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“O Actor Rui Luís (que fazia de pai do Tonecas), se fosse vivo, faria hoje 82 anos de idade”

 

rui-luisRUI LUÍS da Conceição Silva, Actor, nasceu em Roma (Itália), a 28-02-1935, e faleceu no Hospital Distrital de Santarém, a 09-07-2003. Rui Luís encontrava-se doente já algum tempo e estava a residir na Azóia de Baixo (Santarém) .

Rui Luís estreou-se como rádio-Actor, em 1954, na ex-Emissora Nacional, tendo-se estreado no cinema no ano seguinte, no filme alemão «Um Guia Turístico em Lisboa». Em 1956 ganhou o concurso «à procura de uma Actor», promovido por Vasco Morgado e o Diário de Notícias, tendo sido convidado no ano seguinte, para integrar o elenco da peça «O Inspector Geral», de Nicolau Gogol, no Teatro Dona Maria II.

Rui Luís, estreou-se, nesse mesmo ano, na revista, no Teatro ABC, e participou na primeira peça de Teatro na Televisão. Todavia, o trabalho que mais o popularizou foi «como pai do Tonecas», na série da RTP «As Lições do Tonecas».

Rui Luís participou em filmes e séries, como: Três Máscaras (1957); A Sapateira Prodiogiosa (1957); As Profecias do Bandarra (1957); O Sol de Nápoles e a Sétima Arte (1961); Chocolate à Espanhola (1961); As Ruínas no Interior (1977); Os Galos e as Gajas (1978); Manhã Submersa (Série, 1978); Manhã Submersa (Filme, 1980); Contos e Vigários (1986); Azul, Azul (1986); Que Pena Não Ser a Cores, (1987); O Querido Lilás (1987); A Borboleta na Gaiola (1987); Três em Lua de Mel (1988); Lá em Casa Tudo Bem (1987-1988); A Tia Engrácia (1988); A Mala de Cartão (1988); O Grande Pagode (1988-1989); O Mistério da Boca do Inferno (1989); Lendas e Factos da História de Portugal (1989-1990); Cama,Mesa e Roupa Lavada, (1990); Um Solar Alfacinha (1990); O Gémeo Diferente (1991); Procura-se (1993); Cinzas (1992-1993); Longe Daqui (1993); Verão Quente (1993-1994); A Comédia de Deus (1995); Paraíso Perdido (1995); Primeiro Amor (1995-1996); As Lições do Tonecas (1996); Ballet Rose – Vidas Proibidas (1998); O Conde de Abranhos (2000); Alves dos Reis (2000); Toreros (2000); Monsanto (2000); Combate de Amor em Sonho (2000); Quando o Sol Toca na Lua (2001); Vai E Vem (2003); Retour aux Sources (2003).

Fonte: “Jornal Correio da Manhã”

Fonte: “Jornal O Mirante”

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“O Patrono da MAC (Maternidade Alfredo da Costa), aquela que o Governo da direita queria fechar, nasceu faz hoje 158 anos”

 

maternidade-alfredo-da-costaManuel Vicente ALFREDO DA COSTA, Médico, nasceu em Salsete (Índia Portuguesa), a 28-02-1859, e faleceu em Lisboa, a 02-04-1910. Era filho de Bernardo Francisco da Costa. Com 9 anos, mudou-se com a família para Portugal, onde se formou em 1884 na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e em 1887 na mesma passou a ensinar, após concursos em que apresentou o estudo Sobre a Natureza da Febre Puerperal.

Deve-se-lhe a publicação do primeiro Anuário da Escola (1891). Desde 1897 regeu a cadeira de Obstetrícia. Foi Presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa. Operador de renome, assinalou-se sobretudo no sector da Assistência Materno-Infantil, de que foi em Portugal o pioneiro.

A Maternidade de Lisboa (o grande sonho da sua vida, apenas concretizado em 1932) ostenta o seu nome.

Publicou, além de artigos em revistas da especialidade: Frequência das Roturas Uterinas em Portugal, 1900, Indications et Technique de L´opération Cesarienne, 1906, e Quelues Renseignements sur la Maternité Provisoire de Lisbonne, 1906. Foi o 28º Presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa.

Fez parte do grupo de fundadores da Revista de Medicina e Cirurgia, foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa – onde exerceu o cargo de Presidente e se tornou membro benemérito, e foi colaborador do Jornal da Sociedade das Ciências Médicas.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Moita (Freguesia de Alhos Vedros); Odivelas; Oeiras (Freguesia de Algés); Sintra (Vila de Sintra e Freguesias de Algueirão-Mem Martins e Massamá).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 171).

Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

 

cavalo-dos-ctt-antigoJOAQUIM CHAGAS, 6º Chefe dos Serviços Telegrafo-Postais do Distrito de Viseu, exerceu o cargo de 1928 a 1935. Nasceu em Sesimbra, a 24-02-1884, e faleceu em Alcains (Castelo Branco), a 19-12-1975. Era filho de José das Chagas e de D. Rosalina Rosa Chagas. Era casado com D. Maria do Carmo dos Reis Chagas, de quem houve Jaime dos Reis Chagas, 2º Oficial dos CTT, e D. Amélia Vitória dos Reis Chagas, Licenciada em Matemática, antiga Professora do Liceu de Viseu e, mais tarde, Professora do Liceu de Castelo Branco.

