Vai Ela (Teatro Maria Vitória) e Os Magalas (Teatro Apolo) e gravou o seu primeiro disco com os temas Sempre Linda e Meu Destino. Surgiu, depois, a cantar, contratado pelo empresário José Miguel, no Café Mondego, Café Latino, Retiro da Severa, Solar da Alegria e Café Luso em que foi acompanhado por Jaime Santos (guitarra) e Miguel Ramos (viola).

Em 1940 exibiu-se em espectáculos dos Serões para Trabalhadores, da FNAT (actual Inatel), e, já em 1948, participa em espectáculos fora de Lisboa, deslocando-se em 1951 ao Brasil. No regresso actua na Adega Mesquita, onde permanece dez anos. Passara a residir em Campo de Ourique (Rua Maria Pia) e sente-se com veia poética começando a escrever as letras dos seus fados, que seriam musicados por Alberto Correia, pelos maestros Joaquim Luís Gomes e Ferrer Trindade, por Carlos Dias e Artur Ribeiro. Mas ele próprio se revelaria inspirado compositor.

Em 1955 comemorou as «bodas de prata» da sua carreira artística com um espectáculo no Coliseu dos Recreios em que foi premiado com a «Guitarra de Prata». Em 1957 o Rádio Peninsular atribuiu-lhe o galardão de a «Voz mais portuguesa de Portugal» e em 1962 é coroado «Rei da Rádio Portuguesa» numa festa organizada no Eden-Teatro. Um ano depois recebe o «Óscar» para o melhor fadista no festival realizado no Pavilhão dos Desportos (actual Pavilhão Carlos Lopes), protagoniza o filme O Miúdo da Bica de Constantino Esteves e colabora com Luís Sttau Monteiro nos diálogos de A Última Peça, que também protagoniza.

Em 1965 é convidado a actuar em Paris, para os emigrantes portugueses e no mesmo ano deslocou-se ao Canadá e Estados Unidos da América onde voltou posteriormente devido ao êxito ali alcançado. Nas décadas seguintes será sobretudo para as comunidades emigrantes da Europa e da América do Norte que Fernando Farinha actuará, fazendo espectáculos na Bélgica, França, Alemanha, Estados Unidos e Canadá.

Em 1966 vai aos Estados Unidos da América acompanhado por Fernando Freitas e em 1970 realiza uma tournée pela Bélgica, França, Inglaterra, Alemanha, África do Sul, Brasil e Argentina. Entre os fados da sua autoria mencionam-se Mãe Há Só Uma, Ciumenta, Menina do Rés-do-Chão, Quero-te Mais do Que à Vida, Eu Ontem e Hoje, Um Fado à Marceneiro. Um Fado à Juventude, Um Copo Mais Um Copo e Belos Tempos.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia do Laranjeiro), Barreiro (Freguesia de Santo António da Charneca*), Lisboa (Freguesia de Marvila, Edital de 01-08-2005*), Loures (Freguesia de Unhos), Odivelas (Freguesia da Ramada), Seixal (Freguesia de Arrentela), Vila Franca de Xira (Freguesia de Vialonga).

Fonte: “Museu do Fado”

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 2º Volume, C-L, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Fevereiro de 2010, Pág. 461 e 462)

José António Marques, fundador da Cruz Vermelha Portuguesa, nasceu há 194 anos

 

Todos nós conhecemos a Cruz Vermelha Portuguesa, instituição prestigiadíssima, mas pouco saberão quem foi o seu fundador. Aqui ficam alguns dados biográficos.

 

José António MarquesJOSÉ ANTÓNIO MARQUES, Médico e Militar, natural de Lisboa, nasceu a 29-01-1822 e faleceu a 08-11-1884. Filho de António Emídio Marques e de Catarina d’Assunção Marques. Concluiu, aos vinte anos de idade, o curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, Médico Militar, exerceu as funções de Cirurgião-Ajudante para Caçadores 30 e Cirurgião de Brigada (1852). Desempenhou várias ocupações burocráticas no Ministério da Guerra.

Doutor em Medicina, Cirurgia e Partos pela Universidade de Bruxelas (1859). Representou Portugal no Congresso Oftalmológico de Bruxelas (1857) e na Sociedade Universal de Oftalmologia de Paris (1862).

Redigiu durante anos (1843-1869) o jornal dos facultativos militares, que a partir do 7º ano foi continuado pelo “Escholiaste Médico”. Foi Presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa (1850).

