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“Gravadores de Selos Postais Portugueses”

cavalo-dos-ctt-antigoFREDERICO Augusto DE CAMPOS, Gravador, natural de Lisboa, nasceu em 1814 e faleceu a 29-07-1895. Gravador especializado em gravura de cunhos para moedas. Era filho de José Pedro de Paula Campos e de Gertrudes Ferreira de Campos. Em 01 de Setembro de 1830 entrou como simples aprendiz de abridor de cunhos, armas e medalhas, ali teve como primeiro Mestre o habilíssimo Gravador Domingos José da Silva. Serviu-lhe de fiador, no acto de inscrição, seu tio Joaquim José Policarpo da Silva Campos, também empregado da mesma Casa da Moeda. Tendo alcançando dentro de pouco tempo e por mérito próprio, o lugar de 1º Gravador.

O salário de 120 réis diários com que o admitiram na aprendizagem foi-lhe elevado para 240 réis, a seu pedido, em 27 de Outubro de 1832, mediante informação lisonjeira do seu Mestre.

Teve um interregno na sua vida artística, ao alistar-se no exército de D. Pedro IV, no final das lutas liberais, em que ainda chegou a tomar parte. Retomando, porém, as suas ocupações civis.

Tendo frequentado a Escola Politécnica e a Academia de Belas Artes, salientou-se em muitos concursos oficiais, em concorrência com outros Gravadores nacionais e estrangeiros.

A 18 de Maio de 1849 teve a almejada nomeação de 3º Abridor da Casa da Moeda, depois de quase 19 anos de estágio, como aprendiz e praticante, durante os quais recebeu lições de Domingos José da Silva, José António do Vale e Francisco de orja Freire.

Em Março de 1863, o Director da Casa da Moeda, Sebastião Betâmio de Almeida, resolveu abrir concurso para a execução da moeda de prata de 500 réis do novo reinado, limitando-o aos dois Gravadores da mesma Casa, FRAncisco de bORja Freire e Frederico Augusto de Campos, e ao Gravador francês Gerard, há muito estabelecido em Lisboa.

Cada um dos concorrentes receberia a justa retibuição do seu trabalho, e ao autor do cunho preferido seria atribuída uma gratidicação condigna.

Tendo desistido o concorrente francês, as provas dos dois outros foram em 11 de Agosto do mesmo ano submetidas à apreciação e voto consultivo de um grupo de Artistas constituído pelo Escultor Francês Anatole Camel, residente em Lisboa; Professor da Academia de Belas Artes, Vítor Bastos; Arqueólogo Abade de Castro; Arquitecto e Pintor Tomás da Fonseca; e dos numismatas Jorge de La Figanière e Lopes Fernandes.

Escudado com a opinião destas individualidades, o Director da Casa da Moeda submeteu à aprovaão ministerial o cunho gravado por Frederico Augusto de Campos, a quem na sua proposta faz esta justa referência:

«O trabalho do abridor Campos, verdadeira obra de arte, honrando a Casa da Moeda e o País, parece-me bem merecedor de algum sinal do agrado de El-Rei. E o abridor Campos carece de ser animado: desconhecido e desamparado por largos anos o seu talento foi acometido pela descrença; e as suas vigorosas faculdades parecem-me sonegadas pou un despeito intimo».

Em presença destas claras palavras de apreço, mal se compreende que a mesma entidade oficial meses depois haja promovido o contrato de um Gravador estrangeiro, Charles Wiener, para dirigir os trabalhos de gravura da nossa Casa da Moeda.

Da situação vexatória assim criada ao hábil Artista português nasceu por certo o ambiente de hostilidade que se formou em volta de Charles Wiener e o desanimou na tarefa de que vinha incumbido e de que, como já vimos, se saiu por forma muito inferior aos seus méritos.

Não obstante o plano de inferioridade emq ue fora colocado, Campos continuou a trabalhar com a dedicação e o escrúpulo de sempre, embora, como é natural, profundamente reseentido da injustiça de que era vítima. E, vingando-se por forma elegante, ia executando, com toda a perfeição de que era capaz, a maioria dos trabalhos a que o Gravador belga se obrigara e não cumpria. Tinha então a categoria de 2º Abridor.

Com a rescisão do contrato de Wiener, em 1867, Frederico de Campos foi promovido a 1º Abridor da Casa da Moeda, ocupando assim o lugar que de direito lhe pertencia.

Os dois alunos da Escola de Gravura, Azedo Gneco e Venâncio Alves, cujo ensino estivera a cargo de Wiener, nos termos do contrato que este fizera com o Governo Português, passaram então a receber lições de Frederico de Campos, juntamente com outro discípulo, seu sobrinho, Augusto Carlos Campos, que veio a ser tamém Abridor de Cunhos da Casa da Moeda.

Escultor de merecimento, fez em mármore um apreciável regrato de Camões; mas foi particularmente como Gravador de Moedas que o seu talento artístico mais se evidenciou. São do seu buril alguns dos cunhos das moedas do reinado de D. Pedro V, quase todas do reinado de D. Luís I e os das primeiras moedas do reinado de D. Carlos I. O cunha da moeda de 10$000 réis em ouro de D. Pedro V, primorosamente executado por Frederico de Campos, deu ensejo aum desolador incidente que pôs em foco, mais um avez, a incompreensão das instâncias superiores perante os valiosos trabalhos deste tão talentoso quão modesto artista. São também do seu buril as chapas de alguns selos fiscais em curso no reinado de D. Luís I.

Das inúmeras Medalhas que executou, citamos apenas: A comemorativa da inauguração da Estátua de Camões, gravada por incumbência da Comissão encarregada de erigir o Monumento, em 1867.

A consagrada ao Maestro espanhol Francisco Ansejo Barbieri, pela Assocuação Musical 24 de Junho, para comemorar a inauguração dos concertos clássicos, em 1879 e duas Medalhas Comemorativas do Centenário de Camões, em 1880.