Tendo ficado órfão de pai, ainda criança, ingressou em 1893 na Real Casa Pia de Lisboa, onde fez os Estudos Primários, o Curso Comercial e o Curso de Telégrafos.

Em Outunbro de 1900, c om 17 anos incompletos, começou a servir nos Correios e Telégrafos, como praticante. Nomeado Aspirante Auxiliar em 01 de Março de 1901, colocaram-no em Viseu, donde saiu nomano imediato, para ir frequentar o Curso Secundário de Telégrafos no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, Curso que terminou em 1906. Foi então colocado em Castelo Branco. Um ano depois era transferido para a 2ª Repartição da Direcção-Geral chefiada pelo Inspector-Geral dos Telégrafos e Fiscalização de Indústrias Eléctricas, Engenheiro Paulo Benjamim Cabral, e aí se conservou até ao início da 1ª Grande Guerra Miundial.

Entretanto havia sido promovid a 2º Aspirante, em 1905 e a 1º Aspirante em 1909.

Em 1905 o Governo Português celebrou contrato provisório com a Companhia de Cabos Submarinos «Eastern Telegraph» para o estabelecimento das Estações T.S.F. necessárias às comunicações entre as Ilhas de São Miguel e Santa Maria, do Faial e Flores e de Flores e Corvo, no Arquipékago dos Açores. Esse contrato foi tornado definitivo dois anos depois, estabelecendo a «Eastern Telegraph» naquelas Ilhas, por intermédio da Amalgamated Radio Telegraphy Company, cinco Estações de sistemas Poulsen e de Forest.

Os assuntos relativos à conservação e exploração destas Estações decorriam através da referida 2ª Repartição da Direcção Geral dos Correios e Telégrafos, onde o respectivo pessoal desconhecia quade inteiramente o material ali instalado e das necessidades cada vez maiores dessas Estações. Impunha-se que fossem visitadas por funcionário julgado capaz de avaliar e relatar circiunstanciadamente o verdadeiro estado delas, para se providenciar depois por forma a torná-las absolutamente eficientes.

Para essa Comissão foi escolhido em Junho de 1911 o então 1º Aspirante Joaquim Chagas, que visitou todas as Estações, com excepção de Santa Maria, demorando-se maus algum tempo mais algum tempo nas Estações de São Miguel e do Faial.

Dessa visita apresentou relatório, em 05 de Setembro imediato, em que não só tratou do precário estado das Estações como ainda das medidas a tomar de futuro, se se pretendesse, como seria natural, criar novas Estações ou alterar as existentes com o fim de melhor as aproveitar. As instalações, propriamente, foram descritas com minúcia num relatório, provido de muitos esquemas, que em 01 de Junho do ano seguinte, apresentou como relatório de tirocínio do Curso de Telégrafos que frequentara no Instituto Induistrial e Comercial de Lisboa.

Ao criar-se o Instituto Superior Técnico, em 1911, Joaquim Chagas matriculou-se nele e aí completou o Cirso Geral e algumas cadeiras dca especialidade de Engenharia Electrotécnica. Abandonou, porém, a frequência no ano lectivo de 1915-1916, principalmente por impedimento causado pelas suas novas funções oficiais, mais absorventes.

Entre 1912 e 1916 desempenhou, por acumulação com outras funções, o cargo de Bibliotecário da Administração-Geral.

O novo Bibliotecário, só e lutando com falta de tempo, identificou, inventariou, registou e arrumou tudo quanto exisitia e tudo quanto obteve, num total de 3.500 espécies.

Seguiramente elaborou um Catálogo onomástico, que foi o único da nossa Biblioteca até 1913.

Um Catálogo metódico, organizado para publicação não se imprimiu além da página 120, com próximo de 1.500 obras relacioonadas. Este Catálogo era impresso à razão de 1 folha (16 páginas) por mês, justamente com o «Boletim Telégrafo-Postal», mas porque o Boletim suspendeu a publicação em 1917, como consequência das dificuldades resultantes da Primeira Grande Guerra, o Catálogo ficou incompleto.

Em Agosto de 1918, Joaquim Chagas, já então 2º Oficial, foi deslocado para a Chefia da 1ª Secção da 1ª Circunscrição Electrotécnica, onde se julgou mais conveniente o aproveitamento das suas qualidades.

Em 1921 transferiram-no, a seu pedido para o lugar de Chefe da Secção Electrotécnica de Viseu onde se manteve 14 anos.

Entretanto em 1924, já Sub-Inspector, recebeu o encargo de montar a rede Telefónica de Ponta Delgada, que teve a particularidade de ser a primeira rede telefónica aero-subterrânea que o Estado estabeleceu. Esta rede telefónica com a respectiva Estação foi feita num tempo «record».

Em meados de 1927 diorogiu os trabalhos de construção das linhas telefónicas interurbanas de Viseu a Coimbra, o que permitiu ligar telefonicamente a Cidade de Viseu à rede geral do País, que principiava então a desenvolver-se.