Em 11 de Fevereiro de 1856 organizou a Comissão Portuguesa de Socorros a feridos e doentes militares em tempo de guerra, primeiro título usado pelas Sociedades da Cruz Vermelha, de que é considerado fundador em Portugal.

Pelos serviços prestados ao País e ao Exército foram conferidas a este célebre Médico, fundador e primeiro Secretário-Geral da Cruz Vermelha Portuguesa, várias condecorações de que se destacam a Comenda da Ordem Militar de São Bento de Aviz, Grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Cavaleiro das Ordens de Leopoldo da Bélgica e de Carlos III de Espanha.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Barreiro; Lisboa (Freguesia da Estrela); Portimão; Porto.

Fonte: “Médicos na Toponímia de Lisboa”, (de Luís Silveira Botelho, Edição da Câmara Municipal de Lisboa, 1992, Pág. 101 e 102)

O Pintor Mário Eloy na Toponímia de Cascais

 

Mário Eloy o Pintor na Toponímia de Cascais, por proposta minha (30)

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MÁRIO ELOY de Jesus Pereira, Pintor, nasceu em Algés (Oeiras), a 15-03-1900, e faleceu no Telhal (Sintra), a 05-09-1951. Filho de Mathilde Pinto Eloy de Jesus Pereira e de António Augusto Pereira. Do pai, Ourives de profissão, herdou o gosto pela arte cénica, rapidamente substituído por outras formas de expressão artística.

Frequentou o o Liceu Passos Manuel e em 1913 inscreveu-se na Escola de Belas-Artes de Lisboa. Cedo se desapontou com o ensino ali ministrado e em 1915 abandonou a instituição. Autodidacta de formação, é figura marcante da segunda geração modernista.

Fez estudos em Lisboa, Madrid, Paris e Berlim. Obcecado pelo que ele julgava uma surda hostilidade do meio, exprimia-se em formas duras, sumárias, quase agressivas. Teve grande ligação com o expressionismo germânico, completada com permanência e exposição em Berlim, onde se casou e permaneceu de 1927 a 1932. Dele se conserva alguma pintura, de que são de salientar notáveis auto-retratos e um importante conjunto de desenhos, documento impressionante de uma biografia agitada por sucessivas crises interiores, que vieram a culminar no seu internamento no Telhal em 1945, onde acabou por falecer.

Obteve o Prémio Sousa Cardoso em 1935. Encontra-se representado no Museu de Arte Contemporânea e no Museu da Fundação Gulbenkian.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Cascais (*); Lisboa (Freguesia do Lumiar); Loures (Freguesia de Santo António dos Cavaleiros); Oeiras (Freguesia de Algés); Seixal (Freguesias de Fernão Ferro e Seixal); Sesimbra (**); Sintra (Fregueisa de Rio de Mouro).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 198 e 199).

O Escritor Vergílio Ferreira, se fosse vivo, faria hoje 100 anos

 

Vergílio Ferreira, um dos maiores Escritores portugueses de todos os tempos, para mim, que gosto muito das suas obras, foi, mesmo, o maior, depois de Eça de Queirós.

Vergílio FerreiraVERGÍLIO António FERREIRA, Escritor e Professor, nasceu na Freguesia de Melo (Gouveia), a 28-01-1916, e faleceu em Lisboa a 02-03-1996. Filho de António Augusto Ferreira e de Josefa de Oliveira. Passou a maior parte da sua infância com as tias maternas, devido á emigração dos pais para os Estados Unidos. Aos dez anos de idade ingressou no Seminário do Fundão, que abandonou em 1932, tempo cuja má recordação, segundo o próprio, só se desfez após a escrita cartártica de »Manhã Submersa« (1954).

Depois de deixar o Seminário, acabou o Curso Liceal no Liceu da Guarda e entrou, em 1936, para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se formou em Filologia Clássica, em 1940. Dedicou-se inicialmente á poesia, que, embora nunca tenha publicado, nunca abandonou, como o prova o lirismo da sua prosa. Em 1939, escreveu o seu primeiro romance, »O Caminho Fica Longe«, que publicou quatro anos mais tarde.