Os seus trabalhos foram apresentados nas principais cidades da Europa e América, ganhando várias Medalhas e Distinções, dentre as quais se destaca a Medalha de Ouro da Exposição Universal de Paris.

Nos fins de 1869 o Director Geral dos Correios, Conselheiro Eduardo Lessa, notando que os selos em curso gravados por Charles Wiener, se apresentavam por vezes com falhas de impressão e coradas algumas partes de relevo, encarregou o Gravador Frederico de Campos de reformar a matriz e o punção reprodutor dos aludidos selos, sob a condição, porém, de manter a efígie existente e de conservarf o mesmo desenho sem qualquer alteração.

Embora com bastante repugnância, dispõs-se a executar o trabalho, ma slogo de início verificou a impossibildiade de o realizar em ciondições artísticas aceitáveis, e assim informou o Director da Casa da Moeda em estenso relatório depois enviado à Direcção Geral dos Correios. Aceites as suas judiciosas objecções e encarregado do desenho dum novo selo, dá-o concluído em 21 de Fevereiro de 1870.

Além do desenho e gravura do selo da emissão que acabamos de referir, desenhou e gravou ainda os selos do reinado de D. Luís I, também de relevo para as nossas Colónias de Angola (1886); Cabo Verde (1886); Índia (1886); Macau (1888); Moçambique (18886); e Timor (1887).

É também de sua autoria o desenho e a gravura do selo, tipografado, de 2 réis, emitidos em 1884.

Possuía o grau de Cavaleiro da Ordem de Isabel a Católica, de Espanha, e o Grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago. Os seus principais trabalhos foram: moeda de 10$000 réis com a efígie de D. Pedro V; uma medalinha de cera com o retrato deste monarca e do da Baviera; o retrato de Luís de Camões de mármore, em alto relevo; e cunhos para diferentes estampilhas.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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“Os Centenários”

 

Bernardo Costa, que foi Funcionário da PT, distinguiu-se como Jornalista, Músico e POeta, se fosse vivo, faria hoje 100 anos de idade.

 

BERNARDO COSTA, Jornalista, Músico e Poeta, nasceu na Rebelva (Cascais), a 30-06-1917, e faleceu em Carcavelos (Cascais), em 2009. Mas cresceu e viveu sempre em Carcavelos, onde esteve desde muito jovem, ligado às diversas colectividades locais, em especial do Grupo Sportivo de Carcavelos e da Sociedade Musical de Carcavelos, das quais foi durante muitos anos dirigente.

Já no início do Século editou um livro, intitulado “Sociedade Recreativa Musical de Carcavelos: 100 anos de história, 1901-2001”. Como Jornalista, escreveu durante muitos anos para o jornal A Zona, onde era carinhosamente conhecido como o “deão” dos Jornalistas da imprensa local, mas começou no Jornal A Nossa Terra no qual colaborou durante 20 anos, seguindo-se, o Jornal da Costa do Sol, publicações sediadas em Cascais.

De espírito arguto, nunca deixou de apontar o que considerava estar mal, pugnando pela defesa da sua terra, como poucos. Uma cidadania activa que lhe foi reconhecida quando, em 2002, a Freguesia de Carcavelos o decidiu homenagear atribuindo o seu nome a uma Rua da localidade, e assim perpetuar a sua memória.

Um reconhecimento que se juntou a outros, entretanto recebidos, entre os quais, as Medalhas de Mérito atribuídas pelas Câmaras de Cascais e Oeiras.

Iniciou-se na Música, aos 13 anos, ainda um “garoto de calções”, como ele próprio costumava dizer, na Musical de Carcavelos. Desde então integrou a Banda da Colectividade até há poucos anos atrás, devido aos problemas de mobilidade.

Poeta popular, Bernardo Costa deixa os seus poemas distribuídos pelas mãos de amigos e colegas. Tanto se podem encontrar emoldurados, em Colectividades dos Concelhos de Cascais e Oeiras, cujas actividades acompanhava, enquanto repórter, como em restaurantes e cafés ou, ainda, nas mãos dos diversos Autarcas que passaram por ambos os Municípios e por diversas Juntas de Freguesia, já que ele fazia questão de não deixar passar qualquer evento, sem o celebrar com as suas rimas.

Aposentado da PT, onde trabalhou durante mais de quatro décadas (desde os 17 anos), Bernardo foi também um amante da pesca desportiva, tendo participado em inúmeras provas.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Cascais (Freguesia de Carcavelos).

Fonte: “cyberjornal, 01 de Janeiro de 2009”

“Antoine de Saint-Exupéry, um Francês na Toponímia Portuguesa”

 

antoine-de-saint-exuperyANTOINE Jean Batiste Marie Roger de SAINT-EXUPÉRY, Aviador e Escritor,  nasceu em Lyon (França), a 29-06-1900, e faleceu na Córsega (França), a 31-07-1944. Oriundo de uma família antiga da nobreza rural. O pai, um executivo de uma companhia de seguros, faleceu em 1904 vítima de apoplexia, o que terá levado a mãe, mulher de sensibilidade artística, a mudar-se com os filhos para Le Mans, em 1909. O jovem Antoine passaria portanto os seus anos de meninice no castelo de Saint Maurice de Rémens, rodeado das atenções das irmãs, tias, primas, amas e amigas da família.

Deixaria o castelo para estudar nos colégios jesuitas de Montgré e Le Mans e, na Suíça, entre os anos de 1915 e 1917, num colégio interno dirigido por padres marianos, em Fribourg. Após ter sido reprovado no exame final dos preparatórios para a universidade, ingressou na Escola de Belas-Artes como estudante de Arquitetura.