A inauguração destas linhas telefónicas, acontecimento dce extraordinário relevo para  a vida de relação da Província da Beira Alta, faz-se com toda a solenidade pelas 19 horas do dia 11 de Junho de 1928, com a assistência do Senhor Presidente da República, General Óscar Carmona, que para o efeito sde deslocou propositadamente a Viseu acomopanhado pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros Dr. António Maria de Bettencourt Rodrigues e da Justiça Dr.José da Silva Monteiro.

Joaquim Chagas teve depois a incumbência da construção do traçado telefónico de Lisboa a Coimbra, pelo Oeste, na parte compreendida entre Lisboa e Caldas da Rainha.

Promovido em Março de 1928 a Inspector foi, dois meses mais tarde, assumir a Chefia dos Serviços Telégrafo-Postais do Distrito de Viseu, vaga pelo falecimento de António José Antunes. Este novo cargo desempenhou-o cumulativamente como de Chefe da Secção Electrotécnica, orientandio e dirigindo, assim, a montagem da Estação e da Rede Telefónica de Viseu, inauguradas em 12 de Janeiro de 1930.

Durante o período de gerência de Joaquim Chagas, um outro problema se levantou, para a resolução do qual foi valiosa a sua colaboração e o muito interesse que sempre manifestou por todos os assuntos que ao seu cargo diziam respeito; referimo-nos à construção, em Viseu, de um novo edifício para os CTT.

O Decreto 13.113, de 24 de Janeiro de 1927, autorizou um empréstimo para a construção de edifícios destinados a várias Escolas Técnicas. Entre as verbas autorizadas figurava a de 300 contos para a compra de um edifício destinado à Escola Industrial e Comercial de Viseu, que se encontrava instalada na «Casa do Arco«, daquela Cidade, onde esdtavam também outras Repartições públicas, e entre elas a Estação dos CTT.

Tendo de instalar-se a rede telefónica na referida Cidade, e reconhecendo-se não só a falta de espaço no edifício da «Casa do Arco», mas também a situação excêntrica desta, o que elevaria muito o preço das instalações telefónicas dos assinantes, propõe-se a Administração Geral a abandonar a referida Casa, desde que da verba de 300 contos acima referida lhe fosse concedida uma parte para a compra de terreno e construção de um edifício onde se pudessem isntalar todos os serviços dos CTT.

Tal sugestão foi aceite e pelo Decreto 15.692, de 08 de Julho de 1928, concedida à Adminisração Geral dos CTT a verba de 150 contos, dos 300 acima citado, para a edificação do edifício proposto.

A «Casa do Arco» e terrenos anexos ficariam inteiramente à disposição da Escola, salvo uma faixa de 7,5 metros do terreno da cerca reservada a depósito de materiais dos CTT.

Entretanto a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Viseu, sob a presidência do Coronel António Alves Mateus, propõe-se ofertar aos CTT um terreno para a construão do novo edifício.

Depois de várias diligências, que se prokongaram pelos anos de 1928 e 1929, a Administração Geral dos CTT recebeu, segundo auto lavrado em Janeuiro de 1930, um terreno em forma de trapézio, expropriado pela Câmara, com a área total de 543 metros quadrados, confinando a nascente com a Rua dos Andrades, a norte com o prolongamento da Rua das Paz e apoente com a Rua dos Combatentes da Gtande Guerra.

Joaquim Chagas, que tomara parte em todas estas diligências, elabora então um esboceto da distribuição dos serviços no novo edifício a construir, e respectiva memória descritiva, que serviram à Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos para a elaboração do projecto e orçamento de toda a construção. Os trabalhos de edificação começaram em princípios de 1931.

Joaquim Chagas, em 1935, foi transferido para a 4ª Repartição da Direcção dos Serviços de Exploração, em Lisboa, onde se conservou até Outubro de 1947, data em que se aposentou com 47 anos de serviço contínuo e dedicado, como o demonstram os elogios e louvores averbados no seu registo biográfico.

Joaquim Chagas, copmpletou em 1915, o pequeno Curso de Bibliotecário-Arquivista, da Inspecção das Bibliotecas e Arquivos, e obteve a maior classificação desse Curso.

Colaborou em diferentes jormnais, não só sobre assuntos profissionais, mas também sobre temas de história geral e regional que cultivou com grande interesse.

Fonte: “Dicionário de Autores Casapianos”, (de António Bernardo e José dos Santos Pinto, Biblioteca-Museu Luz Soriano, Ateneu Casapiano, Lisboa, Edição de 1982, Pág. 76)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

“Aclénia Pereira, uma Bonequeira quase esquecida, se fosse viva, faria hoje 90 anos de idade”

 

aclenia-pereiraACLÉNIA Risolete Capeto PEREIRA e Noronha, Professora e Artesã, nasceu na Freguesia de Santo André (Estremoz), a 26-02-1927, e faleceu na Casa de Saúde do Montepio Rainha D. Leonor, na Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo (Caldas da Rainha), a 21-04-2012. Era filha de Carlota Rita Capeto Pereira, e de Ricardo de Jesus Pereira Ventas, ambos naturais de Estremoz. Aclénia Pereira, Artesã polifacetada e barrista Estremocense.

