“Quem Foi Quem na Toponínia da Horta (Ilha do Faial – Açores”

 

Câmara Municipal de HortaSILVINA Carmen FURTADO DE SOUSA, Poetisa e Professora, natural da Horta, nasceu a 19-01-1877 e faleceu a 06-09-1973. Poetisa açoriana, usou o pseudónimo de Iracema. A geração açoriana a que pertenceu surgiu, pela última década do Século XIX, sob a influência quer, ainda, do parnasianismo, quer, já, do decadentismo e do simbolismo.

Silvina de Sousa, como Osório Goulart ou, mais próximo etariamente, Manuel Greaves, foi mais sensível à lição parnasiana, posto que, muito esporadicamente e quase só sob influência de Roberto de Mesquita, o mais importante poeta daquela geração, não deixasse de se aproximar um pouco (mas, de facto, muito pouco) do imaginário simbolista, quanto à verbalização do sentimento da Natureza. O tópico da Ilusão/Desengano e expressões do género “enervam-me as cidades tumultuosas”, sugerem, por sua vez, leituras de Antero e de Cesário Verde, respectivamente.

Cultivou o soneto com fluência e apreciável cuidado formal. Também se dedicou à música (como pianista) e à pintura. Obra: Saudade, (com prefácio de Ruy Galvão de Carvalho, 1960).

Em 1967, foi-lhe atribuído o 1.º prémio na modalidade de soneto, nos Jogos Florais «Açores, 1967» (Telégrafo (O), 1967).

Em 1965, foi galardoada com as insígnias de Cavaleiro da Ordem de Instrução Pública e na casa onde viveu, foi colocada uma lápide com a inscrição: «Silvina Furtado de Sousa / ?Iracema? / Aqui viveu e ensinou / 21.8.1965», entretanto desaparecida.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Horta (Rua Silvina Furtado de Sousa).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. III, Organizado pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro; Coordenação de Eugénio Lisboa, Publicado por Publicações Europa América, Edição de 1994, Pág. 197 e 198)

Fonte: “Direcção Regional da Cultura”

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Recordamos hoje, um Editor de referência no panorama português, Rogério de Moura que faria hoje 93 anos de idade.

 

Rogério de MouraROGÉRIO Mendes DE MOURA, Editor, natural de Lisboa, nasceu a 20-09-1925 e faleceu a 25-11-2008. Era filho de Gil Mendes de Moura e de Elisa da Conceição Santos Moura. Em 1932 entra para a Escola Primária, no Colégio Figueiredo, em 1936 entra no Liceu Pedro Nunes. Aos 15 anos, Rogério de Moura já organizava Bibliotecas nas Sociedades Recreativas e, dois anos depois, em 1942, dinamizava a Universidade Popular em Campo de Ourique, em conjunto com os seus irmãos Rui e Mário.

Em 1941, num encontro cultural em casa de seus pais, a PIDE prende todos os presentes. Em 1942 inicia com seus irmãos a dinamização da Universidade Popular, realizando conferências e cursos. Com a participação de Keil do Amaral, Bento de Jesus Caraça, Flausino Torres, Huertas Lobo, Ferreira de Macedo, etc. Intervenção da PIDE e novos interrogatórios. Em 1943 dá início à colaboração activa com Agostinho da Silva numa campanha de alfabetização, junto das colectividades recreativas e, nova intervenção da PIDE. Em 1944 começa a trabalhar numa Comissão Reguladora de Abastecimento e no escritório de exportações e importações de seu pai. Faz tropa em Cascais, no Grupo de Artilharia, faz parte do MUD Juvenil e da campanha de apoio à candidatura de Norton de Matos. Rogério Mendes de Moura, fundador da Editora Livros Horizonte, morreu ontem em Lisboa, aos 83 anos, disse hoje fonte da editora.

Rogério de Moura constitui-se também como o mais importante editor nacional de livros de educação física e desporto. Na coleção Cultura Física, coordenada por Alfredo Melo de Carvalho, foram editados 50 títulos, muitos de referência obrigatória de estudo e de consulta e, de 1985 a 2006, publicou a revista de educação física e desporto Horizonte, dirigida por José Teotónio Lima, com cerca de 630 autores, periódico que manteve até ao limite de ser insustentável financeiramente.