Em 1921 começou o cumprimento do serviço militar, às ordens do Segundo Regimento de Caçadores mas, como havia antes, aos doze anos de idade embarcado pela primeira vez num avião, foi enviado para Estrasburgo com a finalidade de receber treino como piloto. Fez o seu primeiro voo desacompanhado a 9 de julho de 1921 e, no ano seguinte, com a obtenção do brevet, recebeu uma proposta de adesão à Força Aérea francesa. Acabaria por recusar, cedendo às pressões da família da sua noiva, a romancista Louise de Vilmorin, e tentou estabelecer-se em Paris, trabalhando num escritório e escrevendo em simultâneo.

A vida de aspirante a homem de família em Paris não se revelou muito proveitosa para Saint-Exupéry. Assim, após ter calcorreado sucessivos empregos, de guarda-livros a caixeiro-viajante, viu romper-se o noivado, e decidiu retomar a sua carreira na aviação.

Numa época em que a aviação postal dava os seus primeiros passos como séria concorrente às expedições por via marítima e férrea, Antoine de Saint-Exupéry passou a pertencer, com a assinatura de um contrato com a Aéropostale, ao grupo de pioneiros cuja coragem desafiava os limites da razão e da segurança, batendo recordes de velocidade para entregar o que o escritor gostava de considerar como cartas de amor.

Em 1926 publicou, na revista literária Le Navire d’Argent, o seu primeiro conto, L’Aviateur. Fazendo a ponte aérea entre a França e o Norte de África durante três anos, e escapando à morte por diversas vezes, Saint-Exupéry ascendeu, em 1928, ao cargo de diretor do aeródromo de Cap Juby, no Rio de Oro, situado no deserto do Sara. Aí, não só se sentiu fascinado pela aridez da paisagem, como encontrou tempo e disposição para escrever Courrier-Sud (1929), o seu primeiro romance, em que tratava o fracasso da sua relação com Louise contraposto à bravura dos pilotos da aviação postal.

Ainda no mesmo ano, Saint-Exupéry mudou-se para a América do Sul, onde foi nomeado diretor da companhia Aeroposta Argentina. Pilotando aviões de correio, voou através dos Andes, amealhando experiências que lhe serviram como material para o seu segundo romance, Vol de Nuit (1931, Voo na Noite), que logo se tornou um sucesso de vendas internacional, tendo ganho o prémio literário Femina e sido adaptado para cinema em 1933, com nomes como Clark Gable e Lionel Barrymore no elenco. Na obra, Rivière, um chefe de aeroporto calejado, perdeu todas as perspetivas de chegar à reforma, tendo aceite o trabalho de pilotagem de voos postais como o seu destino.

Em 1931, Antoine de Saint-Exupéry contraiu matrimónio com uma viúva, Consuelo Gómez Castillo, cujas amizades compreendiam figuras literárias como Maurice Maeterlinck e Gabriele d’Annunzio, e que viria a descrever o escritor, nas suas memórias, como uma criança ou um anjo caído do céu. Consuelo, apesar da adoração que sentia por Saint-Exupéry, viveu com ele um casamento conturbado, repleto de ausências, ciúmes e infidelidades de ambas as partes. Com o encerramento do correio aéreo na Argentina, Saint-Exupéry regressou à Europa, onde passou a fazer a ponte aérea entre Casablanca e Port Étinne, bem como a exercer a profissão de piloto de ensaios para a Air France e outras companhias de aviação. Deu contribuições para o periódico Paris-Soir e chegou mesmo a fazer a cobertura dos acontecimentos do May-Day em Moscovo e a escrever uma série de artigos sobre a Guerra Civil de Espanha.

Em 1935, aos comandos de uma aeronave experimental ao serviço da Air France, despenhou-se quando sobrevoava o Norte de África e, tendo sobrevivido, teve que caminhar pelo deserto durante alguns dias, até ter sido salvo por uma caravana. Dois anos depois, pilotando o mesmo modelo, escapou à morte com ferimentos graves quando o avião caiu sobre a Guatemala. Durante o período de convalescença, foi fortemente encorajado pelo amigo e escritor André Gide a escrever sobre a sua profissão. Terre des Hommes (Terra dos Homens) seria publicado em 1939, ano em que arrebataria os prémios da Academia Francesa para Romance e o National Book Award nos Estados Unidos.

Com a ocupação da França pelas tropas Nacional-Socialistas alemãs, em 1940, Saint-Exupéry alistou-se e, embora acabasse por ser considerado como inapto para a aviação militar por causa dos seus ferimentos, chegou a pilotar alguns voos de ousadia, que lhe valeram a condecoração Cruz de Guerra. No mês de junho do mesmo ano, e após a assinatura do armistício pelo Marechal Pétain, Saint-Exupéry mudou-se para a França livre com a irmã, de onde partiu para os Estados Unidos. Publicaria, em 1942, na cidade de Nova Iorque Pilote de Guerre, romance em que descrevia a sua fuga da pátria ocupada, e que seria banido pelas autoridades alemãs em França.

Juntar-se-ia de novo, em 1943, à Força Aérea francesa baseada no Norte de África e, depois de uma aterragem duvidosa, seria declarado pelo seu comandante como demasiado velho para pilotar. Não obstante, conseguiria posterior autorização para prosseguir os seus voos militares. No mesmo ano publicaria a sua obra mais conhecida, Le Petit Prince (O Principezinho), uma fábula infantil para adultos, traduzida para quase meia centena de línguas, das quais se inclui o Latim. O narrador da obra é um piloto que é forçado a aterrar de emergência no deserto, onde encontra um rapazinho, que se revela ser um príncipe de outro planeta. O principezinho conta-lhe as suas aventuras na Terra e fala-lhe da preciosa rosa que possui no seu astro natal. Acaba, no entanto por ficar desiludido ao saber que as rosas são bastante comuns na Terra e é aconselhado, por uma raposa do deserto, a continuar a amar a sua rosa rara. O principezinho regressa ao seu próprio planeta, tendo, contudo, encontrado um sentido para a sua vida. Descolando da ilha da Sardenha a 31 de julho de 1944, em missão de reconhecimento, Saint-Exupéry nunca chegaria ao destino no Sul de França. Restam dúvidas quanto às possibilidades de ter sido abatido, ter tido uma falha técnica ou cometido suicídio. Deixou em terra o manuscrito inacabado de La Citadelle (1948, Cidadela), em que refletia o seu crescente interesse pela política.