A menina recebeu o nome de Aclénia Risolete Capeto Vendas. Em 1945 o pai de Aclénia foi autorizado superiormente a mudar o nome para Ricardo de Jesus Pereira, pelo que a filha com a idade de 18 anos foi também autorizada a alterar o nome para Aclénia Risolote Capeto Pereira.

Em 28 de Dezembro de 1960, com a idade de 33 anos, casou na Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, com Pedro Paulo de Oliveira e Noronha, de 30 anos, natural de Vale de Santarém (Santarém), onde o casal passaria a residir. O nome da noiva passaria então a ser Aclénia Risolete Capeto Pereira e Noronha.

Aclénia cresceu sem problemas e frequentou o Ensino Primário Elementar em Estremoz, tendo sido aprovada no exame de 2º grau em 1939, com da idade de 12 anos.

Com a idade de 13 anos, Aclénia inscreveu-se em 1940 na Escola Industrial António Augusto Gonçalves, situada na rua da Pena nº 11 em Estremoz, no local onde funcionaria mais tarde a Ala nº 2 da Mocidade Portuguesa Masculina e depois o Salão Paroquial de Santa Maria. Era então Director José Maria de Sá Lemos (1892–1971). A organização do Ensino Técnico-Profissional era então regida pelo Decreto nº 20.420 de 20 de Outubro de 1931. Na Escola era ministrado o ensino dos seguintes ofícios: Canteiro Civil, Canteiro Artístico, Oleiro e Tapeceira, sendo o pessoal docente desta Escola composta por 1 Professor e 3 Mestres.

Aclénia frequentou a Escola com aproveitamento até ao 3º ano, temdo realizado o 4º ano.

Na Oficina de Tapeçaria aprendeu com Mestra Joana Maria de Albuquerque Aimões e na Oficina de Olaria com Mestre Mariano Augusto da Conceição. A Oficina de Tapeçaria era no 1º andar e a oficina de olaria, logo à entrada da Escola, do lado direito.

Com as mãos sábias e experientes de Mestra Joana aprendeu o ponto de arraiolos, a bordar, a recortar autênticas filigranas em papel e o deslumbramento da Arte Conventual. Por sua vez, Mestre Mariano, já consagrado pela sua luminosa participação na Exposição do Mundo Português, ocorrida nesse ano em Lisboa, soube-lhe transmitir no trabalho do barro informe, a destreza de mãos herdada da dinastia dos Alfacinhas a que ele próprio pertencia, bem como os gestos ancestrais das bonequeiras de oitocentos que na década de 30 do século passado, aprendera com ti Ana das Peles, com a supervisão do Director, o Escultor José Maria de Sá Lemos.

Com tais Mestres e dotada de rara habilidade e fina sensibilidade, Aclénia aprendeu a deominar os materiais e a criar artefactos que nos deleitam o espírito.

Depois de ter saído da Escola Industrial António Augusto Gonçalves terá frequentado a Escola do Magistério Primário de Évora, após o que passou a desempenhar funções de Professora do Ensino Primário, o que fez até à altura da sua aposentação.

Após o casamento em 1960, deixou de morar em Estremoz, e transferiu-se para Santarém.

Em 1983 participou na I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz, cujo Stand 5, 6, e 7 ocupou. Dela diz o catálogo: Natural de Estremoz e residente em Santarém, dedica-se de há longos anos à prática variadíssmas técnicas, às artes popular e conventual. Com barro, tecidos, papel, metal, organiza pequenas obras de arte preenchendo da melhor maneira os lazeres da sua vida doméstica e profissional.”. De acordo com o jornal “Brados do Alentejo, Aclénia participou no certame nas secções de “Barro”, “Papel” e “Têxteis”. Ainda de acordo com o catálogo, partilhou o Stand com sua tia Ernestina Capeto de Matos que apresentou trabalhos de arte conventual.

Aclénia está representada com os seus bonecos de Estremoz em colecções particulares e no Museu Rural da Casa do Povo de Estremoz.

Fonte: “Blog Do Tempo da Outra Senhora” (Hernâni Matos).

“Cesário Verde, o Poeta que também vendeu ferragens, nasceu há 162 anos”

 