Depois de ter concluído o estágio no Liceu Dom João II, em Coimbra, leccionou, até 1981, em diversos Liceus do País: Faro (1942), Bragança (1944), Évora (1945-1959), cidade que deixou profundas marcas em vários romances, nomeadamente em »Aparição« (1959), e Lisboa, no Liceu Luís de Camões (a partir de 1959). Inicialmente ligado ao Neo-Realismo, acabou por se desligar deste movimento literário, evoluindo a sua obra no sentido de uma temática existencialista e de um humanismo trágico. A sua obra é atravessada por uma constante reflexão sobre a condição humana, um constante registo das grandes interrogações do Homem, da procura de sentido para as razões essenciais da vida e da morte. Esta orientação foi seguida a partir do romance »Mudança» (1950), ficando definitivamente associada ás obras seguintes do escritor. A par desta interrogação filosófica sobre o destino do homem, os textos de Vergílio Ferreira, nomeadamente os ensaios, traduzem também uma reflexão sobre os problemas da arte e da civilização europeias. No entanto, na sua obra, os aspectos ensaísticos estão também frequentemente implicados nos romances. Considerado um dos grandes escritores portugueses do século XX, Vergílio Ferreira manteve-se á margem de polémicas estritamente políticas e de grupos literários, o que lhe valeu algumas críticas por parte de outros nomes do mundo cultural português.

Vergílio Ferreira publicou as obras de ficção, O Caminho Fica Longe, (1943); Onde Tudo Foi Morrendo, (1934); Vagão J, (1946); Mudança, (1950); A Face Sangrenta, (1953); Manhã Submersa, (1954, obra adaptada ao cinema por Lauro António); Aparição, (1959, Prémio Camilo Castelo Branco); Cântico Final, (1960); Estrela Polar, (1962); Apelo da Noite, (1963); Alegria Breve, (1965, Prémio da Casa da Imprensa); Nítido Nulo, (1971); Apenas Homens, (1972); Rápida a Sombra, (1975); Contos, (1979); Para Sempre, (1983); Uma Esplanada Sobre o Mar, (1986); Até ao Fim, (1987, Grande Prémio de Novela e Romance da Associação Portuguesa de Escritores); Em Nome da Terra«, (1990); Na Tua Face, (1993, Grande Prémio de Novela e Romance da APE); e, já após a sua morte, Cartas a Sandra, (1996). É também autor dos ensaios: Terá Camões Lido Platão ?, (1942); Sobre o Humorismo de Eça de Queirós, (1943); Do Mundo Original, (1957); Carta ao Futuro, (1958); Da Fenomenologia a Sartre, (1962); André Malraux, Interrogação ao Destino, (1963); Espaço do Invisível I, (1965); Invocação ao Meu Corpo, (1969); Espaço do Ínvisível II, (1976); Espaço do Invisível III, (1977); Um Escritor Apresenta-se, (1981); Espaço do Invisível IV, (1987); e Arte Tempo, (1988); e dos diários: Conta-Corrente I, (1980); Conta-Corrente II, (1981); Conta-Corrente III, (1983); Conta-Corrente IV, (1986); Conta-Corrente V, (1987); Pensar, (1992); Conta-Corrente Nova Série I, (1993); Conta-Corrente Nova Série II, (1993); Conta-Corrente Nova Série III, (1994); Conta-Corrente Nova Série IV, (1994). Foram-lhe atribuídos, entre outros, o Prémio do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (1985, pelo conjunto da sua obra), o Prémio Femina (1990), o Prémio Europália (1991), e o Prémio Camões (1992). Várias das suas obras foram adaptadas ao cinema, além de Manhã Submersa, já mencionada, Cântico Final e os contos O Encontro, A Estrela e a Mãe Genoveva. Algumas das suas obras encontram-se traduzidas em várias línguas.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Alcochete (Freguesia de São Francisco), Amadora, Caminha (Freguesia de Vila Praia de Âncora), Cascais (Freguesias de Alcabideche e São Domingos de Rana), Celorico da Beira, Évora, Fafe, Faro, Gouveia, Guarda, Lagos (Freguesia da Luz), Lisboa (Freguesia de Marvila), Loures (Freguesia de Santo António dos Cavaleiros), Mangualde, Marinha Grande, Montemor-o-Novo, Odivelas (Freguesia de Caneças), Oeiras (Freguesia de Barcarena *), Oliveira do Hospital (Freguesias de Oliveira do Hospital e São Paio de Gramaços), Palmela, Pombal, Seixal (Freguesia de Corroios), Sesimbra, Setúbal, Sintra (Freguesias de Santa Maria e São Miguel, São João das Lampas, São Martinho), Valongo (Freguesia de Ermesinde), Vila Franca de Xira (Fregusias de Póvoa de Santa Iria e Vialonga), Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 181)

Fonte: “Dicionário de Autores da Beira-Serra”, (de João Alves das Neves, Editora Dinalivro, 1ª Edição, Novembro de 2008, Pág. 109).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 217 e 218).