Em 1998, a cerca de 100 milhas marítimas ao largo da costa de Marselha, um pescador local encontrou no mar uma pulseira com o nome de Saint-Exupéry e de Consuelo Gómez Castillo, a qual suscita ainda incertezas quanto à sua autenticidade.

Obras principais: Correio Azul (1929); Voo Nocturno (1931); Piloto de Guerra (1942); e O Princezinho (1943).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Cascais (Freguesia do Estoril).

Fonte: “Antoine de Saint-Exupéry. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012”.

Fonte: “Grande Enciclopédia do Conhecimento”, (Volume 14, Pág. 2369)

Domingos Carrilho Demétrio, se fosse vivo, faria hoje 95 anos de idade, com este nome poucos serão os portugueses que sabem quem foi este senhor, mas se em em de Domingos Demétrio lhe chamar simplesmente “Patalino”, os coleccionadores dos “cromos da bola” saberão quem foi.

 

PatalinoDOMINGOS Carrilho DEMÉTRIO, conhecido por “PATALINO”, natural de Elvas, nasceu a 29-06-1922 e faleceu a 28-07-1989. Para toda a gente era o “Patalino”, alcunha porque ficou conhecido nos meios futebolísticos. Dizia-se que se devia ao seu pai, que fora um grande campeão do “Jogo da Pata” (os seus, e meus, conterrâneos ainda vivos decerto recordarão o que era este jogo). Filho do campeão do “Jogo da Pata”, o Domingos ficaria “Pata… lino” e assim continuaria afamado no futebol.

De origem humilde, era alvenéu (para quem não se recorde deste mister, significa pedreiro, o que trabalha com pedra e cal), e aos 18 anos iniciou a sua carreira futebolística no Clube de Futebol “Os Elvenses”. Dotado de alguma técnica e de grande capacidade de finalização, marcava bastantes golos na liga regional que este clube então disputava e logo captou as atenções do Sport Lisboa e Elvas (equipa mais dotada na altura) que assim o contratou em 1941. Mas seria emprestado em 1943 ao “Lanifícios de Portalegre” (?!), onde só esteve uma época, pois a filial elvense do Benfica achou que dele necessitava e fê-lo regressar no ano seguinte. Por Elvas ficou, primeiro integrando o Sport Lisboa e Elvas, de 1943 a 1947, e depois o Elvas Clube Alentejano de Desportos, a quando da criação deste novo clube na cidade e até 1952.

Nos anos em que o clube, com as duas designações, participou na 1ª divisão nacional, de 1945 a 1950, Patalino deu nas vistas a nível nacional. O seu nome ecoava por todo o país como atleta de eleição que era, notabilizando-se pela quantidade de golos que marcava. Era um futebolista com uma capacidade física impressionante, rápido e eficaz em frente às redes adversárias, com um grande poder de elevação, que lhe permitia marcar muitos golos de cabeça. Naturalmente que estas qualidades que o atleta demonstrava em campo deram nas vistas nos meios desportivos da época; e assim não demorou a ser devidamente assinalado pelos responsáveis pelo seleccionado português, e chamado a integrar a “equipa de todos nós” em vários jogos internacionais

Começou com uma chamada à selecção portuguesa que disputou em Março de 1946, num encontro com uma selecção inglesa da “Home Fleet”. Patalino alinhou no centro do ataque, tendo como companheiros Jesus Correia, Araújo, Salvador e Rogério (se bem estamos lembrados, todos nomes grandes da altura). Na crónica respeitante a este encontro, afirmava a imprensa desportiva da época: «Para Patalino, também vão os melhores elogios.

Depois foi a chamada à selecção principal em que disputaria um encontro com a Irlanda a 16 de Junho de 1946. Figurava entre os avançados famosos de então, como o Araújo, o Peyroteo, o Caiado, o Rogério, o Bentes.

Em 15 de Maio desse mesmo ano, Patalino seria titular no jogo que Portugal fez com o País de Gales. Portugal venceu o encontro por 3-2 e Patalino marcou o 1º golo português. Mais tarde, já em 1951, com “O Elvas” na segunda divisão, Patalino voltaria a ser convocado para um PortugalItália. Marcaria 2 golos num treino da selecção, mas não chegou a integrar a constituição inicial da equipa das quinas nesse encontro. Por razões várias, o clube já não tinha condições para voltar à divisão maior do nosso futebol e era “pequeno” talvez para o internacional Patalino. Assim, foi contratado em 1952 pelo Lusitano Ginásio Clube de Évora, que entretanto havia ingressado na primeira divisão. Por ali se manteve por 4 épocas, seguindo depois para Serpa, mais tarde para o Luso do Barreiro, para terminar a sua carreira no A. C. Arrentela. Como muitos outros “craques” (lembre-se Eusébio) foi terminar a carreira num clube modesto. Mas Patalino não jogava sozinho. Em desportos colectivos, como o futebol

O seu nome faz parte da Toponímia de: Elvas.

Fonte “Almanaque Alentejano, (Ano 9, 2ª Série, 2013)

Eduardo Pereira, mais conhecido como Político, foi também Desportista, se fosse vivo, faria hoje 90 anos de idade.