queijas-034José Joaquim CESÁRIO VERDE, Poeta, nasceu na Rua da Padaria, Freguesia da Sé (Lisboa), a 25-02-1855, e faleceu em Linda-a-Pastora (Oeiras), a 19-07-1886. Após a Instrução Primária, passou a trabalhar em negócios familiares, sendo o seu pai, José Anastácio Verde, dono de uma loja de ferragens, na Rua dos Fanqueiros, em Lisboa e de uma quinta em Linda-a-Pastora. Foi por essas duas actividades práticas, úteis, de acordo com a visão do mundo e do próprio Cesário Verde, que se repartiu a vida do poeta. Paralelamente, ia alimentando o seu gosto pela leitura e pela criação literária, embora longe dos meios literários oficiais com que nunca se deu bem, o que o levou, por exemplo, a abandonar o Curso Superior de Letras da Faculdade de Lisboa, que frequentou entre 1873 e 1874. Cesário Verde estreou-se, nessa altura, colaborando nos jornais Diário de Notícias, Diário da Tarde, A Tribuna e Renascença. A partir de 1875 produziu alguns dos seus melhores poemas: »Num Bairro Moderno« (1877), »Em Petiz« (1878), E »O Sentimento de um Ocidental« (1880). Este último foi escrito por ocasião do terceiro centenário da morte de Camões e é, ainda hoje, um dos textos mais conhecidos do poeta, embora mal recebido pela crítica de então, numa incompreensão geral mesmo por parte de escritores da Geração de 70, de quem Cesário Verde esperaria aceitação para a sua poesia. A falta de estímulo da crítica e um certo mal-estar relativamente ao meio literário, expressos, por exemplo, no poema »contrariedades« (Março de 1876), fazem com que Cesário Verde deixe de publicar em jornais. Surgindo apenas, em 1884, o poema »Nós«. O binómio cidade-campo surge como tema principal neste longo poema narrativo autobiográfico, onde o poeta evoca a morte de uma irmã (1872) e de um irmão (1882), ambos de tuberculose, doença que viria a vitimar igualmente o poeta, apesar das várias tentativas de convalescença numa quinta no Lumiar. Só em 1887 foi organizada, postumamente, por iniciativa do seu amigo Silva Pinto, uma compilação dos seus poemas, a que deu o nome de »O Livro de Cesário Verde« (à disposição do público em geral apenas em 1901). Dividida em duas secções, »Crise Renascença« e »Naturais«, o livro não seguiu qualquer critério cronológico de elaboração ou de publicação. Entretanto, novas edições vieram acrescentar alguns textos à obra conhecida do poeta e organizá-la segundo critérios mais rigorosos. Formado dentro dos moldes do realismo e do parnasianismo literários, Cesário Verde afirmou-se sobretudo pela sua oposição ao lirismo tradicional. Em poemas por vezes cínicos ou humorísticos (na linha de A Folha, de João Penha, ou de Baudelaire, de que se reconhece a influência sobretudo no tratamento da temática da cidade, do amor e da mulher) conseguiu manter-se alheio ao peso da »literatura«, procurando um tom natural que valorizasse a linguagem do concreto e do coloquial, por vezes até com cariz técnico, marcando um desejo de autenticidade e um amor pelo real, que fez com que a sua poesia enfrentasse, por vezes, a acusação de prosaísmo. Com uma visão extremamente plástica do mundo, deteve-se em deambulações pela cidade ou pelo campo transmitindo o que aí era oferecido aos sentidos, em cores, formas e sons, de acordo com a fórmula do próprio poeta, expressa em carta ao seu amigo Silva Pinto: »A mim o que me rodeia é o que me preocupa«. Se, por um lado, exaltava os valores viris e vigorosos, saudáveis, da vida do campo e dos seus trabalhadores, sem visões bucólicas, detinha-se, por outro lado, na cidade, na sedução dos movimentos humanos, da sua vibração, solidarizando-se com as vítimas de injustiças sociais e integrando na sua poesia, por vezes, um desejo de evasão. Conhecido como o poeta da cidade de Lisboa, foi igualmente o poeta da Natureza anti-literária, numa natecipação de Fernando Pessoa / Alberto Caeiro, que considerava Cesário um dos vultos fundamentais da nossa história literária. Através de processos impressionistas, de grande sugestividade (condensando e combinando, por exemplo, sensações físicas e morais num só elemento), levou a cabo uma renovação ímpar, no século XIX, da estilística poética portuguesa, abrindo caminho ao Modernismo e influenciando decisivamente poetas posteriores.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albufeira; Alcochete (Freguesia de São Francisco); Almada (Freguesias da Costa de Caparica e Sobreda); Amadora; Beja; Benavente (Freguesia de Samora Correia); Braga; Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais, Estoril e São Domingos de Rana); Chaves; Entroncamento; Évora; Fafe (Freguesia de Regadas); Ferreira do Alentejo (Freguesia de Figueira dos Cavaleiros); Gondomar (Cidade de Gondomar e Freguesia de Rio Tinto); Ílhavo (Freguesia da Gafanha da Nazaré); Lisboa; Loures (Freguesias de Loures, Santo Antão do Tojal, Santo António dos Cavaleiros e São João da Talha); Maia; Mangualde; Matosinhos (Freguesia da Senhora da Hora); Mirandela; Moita (Freguesia da Baixa da Banheira); Montijo (Freguesias de Alto do Estanqueiro, Montijo, Pegões e Sarilhos Grandes); Oliveira do Hospital; Odivelas (Freguesias de Famões, Odivelas e Ramada); Oeiras (Freguesias de Carnaxide, Oeiras e Queijas); Ovar; Portimão (Cidade de Portimão e Freguesia de Alvor); Santa Maria da Feira (Freguesia da Arrifana); São João da Madeira; Seixal (Freguesias da Amora, Corroios e Fernão Ferro); Sesimbra; Setúbal (Cidade de Setúbal ed Azeitão); Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins, Almargem do Bispo, Cacém, Casal de Cambra, Queluz, Rio de Mouro e Vila de Sintra); Trofa; Valongo (Freguesias de Campo, Ermesinde e Valongo).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Publicações Europa América)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 524).