Luís Dourdil, um Pintor na Toponímia de Cascais

LUÍS DOURDIL Pintor e Desenhador, na Toponímia de Cascais por proposta minha (29)

 

Cascais 0012LUÍS César Pena DOURDIL, Pintor e Desenhador, nasceu em Coimbra, a 08-11-1914, e faleceu em Lisboa, a 29-09-1989. Autodidacta, é autor de uma obra de fundo lírico que tem como tema constante a figura humana.

Recompondo líricamnete um universo de formas conhecidas, leva a relação figurativa abstracta ao seu máximo limite, aproximando a nossa visão da essência e da estrutura dos corpos, numa poética do essencial e do silêncio. Como muralista, notabilizou-se principalmente com o painel do “Café Império”, em Lisboa.

Ao longo da sua obra também manteve o binómio desenho/pintura e, tanto mais quanto começou por desenhar gente anónima da vivência quotidiana de Lisboa, cidade onde viveu e teve Ateliê, como por exemplo a tela Ruas de Alfama mostra. O seu quadro Peixeira Sentada (1960) é uma das suas obras mais conhecidas. Para além da placa toponímica, Lisboa também acolheu a arte de Dourdil muralista no painel de 25 m² do hall do Laboratório Sanitas em 1945 ( que hoje está no Museu da Farmácia/Assocociação Nacacional de Farmácias), na pintura mural de 16 m² do Foyer de Honra do Cinema Império (1945), no mural 50 m² do Restaurante panorâmico do Monsanto (1967), bem como na exposição Lisboa na Obra dos Artistas Contemporâneos (1971).

Obteve em 1965 o Prémio de Desenho da Casa da Imprensa e em 1984 o primeiro Prémio de Pintura do Ministério da Cultura. Está representado no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas Artes, no Museu do Chiado /Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu da Electricidade, no Museu Abel Manta (Gouveia), no Museu de Amarante, no Museu Machado de Castro (Coimbra), no Museu Tavares Proença Júnior (Castelo Branco), e no museu de Serralves (Porto).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Cascais; Lisboa (Freguesia de Marvila. Edital de 26-12-2001); Seixal (Freguesia de Fernão Ferro); Sesimbra.

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 193).

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

Ruas Que Já Tiveram Outros Nomes.

O Actor Raul Solnado vinculado à Avenida Dom Carlos I

 

A Avenida Dom Carlos I, que actualmente pertence às Freguesias da Estrela e da Misericórdia, pertencia, até há pouco tempo às Freguesias de São Paulo, Santos-o-Velho e Santa Catarina, também já se designou por Rua Duque da Terceira; Aavenida das Cortes e Avenida Presidente Wilson.

Ou seja no final do Século XIX, a Rua Duque da Terceira, passou a designar-se Rua D. Carlos I 8Edital de 28-12-1889); mas após a implantação da República, tornou-se a Aveida das Cortes (Edital de 05-11-1910) e, após a entrada dos Estados Unidos da América na I Guerra Mundial, passou a designar-se de Avenida Presidente Wilson (Edital de 24-09-1918), nome que manteve até 1948 quando voltou a ter o nome de Avenida Dom Carlos I, designação que ainda se conserva.

Algumas curiosidades que existem ou existiram na Avenida Dom Carlos I:

Nesta Avenida, no nº 98, existia a Vassouraria da Esperança, que era de Bernardino Silva Solnado, pai do Actor Raul Solnado, onde ele ainda trabalhou.

No nº 15-4º, morou o Médico e Guitarrista Horácio Menano.

No nº 55 r/c Dtº, morou o Médico Luís Alves Carpinteiro.

E, até há poucos anos, funcionou o Regimento de Sapadores Bombeiros.

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

 

Carlos ICarlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gotha, DOM CARLOS I, Rei de Portugal de 1889 a 1908, natural de Lisboa, nasceu a 28-09-1863 e faleceu a 02-02-1908. Era filho primogénito de Dom Luís I e da Rainha Dona Maria Pia de Sabóia, e casado, em 1886, com Dona Maria Amélia de Orleães, filha dos condes de Paris.