 

Eduardo PereiraEDUARDO Ribeiro PEREIRA, Engenheiro, Político e Desportista, natural de Sesimbra, nasceu a 27-06-1927 e faleceu a 09-05-2015. Frequentou o Ensino Primário em Sesimbra e prosseguiu o Liceu no Colégio Valsassina, em Lisboa. Concluiu a Licenciatura em Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico em 1952. Casou, em 1953, com Maria Luísa Gameiro Torres Baptista Ribeiro Pereira.

Foi praticante universirário de Rugby e de Voleibol, destacou-se ainda na prática do Atletismo no Sport Lisboa e Benfica onde, veio a ser Vice-Presidente.

Em 1953 iniciou a sua atividade como Engenheiro Civil. Desempenhou funções de direção na construção das barragens do Cabril (Rio Zêzere), Chicamba (Moçambique), Salas e Frieira (Galiza), e ainda do porto de Pipas, na Ilha Terceira, Açores.

Entre 1970 e 1972, foi Professor convidado no Instituto Superiot Técnico, de Lisboa.

De Março a Agosto de 1975 exerceu funções de Secretário de Estado da Habitação do IV Governo Provisório e em Setembro de 1975 no VI Governo Provisório. Foi Ministro da Habitação, Urbanismo e Construção do mesmo Governo em 1976.

Eleito em 1976 Deputado à Assembleia da República nas listas do Partido Socialista, pelo círculo da Guarda, foi posteriormente reeleito em 1979, 1980, 1983, 1985, 1987, 1981, 1995 e 1999 pelo círculo eleitoral de Setúbal.

Entre 1976 e 1978 desempenhou as funções de Ministro da Habitação, Urbanismo e Construção do I Governo Constitucional e, entre 1983 e 1985, Ministro da Administração Interna do IX Governo Constitucional, ambos liderados por Mário Soares.

Membro da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional entre 1991 e 2002, foi seu presidente na legislatura 1995-1999. Membro da Comissão Eventual de Acompanhamento da Situação em Timor Leste, entre 1991 e 2002.

Em 1976 foi eleito membro da Assembleia Municipal de Sesimbra e, em 1982, candidato à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa, sendo eleito Vereador.

Em 1988 foi nomeado membro do Conselho de Curadores da Fundação Oriente, cargo que desempenhou até 2003.

Eduardo Pereira, foi um Sesimbrense ilustre que protagonizou diversas causas na sua Terra, de entre as quais se destacam o apoio às ideias, projetos e respectivas obras do Porto de Abrigo, do Ginásio-Sede, e do Quartel dos Bombeiros, bem como a sua participação ao longo de décadas na direção da Liga dos Amigos de Sesimbra e como colunista do jornal “O Sesimbrense”.

Deixou a actividade parlamentar em 2002 e, em 2003, foi o primeiro Presidente da Associação dos ex-Deputados da Assembleia da República.

Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Grand-Ducal de la Couronne de Chêne, do Luxemburgo; com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, da Áustria, e com a Grã-Cruz da Ordem de Leopoldo II, da Bélgica. Foi agraciado com, a Grã-Cruz da Ordem de Mérito de Portugal, em 2007.

Fonte: “Fundação Mário Soares”

Fonte: “Assembleia Municipal de Sesimbra, Edital nº 60/2015”

“Gravadores de Selos Postais Portugueses”

cavalo-dos-ctt-antigoLouis EUGÉNE MOUCHON, Gravador, natural de Paris (França), nasceu a 30-08-1843 e faleceu a 03-03-1914. Notável medalhista, abridor de metais e gravador de pedras. Com seu pai, artista modesto, começou a aprender a arte de gravura em aço, que inicialmente lhe não proporcionou mais do que trabalhos modestos, como placas pra portas, coleiras de cães, formas de garrafas e de sabões, ferros para marcar carneiros, números para chaveiros, etc. Mais tarde fez carimbos metálicos, ferros para encadernações e punções para bijutarias; e seguidamente consagrou-se à Gravura em madeira e em talhe-doce, à fotografia e à galvanoplastia.

Mas, ainda não contente com todas estas prendas, continuou, com admirável persistência, a estudar afincadamente todas as modalidades da sua profissão, até se abalançar à gravura de medalhas.

Atingira já os 43 anos de diade, quando a apresentação de um trabalho seu neste ramo de arte, no Salon de 1887, em Paris, o consagrou definitivamente como Artista de admiráveis recursos.

Premiado em 1888 com uma Medalha de 3ª Classe, no Salão dos Artistas Franceses; em 1889 com a Medalha de Ouro na Exposição Universal de Paris; em 1894 com a Medalha de 2ª Classe e Diplomas de Honra na Exposição Internacional do Livro; e em 1900 com o Grand Prix de Gravura na Secção de Artes Decorativas da Exposição Universal de Paris.

Eugéne Mouchon sai finalmente da sombra em que vivera tantos anos e conquista de chofre, pela evidência do seu talento, o lugar de primeiro plano qaue lhe pertence entre os Artistas da sua geração.

A consagração oficial chega também com a concessão do grau de Cavaleiro da Legião de Honra, em 1895.

Eugéne Mouchon, foi um notável Gravador francês. Foi o primeiro Artista domiciliado além fronteiras que participou no fabrico de selos do Correio Português; na emissão do reinado de D. Luís I, de 1882-1883. O desagrado pelo aspecto do busto do soberano nos selos de D. Luís I, de 1880-1881, levou a Direcção dos Correios a pensar, logo em 1880, numa nova emissão. E assim, em Agosto desse ano, o Director da nossa Casa da Moeda dizia ao Chefe da Agência Financial Portuguesa, em Londres: Sendo necessário, para substituir por outras as estampilhas do Correio, uma gravura do retrato de El-Rei o Senhor D. Luís I, e não havendo actualmente em Portugal pessoa com prática de gravar no estylo typografico um retrato em miniatura com a conveniente perfeição, digne-se mandar fazer nessa cidade de Londres a referida gravura, conforme as condições indicadas no documento.