“Rogério Paulo que, além de ter sido um grande Actor, se distinguiu, também,como Político, deixou-nos faz hoje 24 anos”

 

rogerio-pauloROGÉRIO PAULO é o nome artístico de Rogério Gomes Lopes Ferreira, Actor e Político, nasceu em Silva Porto (Angola), a 17-11-1927, e faleceu em Lisboa, a 25-02-1993. Frequentou a Faculdade de Medicina de Lisboa, mas optou pela carreira teatral, tendo-se estreado em 1949. No ano seguinte, passou a fazer parte da Companhia de Alves da Cunha e adoptou o nome artístico de Rogério Paulo.

A partir de 1953, passou a fazer parte da Companhia do Teatro Nacional de D. Maria II, não só como Actor, mas também como Encenador.

Em 1962, foi o primeiro classificado no Curso Superior da Universidade de Treatro das Nações, em Paris, organismo onde desempenhou, no ano seguinte, o cargo de Assistente do Director.

Dirigiu vários grupos universitários de teatro, leccionou Teatro na Universidade de Havana (1972-1973) e continuou a representar praticamente até falecer.

Iniciou a carreira artística no Teatro-Estúdio do Salitre. Fundou e dirigiu o Teatro Moderno de Lisboa, de 1961 a 1964. Actuou também no cinema e na televisão. Principais filmes: “A Garça e a Serpente”, em 1952, “O Costa de África”, em 1954, “Encontro com a Vida”, em 1960, “O Crime da Aldeia Velha”, em 1964, “Recompensa”, em 1977, “Retalhos da Vida de Um Médico”, em 1980, e “Sem Sombra de Pecado”, em 1982. Como encenador teatral salientou-se em “As Raposas”, de L Hellman.

Militante do Partido Comunista Português desde 1953, foi preso em 1963 e proibido de actuar na RTP e na Emissora Nacional.

Conhecido como opositor ao Estado Novo, esteve ligado ao MUD Juvenil e veio a ser impedido de actuar na Emissora Nacional e na Rádio Televisão Portuguesa durante anos.

Foi candidato às eleições de 1957 pela Oposição Democrática. Esteve ligado à prepração da fuga de Álvaro Cunhal do Forte de Peniche.

Em 1969, foi um dos fundadores da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos e, em Maio de 1972, foi um dos subscritoresz de um manifesto intitulado «A Situação Política Portuguesa e o Fracasso do Reformismo», apreendido pela DGS – Direcção Geral de Segurança e por isso interrogado.

Leccionou na Universidade de Havana, de 1972 a 1973 e escreveu “Introdução ao Teatro Cubano”, em 1971, “Um Actro em Viagem”, em 1972, e “As Portas Foram Abertas aos Bandidos”, em 1981.

Depois do 25 de Abril de 1974, foi dirigente sindical, membro da Comissão de Trabalhadores do Teatro Nacional, e Deputado à Assembleia Constituinte em 1975-1976.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Loures (Freguesia de São João da Talha); Moita (Freguesia da Baixa da Banheira); Odivelas (Freguesia de Odivelas e Ramada); Oeiras (Freguesia de Barcarena); Seixal; Vila Franca de Xira (Freguesia de Vialonga).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 296).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário”, (de Mário Matos e Lemos, Luís Reis Torgal, Coordenador, Colecção Parlamento, Edição da Assembleia da República, 1ª Edição, Lisboa, Outubro de 2009, Pág. 220).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 405).

“CURIOSIDADES TOPONÍMICAS”

A Toponímia, para o comun dos cidadãos é, por difinição, simplesmente o nome de um Lugar ou Sítio, uma Avenida, Rua, Travessa, etc., no entanto, para os mais curiosos e(ou) estudiosos é um pouco mais do que um nome.

A Toponímia é uma das formas mais eficazes e duradouras de divulgação e preservação da História de qualquer povo.

A Toponímia deve ser precisa, concisa, clara e, sobretudo, para ser eficaz, deve atribuída atempadamente.

Existem no Município de Lisboa, duas Artérias, que podem ser geradoras de alguma confusão, que são: a Rua César de Oliveira e a Rua Professor César de Oliveira. Mesmo que, num dos casos, a Artéria tenha a Profissão antecedida do nome, isso não é suficiente para evitar erros na distribuição de correspondência.

São ambos dignos de figurar na Toponímia de Lisboa ou de qualquer outro Município.

Compreendo a decisão, da Câmara Municipal de Lisboa , ao integrar o nome do Professor César de Oliveira na sua Toponímia, só que, poderia tê-lo feito minimizando os mais que prováveis erros, bastava que não tivesse escolhido uma Artéria na mesma Freguesia e no mesmo “Bairro”, onde já existia a Rua César de Oliveira, ambas na Freguesia do Lumiar.

Assim vai a nossa Toponímia.