Aos 20 anos, Rogério de Moura adere ao MUD Juvenil e, passados quatros anos integra a campanha da candidatura presidencial de Norton de Matos, experiência que repetiu em 1958 para a de Humberto Delgado, justificando que «Havia uma ânsia de saber tudo. Porque era tudo proibido, três pessoas numa esquina a conversarem já era suspeito» e pormenorizando «Dizia-se por graça que eram proibidos ajuntamentos com mais de uma pessoa. Mas houve um despertar de consciências e tudo isso marcou depois a nossa actividade profissional». Rogério de Moura sublinha a necessidade da memória desses tempos com o reparo de que «Pena que em Portugal se publiquem poucas memórias e biografias. É importante sabermos como era o país. Daqui a 20 anos, já ninguém se lembra. Não bastam os monumentos, há uma memória coletiva, de identidade, que faz falta se não ficar escrita».

Rogério de Moura foi um Editor de referência desde que em 1953 fundou a Editora Livros Horizonte, a partir da qual lançou obras fundamentais da História de Arte portuguesa e uma nova coleção de História de Portugal que publicou o trabalho desenvolvido por nomes marcantes como Rui Mário Gonçalves, José-Augusto França, Vitorino Magalhães Godinho, Orlando Ribeiro, Joel Serrão e Oliveira Marques.

Rogério Moura era Licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa. Em 2003, foi condecorado pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio. Em 2006, a União dos Editores Portugueses atribuiu-lhe o Prémio Carreira – Fahrenheit 451.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital 41/2013, de 02 de Agosto de 2013).

Fonte: “Agência Lusa”

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa”

“RUAS QUE JÁ TIVERAM OUTROS NOMES”

 

Câmara Municipal de LisboaA actual Rua das Francesinhas, na Freguesia da Estrela, em Lisboa, Designou-se por Caminho Novo até ao último quartel do Século XIX. Mas por deliberação camarária de 30/12/1893 e Edital de 26/01/1894 o Caminho Novo passou a denominar-se Rua João das Regras.

Depois, já no Século XX, o Edital Municipal de 28/08/1950 introduziu na zona a Rua do Quelhas e a Rua João das Regras cedeu o lugar à Rua das Francesinhas, em memória do Convento que ali existira, passando o topónimo Rua João das Regras para perto da Praça da Figueira.

Nesta Rua (das Francesinhas) existia uma Esquadra de Polícia, que durante muitos anos, apesar de estar na Rua das Francesinhas, era conhecida pelo no antigo de Esquadra do Caminho Novo.

Existiu, também, uma espéci de Parque Sanitário da Direcção-Geral de Saúde, com um posto de Desinfecção Pública, onde se tomavam as vacinas.

“Quem Foi Quem na Toponímia de Guimarães”

 

Câmara Municipal de GuimarãesCONDESSA MUMADONA DIAS. Fundadora de Guimarães. (Século X). Parente de Ramiro II, Era filha dos condes  Diogo Fernandes e Onega. Em 20-02-926 já estava casada com o conde Hermenegildo (ou Mendo) Gonçalves, de quem teve seis filhos; o primogénito, Gonçalo Mendes, foi o tronco dos condes portugalenses. Em 24-07-950 já era viúva, fundou nesse ano o Mosteiro de São Memede, ao qual se viria a acolher, e o Castelo de São Mamede, à sombra dos quais se formou o burgo depois chamado Guimarães. Os seus domínios estendiam-se desde Coimbra e Aveiro até à Galiza e desde o litoral até ao Soajo e além do Tâmega, sendo a personagem mais poderosa no Noroeste peninsular na segunda metade do Séc. X, ainda vivia em 992.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Felgueiras (Cidade de Felgueiras e Freguesia de Friande); Guimarães (Cidade de Guimarães e Freguesia de Gondomar); Santo Tirso (Freguesia de São Tomé de Negrelos).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 378 e 379).