Por motivos que não foi possível apurar, a nossa Agência Financial não encontrou em Londres quem quisesse encarregar-se do trabalho, e a diligência passou a ser feitas em Paris,pelo Conde de São Miguel, ai tempo encarregado da Legação de Portugal na capital francesa.

Tendo Eugéne Mouchon, que já nessa latura fizera muitos cunhos de selos para diferentes países, aceitado o encargo, lavrou-se em Paris, me 07 de Outubro de 1880, o contrato entre o governo português, representado pelo Conde de São Miguel e o aludido Gravador.

Eugéne Mouchon comprometia-se a ter pronto dentro de três meses, peolo preço de 3.500 francos, um cunho de aço com a efígie do Rei D. Luís, gravada em estilo litográfico no círculo de 0,015 de diâmetro, rodeado de um filete, e saobresaindo sobre o fundo d etraços horizontais, à semelhança de idêntica gravura com a efígie do Rei de Itália que se juntava ao contrato.

Apesar do prazo fixado, três meses, parece que só em princípio de Março de 1881 ficou pronto o cunho com a efígie do soberano. As cerdaduras foram feiTAS em Portugal pelo Gravador Venâncio Alves. A emissão que se compôs de três valores: 5 réis (em preto cinzento); 25 réis (castanho); e 50 réis (azul escuro); entrou em circulação em 1882.

Com a mesma gravura de Mouchon se fez depois a emissão da Metrópole de 1884-1887, com cerdaduras de Azedo Gneco e de Venâncio Alves, e a emissão da Guiné, com cercadura de Azedo Gneco.

Para a segunda emissão do reinado de D. Carlos I, de novo se recorreu ao mesmo Artista. Por contrato celebrado em Paris, em 22 de Setembro de 1894, entre o Conselheiro Augusto Jos+e da Cunha, Director da Casa da Moeda, e Mouchon, encarregava-se este de executar o desenho e a gravura de 4 tipos de selos; um para Oortugal Continental, um outro para os Açores e Madeira, um para a Índia portuguesa e um quarto para as outras Colónias portuguesas. O Governo pagaria por todo o trabalho 9.100 francos, assim discriminados: desenho e gravura, em aço, do retrato do soberano; 3.500 francos; quatro relevos em cobre do retrato, desenho e gravura das quatro cercaduras diferentes; 4.800 francos; gravura em aço dos nomes das catorze colónias e territórios e dos algarismos, 800 francos.

O trabalho deve ter ficado concluído no fim de Março de 1895, e a bonita série do Rei D. Carlos para a Metrópole, desenhada e gravada por Eugéne Mouchon, veio a ser emitida em Novembro desse ano. Compunha-se de catorze taxas: 2 ½; 5; 10; 15; 20; 25; 50; 75; 80; 100; 150; 200; 300 e 500 réis, nas cores respectivamente; cinzento, laranja, verde, castanho, violeta, verde-azul, carmim, lilás, azul escuro sobre azul, castanho sobre amarelo, violeta sobre rosa, azul sobre rosa e preto sobre azul.

Em 1898, criaram-se novos valores: 65, 115, 130 e 180 réis, nas cores respectivamente azul cinzento; laranja sobre rosa, castanho sobre amarelo e ardósia sobre rosa; e mudarma-se para verde, carmim, ultramar e castanho sobre amarelo as cores dos selos das taxas de 15, 25, 50 e 75.

Com outros três desenhos e cunhos de Mouchon a que se refere o contrato acima citado, se fizeram as emissões das Ilhas Adjacentes e das Colónias seguintes: Açores (1906); Angola (1898-1901); Cabo Verde (1898-1901); Congo (1898-1910); Funchal (1897); Angra (1897); Guiné (1898-1901); Horta (1897); Inhambane (1903); Lourenço Marques (1898-1901); Macau (1898); Moçambique (1898-1901); Ponta Delgada (1897); São Tomé (1898-1901); Timor (1898-1900) e Zambézia (1898-1910).

Após a conclusão dos trabalhos para as emissões de Portugal e Colónias, do reinado de D. Carlos I, o Governo português agraciou o famoso Artista com o grau de Cavaleiro da Ordem de São Tiago, por Decreto de 02 de Maio de 1895.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

 

No dia em que o Cineasta José Fonseca e Costa faria 84 anos de idade, deixamos aqui esta pequena homenagem

 

Fonseca e CostaJOSÉ FONSECA E COSTA, realizador, nasceu em Caala (Angola), a 27-06-1933, e faleceu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a 01-11-2015. Frequentou a Escola Primária na Caala, iniciou o Liceu em Huambo, mas veio para Lisboa, aos 11 anos de idade, onde terminou o Curso Liceal (Liceu Camões; Escola Lusitânia e Colégio Académico são alguns dos estabelecimentos de ensino por onde passou.

Mais tarde ingressou na Faculdade de Direito, não tendo chegado a concluir o Curso. Começou a interessar-se pelo cinema desde jovem e fez-se sócio do Cineclube Imagem. Nos finais da década de 50, desenvolveu actividade política clandestina, tendo sido preso pela PIDE em 1957. Tentou entar para a RTP, mas, por razões políticas, o cargo de assistente de realização foi-lhe recusado. Começou a fazer estadas em Paris, onde frequentou a Cinemateca, travando conhecimento com alguns críticos dos Cahiers du Cinéma: Kast, Doniol-Valcroze, Chabrol, entre outros.

Em 1959, tentou, em vão, pôr de pé um filme adaptado do livro “Um Anjo Ancorado”, de José Cardoso Pires.

Em 1961, partiu para Itália, onde estagiou com Antonioni, na rodagem de “O Eclipse”. De regresso a Portugal, começou a realizar pequenos filmes publicitários e documentários: “Era o Vento e o Mar” (1966), “Regresso á Terra do Sol” (1967), e a “Cidade” (1968), entre tantos outros.