“Costinha, o popular Actor Augusto Costa, nasceu faz hoje 126 anos

 

aigisto-costaErnestino AUGUSTO COSTA (COSTINHA), Actor, nasceu em Santarém, a 24-02-1891, e faleceu em Lisboa, a 24-01-1976. Ficou conhecido por Costinha. Fez o curso numa Escola Elementar de Comércio e frequentou, temporariamente, o Conservatório Nacional de Lisboa.

Iniciou a sua carreira artística no teatro amador, estreando-se profissionalmente em 1913, na revista »Quadros Vivos«, afirmando desde logo a sua veia humorística. Tornou-se a partir de então, uma figura regular dos elencos de revistas, comédias, farsas e operetas da época. Foi uma das figuras mais populares do teatro ligeiro da sua geração.

Fez parte, juntamente com sua mulher, a Actriz Luísa Durão, da companhia Teatro Alegre, dirigida por Henrique Santana.

No cinema, participou em filmes como: Lisboa, Crónica Anedótica, (1930, de Leitão de Barros);  A Severa, (1931, de Leitão de Barros); As Pupilas do Senhor Reitor, (1935, de Leitão de Barros); O Trevo de Quatro Folas, (1936, de Chianca de Garcia); A Rosa do Adro, (1938, de Chianca de Garcia); A Varanda dos Rouxinóis, (1939, de Leitão de Barros); João Ratão, (1940, de Jorge Brum do Canto); Lobos da Serra, (1942, de Jorge Brum do Canto); Cais do Sodré, (1946, de Alejandro Perla); Camões, (1946, de Leitão de Barros); Um Homem do Ribatejo, (1946, de Henrique Campos); Os Vizinhos do Rés-do-Chão, (1947, de Alejandro Perla); Uma Vida Para Dois, (1948, de Armando Miranda); Sol e Toiros, (1949, de José Buchs); Cantiga da Rua, (1949, de Henrique Campos); A Morgadinha dos Canaviais (1949, de Caetano Bonucci); Madragoa, (1951, de Perdigão Queiroga); Rosa de Alfama, (1953, de Henrique Campos; O Costa de África, (1954, de João Mendes); O Noivo das Caldas, (1956, de Artur Duarte); Perdeu-se Um Marido, (1957, de Henrique Campos); Dois Duas no Paraíso, (1957, de Artur Duarte); O Homem do Dia, (1958, de Henrique Campos); A Costureirinha da Sé (1958, de Manuel Guimarães).

Desenvolveu trabalhos na rádio e na televisão. Participou em séries, como: Lisboa em Camisa (1960); Zaragatas (1961); Riso e Ritmo (1984); A Menina Feia (1965); A Spateira Prodigiosa (1968).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica), Lisboa (Freguesia de Benfica, Edital), Odivelas (Freguesia da Pontinha), Santarém, Seixal (Freguesia de Fernão Ferro), Setúbal

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 168).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 08, Pág. 863)

Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

 

cavalo-dos-ctt-antigoANTÓNIO JOSÉ ANTUNES, 5º Chefe dos Serviços Telégrafo-Postais do Distrito de Viseu, exerceu o cargo de 1917 a 1928. Natural de Viseu, nasceu a 26-09-1860 e faleceu a 15-04-1928. Era filho de José Joaquim Antunes, Funcionário dos Telégrafos, e de D. Joana Rita da Póvoa.

Cursava o Liceu da sua terra natal quando, em 1876, apenas com dezasseis anos de idade, o admitiram como aluno telegráfico,para prestar serviço em Viseu, junto de seu pai. Continuou no entanto a frequentar o Liceu, por mais algum tempo.

Pela Reforma de 1880, que reuniu os Correios e os Telégrafos numa só Direcção-Geral, ingressou no quadro Telégrafo-Postal com a categoria de 2º Aspirante. Promovido a 1º Aspirante por concurso, em 1886, é nomeado encarregado de serviço para Ponta Delgada, onde se demorou menos de dois nmeses, e regressou de novo a Viseu.

Escolhido, em Outubro de 1894, para frequentar o Curso de Telégrafos do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, terminou-o em 1898, com excelentes classificações, e algumas menções honrosas.

Voltou a Viseu, até que, promovido a 2º Oficial, por concurso, em 1904, foi no ano imediato chefiar o Distrito Telégrafo-Postal de Castelo Branco, donde no ano seguinte transitou para o da Guarda, e em 1908 para o do Funchal.

Em Julho de 1911 é nomeado Chefe dos Serviços do Distrito de Vila Real de Trás-os-Montes, mas, dois meses deoois, por Portaria de 04 de Setembro de 1911, passou para o de Braga, por troca com o 1º Oficial Costa Fontelas, que desejava instalar-se em Vila Real.

António José Antunes saiu de Braga para o lugar de Chefe da 1ª Secção da Central Telegráfica de Lisboa a 22 de Abril de 1914, mas pouco nele se demorou, pois a 18 de Junho ia ocupar o cargo der Chefe dos Serviços Telegráficos da Cidade de Lisboa. Também aqui se não demorou, visto que a 26 de Junho de 1915 assumiu as funções de Chefe dos Serviços Telegrafro-Postais do Distrito de Lisboa.