O jovem monarca subiu ao trono, em 1889, numa época particularmente difícil da vida do país, resultante de uma conjuntura económico-financeira de crise e de uma grande rivalidade entre os dois grandes partidos »rotativos«, progressista e regenerador, que afectava de maneira notória a vida política do país, mantendo-a em permanente tensão. O ambiente de crise agudizou-se ainda mais com o Ultimatum britânico de 1890, motivado pelo célebre Mapa Cor-de-Rosa, que obrigou os portugueses a retirarem-se das regiões africanas aí estabelecidas. Este ultimato provocou em Portugal uma onda de indignação e de ódio geral contra Inglaterra e contra o regime monárquico, que não teria sabido defender os interesses nacionais. A situação foi então aproveitada pelo partido republicano que, em 1891, desencadeou no Porto uma revolta, a primeira tentativa armada republicana para tomar o poder.

Dom Carlos procurou acalmar o país, colocando, em 1906, João Franco na chefia do governo liberal, mas a acção deste político reacendeu a hostilidade dos partidos e dos adeptos dos ideais republicanos. A tensão política trazida pela atitude ditatorial do governo acabaria de modo trágico, com o regicídio de Dom Carlos, em Fevereiro de 1908, no qual morreria também o príncipe herdeiro, Dom Luís Filipe. Ainda em vida, Dom Carlos procurou desenvolver uma política de relações externas para reconquistar o prestígio do país na Europa. Efectuou, no ano de 1895, uma viagem às principais capitais europeias, recebendo posteriormente, em 1903 e 1904, Eduardo VII de Inglaterra, Afonso XIII de Espanha, a rainha Alexandra de Inglaterra, o imperador Guilherme II da Alemanha e ainda o presidente da república francesa, Emílio Loubet. Durante o seu reinado, foi assinado com a Grã-Bretanha o tratado de Windsor (1889), reataram-se as relações luso-brasileiras, interrompidas por um acidente diplomático, e, finalmente, pacificaram-se os territórios ultramarinos, desde África até à Índia.

Dom Carlos distinguiu-se como um monarca culto. Cientista, colaborou em investigações oceanográficas, a bordo o iate »Amélia«, tendo sido também um exímio pintor de aguarelas e pastéis, que lhe valeram prémios em concursos internacionais.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Almada; Amadora; Aveiro; Barreiro; Bombarral (Freguesia de Pó); Bragança; Caldas da Rainha (Cidade das Caldas da Rainha e Freguesia de Foz do Arelho); Cascais; Constância; Ferreira do Zâzere; Funchal; Lagoa (Freguesias de Estômbar e Parchal); Leiria; Lisboa (Freguesias de Santos-o-Velho, São Paulo, Santa Catarina e Parque das Nações); Loures (Fregueaias de Camarate e  de Santa Iria da Azóia); Marco de Canaveses; Odivelas (Freguesias de Odivelas e de Pontinha); Oeiras (Freguesia de Porto Salvo); Portimão; Porto; Ribeira Grande; Sabugal (Freguesia de Aldeia de Santo António); Seixal (Freguesia de Fernão Ferro); Serpa (Freguesia de Pias); Sesimbra (Vila de Sesimbra e Freguesia da Quinta do Cinde); Sintra (Freguesia de Casal de Cambra); Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 124 e 125).

Fonte: “Dicionário Histórico e Biográfico de Artistas e Técnicos Portugueses”, (de Arsénio Sampaio de Andrade, 1ª Edição, Lisboa, 1959, Pág. 41 e 42)

José Campas, um Pintor na Toponímia de Cascais

 

José Campas, Pintor e Professor, na Toponímia de Cascais, por proposta minha (28)

 

Cascais 0013JOSÉ de Sousa Ferreira CAMPAS, Pintor, natural de Lisboa, nasceu a 14-06-1888 e faleceu a 04-01-1971. Tirou o Curso de Pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, obtendo o Prémio Anunciação em 1905-1906. Estagiou em Paris, onde expôs com êxito de 1918 a 1922. Foi discípulo de Carlos Reis, Jean Paul Laurens, Léon Bonnat, Raphael Collin e J J Duval.

Com os seus quadros recebeu honrosos galardões, como a 1ª medalha em pintura na Sociedade Nacional de Belas-Artes, estando representado no Museu Nacional de Arte Contemporânea.

Publicou na imprensa portuguesa valiosos artigos de crítica de arte e polémica, especialmente em A Voz, tendo sido delegado do Governo Português na Exposição Internacional de Paris, em 1935

Foi Professor do Ensino Técnico, tendo sido Director das Escolas Técnicas de Lagos e de Abrantes, e emérito restaurador de quadros antigos. Executou obras apreciáveis tanto de figura como de paisagem.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Cascais (*); Lagos; Lisboa (Freguesia de Santa Maria dos Olivais).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 120)