Em 1967, fundou a Unifilme, onde trabalhou até 1973. Crítico de cinema, colaborou em publicações como a »Imagem« e a »Seara Nova«.

Mas foi como realizador de longas-metragens que Fonseca e Costa se consagrou como figura de proa do panorama cinematográfico português. A sua filmografia inclui. “O Recado” (1971), “Os Demónios de Alcácer-Quibir” (1975), “Kilas o Mau da Fita” (1980), “Sem Sombra de Pecado” (1982), “A Balada da Praia dos Cães” (1986), “A Mulher do Próximo” (1988), “Os Cornos de Cronos” (1990), e “Cinco Dias Cinco Noites” (1996).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 170).

Fonte: “Dicionário do Cinema Português 1962-1988”, (de Jorge Leitão Ramos, Edições Caminho, Lisboa 1989, Pág. 106, 107 e 108)

Dagoberto Markl, se fosse vivo, faria hoje 78 anos de idade.

Dagoberto Markl, não foi, apenas, o pai de Nuno Markl, Dagoberto Markl foi Historiador, Jornalista, Museólogo, Dirigente Associativo e um Mestre de Xadrez.

 

Dagoberto MarklDAGOBERTO Lobato MARKL natural de Lisboa, nasceu a 27-06-1939 e faleceu a 04-04-2010. Historiador, Museólogo, Escritor, Jornalista e Dirigente Associativo. Membro do Partido Comunista Português, estava organizado na célula do Património do Sector Intelectual de Lisboa. Em nota enviada ao Avante!, a Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP lembra o «comunista convicto», o «ser humano que se afirmava pela nobreza de carácter e pela simplicidade que só os grandes praticam», e o «intelectual desassombrado, que não hesitava em pôr em causa as verdades instituídas, mantendo-se sempre fiel às suas convicções».

Nascido a 27 de Junho de 1939, Dagoberto Markl era Historiador de Arte e membro da Academia Nacional de Belas Artes. Autor de muitos trabalhos de investigação, colaborou nas mais recentes publicações de História e História de Arte, sendo um dos colaboradores do Dictiomary of Art, publicado em Londres. Em 1984 foi distinguido com o Prémio José de Figueiredo da Academia Nacional de Belas Artes, e em 1989 faz no Centro de Trabalho Vitória uma comunicação sobre as fontes iconográficas da obra de Gil Vicente, destaca a DORL. Colaborou assiduamente com o jornal O Diário, e com as revistas Vértice e O Militante.

Apaixonado pelo Xadrez, Daboberto Markl foi, para além de praticante daquela modalidade e dirigente do Grupo de Xadrez Alekhine, responsável pela publicação de várias obras sobre a matéria, impulsionador em Portugal do Dia Mundial do Xadrez e o dinamizador da Comissão de História da Federação Portuguesa de Xadrez.

Fonte: “Jornal Avante”

Fonte: “Jornal Expresso”

Francisco Nicholson, o grande Homem do Teatro, se fosse vivo, faria hoje 79 anos de idade.

 

Francisco NicholsonFRANCISCO António de Vasconcelos NICHOLSON, Actor e Encenador, natural de Lisboa, nasceu a 26-06-1938 e faleceu a 12-04-2016. Filho de pai inglês, o pai foi um dos responsáveis pela Automática Eléctricas Portuguesa (AEP). A mãe, doméstica, acabou por começar a trabalhar também no teatro, depois da morte do pai de Francisco Nicholson — foi nessa altura que trabalhou em guarda-roupas, nos bastidores.

Actor e Escritor, foi um nome fundamental do Teatro e da Televisão portuguesa, teve uma carreira entre o cinema e a música.

Estudou em Paris, onde frequentou a Academia Charles Dullin, do Théatre Nacional Populaire, privando com grandes nomes do Teatro francês, como Jean Vilar, Georges Wilson, Gerard Philipe. Regressou a Portugal em 1960 e passou pelo Conservatório mas só durante três meses — abandonou depois de um desentendimento com uma colega.

Francisco Nicholson começou a fazer teatro aos 14 anos, no antigo Liceu Camões, sob direção do encenador e poeta António Manuel Couto Viana, a convite do qual veio a pertencer ao Grupo da Mocidade, que integrou com, entre outros, Rui Mendes, Morais e Castro, Catarina Avelar e Mário Pereira.

Até aos 21 anos esteve entre os palcos, os Estudos e a Marinha Mercante. Dedicou-se depois ao Teatro de corpo inteiro. Recordou esses tempos em entrevista à revista Sábado em 2014: “Naquela altura ninguém queria. Os meus pais exigiram que eu tirasse um curso. Quando tivesse 21 anos podia seguir o que quisesse. De maneira que fui para a Marinha Mercante, tirei o curso de pilotagem e embarquei. Aos 19 anos, era oficial e dava ordens aos marinheiros barbudos, mas não podia ter autoridade sobre mim”.

Foi também figura importante das primeiras décadas da Televisão Portuguesa. Em 1964 fez parte de “Riso e Ritmo”, enquanto Actor mas também assinando a autoria e cumprindo as funções de Produtor. O papel de Director em Televisão desempenhou-o em diferentes ocasiões mas ficaria também na história como autor de novelas, especialmente a primeira do género produzida em Portugal, “Vila Faia”, em 1982, que criou em conjunto com o colega de profissão e amigo Nicolau Breyner. “Origens”, “Cinzas”, “Os Lobos” ou “O Olhar da Serpente” contaram também com a assinatura de Francisco Nicholson.

Ainda entre os palcos e a televisão, foi um dos autores do tema “Oração”, com que António Calvário ganhou a primeira edição do Grande Prémio TV da Canção. A música foi, aliás, outra das suas áreas de trabalho, muitas vezes participando em concursos e festivais, com o da Figueira da Foz, que ganhou em duas ocasiões, e até nas Marchas de Lisboa, onde foi distinguido como autor em três edições.