A 26 de Dezembro de 1916 apresentou-se no Quartel General do Corpo Expedicionário a França (C.E.P.) para, como Capitão equiparado, actuar nos Serviços de Posta de Campanha (S.P.C.) do Exército Português em operações de guerra em França. Por falta de saúde deram-no por incapaz para fazer serviço em campanha, regressou a Portugal em Abril de 1918, e foi ocupar de Chefe dos Serviços Telégrafo-Postais de Viseu, para que fora transferido, quando ainda se encontrava destacado na Posta Militar.

A instalação na «Casa do Arco», em 1883, que logo de início se aprersentara deiciente, como deixámos registado na devida altura, com o decorrer dos anos e pelo desenvolvimento atingido pelos serviços tornou-se um quebra-cabeças para o pessoal que andava lá dentro aos encontrões, e para o público que era mal servido, pelo acanhamento do espaço que lhe era destinado. Além disso havia ainda o inconveniente da algazarra, correrias e naturais garotices dos alunos das Escolas que partilhavam o edifício; vidros partidos, roubo das canetas da sala do público, garatujas pouco recomendadas nas paredes, etc., etc.

Em 1919 António José Antunes pôs a questão às instâncias superiores com clareza, e obteve autorização para deslocar a Secretaria do Distrito para um prédio arrendado na Rua Serpa Pinto, para onde se mudou em 01 de Agosto. No velho Palácio ficou só a Estação Telégrafo-Postal, ligeiramente menos apertada, mas ainda pessimamente alojada.

O Chefe dos Serviços não afrouxa no propósito de remediar esta estado de coisas, e sugere, por volta de 1923, que as Escolas abandonem a «Casa do Arco» e esta, convenientemente restaurada, seja toda ocupada pelos Correios, Telégrafos e Telefones. Mas, a resolução definitiva deste intrincado problema teria que aguardar ainda cerca de duas décadas, como veremos.

Em virtude das disposições do Decreto nº 10.204, de 22 de Outubro de 1924, Antunes foi nessa altura classificado como Inspector.

Além da concessão ds Medalha dos Correios e Telégrafos que lhe atribuíram em 1899, do seu registo biográfico constam os louvores seguintes:

Por Decreto de 03 de Julho de 1920. Condecorado com a Medalha Militar de Prata, Medalha de Bons Serviços e louvado pelo zelo e inteligência empregados na Organização e Direcção do Serviço Postal da 2ª linha e em especial da ECBP, durante o período da maior intensidade de serviço, dando lugar a que pudessem ser desempenhados com regularidade os Serviços Postais do C.E.P.

Em 30 de Março de 1921, elogiado pelo inteligente critério e muito zelo de que deu provas no decurso das averiguações para a descoberta do autor de várias violações de correspondência e furto de valores praticadops pelo arremate de condução de malas de Sernancelhe.

Em 22 de Abril de 1927, louvado pelo zelo, dedicação e competência revelados no exercício das suas funções.

Foi Vice-Presidente da Caixa de Auxílio dos Empregados Telégrafo-Postais (1914).

António José Antunes, solteirão impenitente, de feitio assargentado, era no fundo uma excelente pessoa, capaz de delicadezas que o seu aspecto exterior não fazia supor.

Por volta de 1913 o velho Actor Joaquim Costa fizera, na revista «Capote e Lenço», em cena no Teatro São Luís, uma curiosa rábula de polícia, «O Cabo Elísio», que caiu no agrado do público e se popularizou; e logo o pessoal da Central Telegráfica de Lisboa, aproximando o tipo e o feitio dos dois; o Actor e o Chefe dos Serviços, pôs a este o alcunha de «Cabo Elísio», que o acomopanhou até ao fim da vida, sem lhe causar indignação.

Quando da passagerm do Centenário do Nascimento do genial romancista Camilo Castelo Branco, em 1925, a Administração Geral dos CTT emitiu uma série de selos, com 31 valores, comemorativa do acontecimento. Seis gravuras foram utilizadas para essa emissão, três das quais alusivas ao romance mais popular de Camilo – O Amor de Perdição. Destas, uma representa duas figuras visienses, embora de ficção: a doce Mariana e seu pai o ferrador João da Cruz.

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

“José Travassos, se fosse vivo, faria hoje 91 anos de idade”

 

jose-travassosJOSÉ António Barreto TRAVASSOS, Desportista, nasceu em Lisboa, a 22-02-1926, e faleceu em Lagos, a 12-02-2002. Alinhou pelo Grupo Desportivo da CUF antes de se transferir para o Sporting Club de Portugal, em Julho de 1946, e logo em 05-01-1947 jogou na equipa nacional. Contou 35 internacionalizações integrado na equipa das quinas. A FIFA convocou-o para a selecção da Europa, que em Belfast, em 13-08-1955, venceu expressivamente o onze da Grã-Bretanha. Jogador atacante, notabilizou-se com as suas fintas desconcertantes, espírito ofensivo e potência de remate. Fez parte da célebre equipa «Os Cinco Violinos».

O seu nome faz parte da Toponímia de: (Freguesia do Lumiar, Edital 257/2013, de 20 de Dezembro de 2013); Odivelas (Freguesia de Famões).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 515).