Recordamos hoje, Maria Rosa Colaço, Escritora e Professora, no dia em que faria 83 anos de idade

 

Maria Rosa ColaçoMARIA ROSA Parreira COLAÇO Malaquias de Lemos, Escritora e Professora, nasceu na Freguesia do Torrão (Alcácer do Sal), a 19-09-1935, e faleceu em Lisboa, a 13-10-2004. Fez o Curso de Enfermagem no Instituto Rockfeller e o Curso do Magistério  de Évora, tendo sido Professora em África e, mais tarde, em Almada, defendendo, sempre, a importância da leitura no desenvolvimento e educação da criança.

Ficcionista e poeta, Maria Rosa Colaço começou por afirmar-se profissionalmente como professora, nomeadamente na capital de Moçambique, tendo a sua prática de uma pedagogia da afectividade resultado no volume A Criança e a Vida (1963), colectânea de textos poéticos feitos por crianças socialmente desfavorecidas, alunos da autora.

Maria Rosa Colaço regressou a Portugal Continental quatro anos depois da independência de Moçambique. E foi, precisamente, em Moçambique que editou o livro que lhe marcou a carreira, feito com base nas redacções dos seus alunos de Cacilhas: “A Criança e a Vida”. Sobre este livro, o académico Urbano tavares Rodrigues disse tratar-se de um autêntico “milagre de pedagogia poética”. Ao deixar que as palavras das crianças falassem por si, a escritora tornou-se tamb´me numa das pioneiras das produções literárias infantis em língua portuguesa.

A sua obra tem-se desenvolvido em duas vertentes: a de autora de obras para a juventude, onde conta já mais de uma dezena de títulos e alguns prémios, e a de cronista do social e do quotidiano, que tem exercitado, não só em crónicas (a autora tem, aliás, uma coluna semanal no jornal A Capital), mas também em contos e romance, os temas da infância e da sua necessidade de afecto e apoio, das personagens que partem de um mundo rural alentejano para a cidade, à conquista de um conhecimento que se transforma numa mais valia social e humana mas também num factor de irreversível desenraizamento. O desenraizamento e a luta para poder criar raízes, florescer e frutificar numa sociedade muitas vezes adversa pode também servir de imagem às personagens femininas da autora, nomeadamente no seu livro de contos Há Muitas Mulheres Assim (1994). Ganhou o Prémio Soeiro Pereira Gomes pelo livro “Gaivota” (1982), o Prémio Revelação de Teatro, por “A Outra Margem” (1958).

Foi ainda, durante 12 anos, Assessora na RTP do Professor António Reis, sendo autora de programas infantis (“Eu Sou Capaz” e “Como É, Como Se Faz, Para Que Serve”). Tirou o Curso de Guionismo e escreveu vários guiões, muitos dos quais ainda não foram realizados.

Obras principais: A Criança e a Vida, Colectânea, 1963; É Preciso Uma Flor, contos, 1964; O Tempo e a Voz, crónicas, 1971; Estas Crianças Aqui (com Eduardo Gageiro e Tossan), textos, 1979; Não Só Quem Nos Odeia, romance, 1986; Há Outras Mulheres Assim, contos, 1994; A Palavra Iluminada, poesia, 1994; Maria Tonta Como Eu, novela, 1983; Aventuras de João-Flor e de Joana-Amor, conto, 1985; Os Amigos Voltam Sempre, novela, 1989; Aventura Com Asas, contos, 1989; O Pássaro Branco (Prémio Nacional de Educação pela Arte), teatro, 1989; Ela Ainda Mora Aqui?, crónicas, 1998.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Alcácer do Sal (Freguesia do Torrão); Évora; Oeiras (Freguesia de Oeiras); Seixal (Freguesia de Corroios).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. VI, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Publicações Europa América, Pág. 325 e 326).

Fonte: “Homens e Mulheres Vinculados às Terras de Almada, Nas Artes, nas Letras e nas Ciências” (De Romeu Correia, Edição da Câmara Municipal de Almada, 1978, Pág. 107, 108, 109 e 110)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 157).