Em 2014 estreou-se nos romances, ao lançar Os Mortos não dão Autógrafos (Esfera dos Livros). Dizia nessa altura, na mesma entrevista à Sábado: “É uma aventura que me rejuvenesce. Agora só me faltava ganhar o prémio revelação. Há 50 anos já tinha amigos poetas a dizerem-me para fazer um romance”.

Fonte: “Jornal Observador”

Fonte: “Jornal Expresso”

Manuel Bento, um dos melhores Guarda-Redes portugueses, se fosse vivo, faria hoje 69 anos de idade.

 

Manuel BentoMANUEL Galrinho BENTO, nasceu na Golegã, a 25-06-1948, e faleceu no Barreiro, a 01-03-2007. Começou a jogar futebol aos 15 anos de idade, no Riachense, passando também pelo Goleganense.

O primeiro clube a descobrir os dotes do miúdo de então, foi o Sporting Clube Portugal, clube onde Manuel Galrinho Bento esteve durante uns meses a treinar à experiência, mas na altura não lhe agradou os ares de Alvalade e regressou a Golegã.

De regresso ao Goleganense, eis que surge o convite do primo-divisionário Futebol Clube Barreirense, na altura, fala-se que o FCB teve de pagar 10 contos ao Goleganense e 1 Jogo entre as duas equipas na Golegã, pelo passe de Manuel Galrinho Bento.

Eis então que Manuel Galrinho Bento, em 1967, com a idade de ainda júnior se transfere de armas e bagagens para o Barreiro, para representar o nosso Barreirense. Foi o Barreiro a localidade que o acolheu, e foi o Barreiro que o ribatejano Manuel Galrinho Bento escolheu para residir, formar família, criar raízes e onde residiu até ao final da sua vida.

Estávamos em 1967, quando se estreou na 1ª Divisão Nacional com apenas 19 anos, pelo Futebol Clube Barreirense, clube que viria a representar durante 5 Épocas (67-68, 68-69,69-70,70-71 e 71-72). No Futebol Clube Barreirense em 1967/68 venceu a Taça Ribeiro dos Reis, em 1968/69 obteve a melhor classificação de sempre do Barreirense um 4º lugar e respectivo acesso à competição europeia Taça Uefa (Taça das Feiras), em 1969/70 esteve na estreia do Futebol Clube Barreirense nas competições europeias num célebre Barreirense – 2 Dinamo Zagrev – 0, disputado no Estádio Manuel de Melo completamente repleto, e nessa época ainda ganha a Baliza de Prata (Troféu do GR menos batido do Campeonato Nacional da 1ª Divisão).

Foi também no Barreirense e no Estádio D. Manuel de Melo que o Guarda-Redes Manuel Galrinho Bento, num jogo da 1ª Divisão se estreou a marcar, num fantástico golo de baliza a baliza, num Barreirense – Académica de Coimbra, surpreendendo o então Guarda-Redes academista Melo.

Foi ainda no Barreirense, que Manuel Bento foi convocado e jogou pela Selecção Mundial (substituindo o famoso Guarda-Redes de então YASHYN ) num jogo transmitido pela Televisão para todo o Mundo, e que alem da Grande exibição que efectuou, levou o seu nome e o nome do Futebol Clube Barreirense a ser visto e falado em todo o Mundo.

Foi no Futebol Clube Barreirense que o miúdo Bento, cresceu como Homem e como Jogador, e tornou-se um Guarda-Redes de Eleição.

Após 5 épocas de grande sucesso no Barreirense e ao mais alto nível, surge o interesse do grande Sport Lisboa e Benfica, clube onde ingressou na época de 1972/73, e onde permaneceu 20 épocas como jogador, tendo no Sport Lisboa e Benfica terminado a sua carreira como Jogador em 1992.

Nas suas primeiras 3 épocas no Benfica disputou e repartiu a baliza encarnada com José Henriques, vindo a assumir definitivamente a titularidade em 1975 e nesse mesmo ano conquistou a titularidade da Selecção Nacional. Em 1977 foi considerado o Futebolista do Ano.

Esteve em 1 Campeonato do Mundo e 1 Campeonato Europeu, pela Selecção Nacional. Foram 20 anos de Benfica, como jogador. Foi no Benfica que o Guarda-Redes de Eleição Manuel Galrinho Bento se transformou num dos maiores Guarda-Redes Portugueses de sempre, e um dos Melhores Guarda-Redes Mundiais.

Depois de terminada a carreira como Jogador fica ligado ao Futebol do Benfica como Treinador, primeiro como Treinador de Guarda-Redes no Benfica, posteriormente ainda teve experiências como Treinador Principal em Leça, no União de Coimbra e na Amora, mas acabou regressando à Luz onde trabalhava na formação das camadas jovens do Clube.

Manuel Bento, teve 63 Internacionalizaçoes pela Selecção Nacional AA; 10 Campeonatos Nacionais. 6 Taças de Portugal. 3 Super Taças de Portugal. 1 Taça Ribeiro dos Reis. Futebolista do Ano em 1977. Capitão do Sport Lisboa e Benfica. Capitão da Selecção Nacional.

Manuel Bento foi contratado pelo Benfica na temporada de 1972-1973, permanecendo na Luz durante dezoito épocas, onze das quais como titular indiscutível. Conquistou oito campeonatos, seis Taças de Portugal e duas Supertaças Cândido de Oliveira. Participou ainda na final da Taça UEFA que o Benfica perdeu em 1982-1983. Jogou em 611  partidas pelos encarnados sofrendo 447 golos. Foi 63 vezes internacional por Portugal. Manuel Bento foi considerado o melhor guarda-redes de todos os tempos.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Barreiro (Freguesia de Santo António da Charneca)

Fonte: “Futebol Clube Barreirense”

Fonte: “Spor Lisboa e Benfica”