“Quem Foi Quem na Toponímia da Guarda”

 

Câmara Municipal de GuardaEVARISTO Marques Ferraz FRANCO, Médico e Escritor, nasceu na Guarda, a 05-09-1902, e faleceu em Lisboa, a 23-10-1971. Eta filho de João Francisco Franco, e era irmão do, também, Médico, Alfredo Franco, tinha consultório no Chiado, onde era muito considerado.

Publicou, entre outras, as seguintes obras: Tratado das Doenças de Estômago, (2 volumes, 1947); Doenças dos Intestinos, (1952); Doenças do Fígado e das Vias Biliares, (1955); O Tratamento da Ulcera Gastro-duodenal – Revisão dos Métodos Terapêuticos, (1959); Glórias da Medicina Portuguesa, (1949); Calvários da Vida Médica, (1953); e Homens de Fé, (1959); Batas Brabcas – Cenas da Vida dos Médicos.

Pertenceu ao conselho de redacção do Jornal do Médico, onde também colaborou.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Guarda (Rua Doutor Evaristo Franco).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 785)

Recordamos hoje, Augusto Fraga, Cineasta e Jornalista, no dia em que passa mais um aniversário do seu nascimento.

 

Augusto FragaAUGUSTO FRAGA, Cineasta e Jornalista, natural de Lisboa, nasceu a 18-09-1910 e faleceu a 06-01-2000. Aluno externo da Casa Pia de Lisboa, Jornalista de O Século e de A Tribuna, Actor e Realizador Cinematográfico. Foi Director da Revisra O Cinéfilo. Foi casado com a Actriz Camén Mendes.

Colaborou nas revistas “Cinéfilo”, de que veio a ser director, “Imagem” e “Animatógrafo”. Foi redactor do Jornal “O Século”. Trabalhou com Chianca de Garcia, Artur Duarte e L Vadja e participou, como actor, em filmes como “Cantiga da Rua”, “Sonhar é Fácil”, “Mañana” e “Hoye Parabens, Senhor Vicente”.

Iniciou-se no Cinema em 1935, como Assistente de Montagem de “As Pupilas do Senhor Reitor”, de Leitão de Barros. Trabalhou com Chianca de Garcia, como Assistente de Montagem em 1936, do filme “O Trevo de Quatro Folhas”, Realizador com o qual veio a colaborar, em 1938, na escrita do argumento de “A Rosa do Adro”.

Em 1947 assinou uma série de curtas-metragens com fados  de Amália Rodrigues e, ainda nesse ano, iniciou uma breve carreira de Actor, participando em cinco filmes: Viela – Rua Sem Sol (de Ladislao Vajda, 1947); Mañana como Hoy (de Marianoa Pombo, 1947); Cantiga da Rua (de Henrique Campos, 1949); Sonhar É Fácil (de Perdigão Queiroga, 1950);Parabéns, Senhor Vicente (de Artur Duarte, 1954).

Dirigiu documentários como “Portugal, Oito Séculos de História”, em 1940 e “Angola”, produzido pelo Secretariado da Propaganda Nacional e integrado nas Festas Centenárias de Angola, em 1961.

Foi Assistente de Realização de Artur Duarte em “A Garça e a Serpente”, em 1952; e em “O Noivo das Caldas”, em 1956; Assistente-Geral em “Os Três da Vida Airada”, de Perdigão Queiroga, em 1952; “Duas Causas”, de Henrique de Campos, em 1952; e “Rosa de Alfama”, de Henrique de Campos, em 1953.

Realizou o primeiro filme português a cores, “Sangue Toureiro”, em 1958, a que se seguiram “O Tarzan do Quinto Esquerdo”, em 1959 e, “Passarinho da Ribeira”, em 1961, obteve o Grande Prémio do SNI.

No ano de 1976, já distante das actividades cinematográficas, o nome de Augusto Fraga começa a aparecer integrado nas parcerias das revistas do Teatro Maria Vitória. Algumas delas, que ajudou a escrveer, foram: “O Bombo da Festa”, de 1976, em colaboração com Henrique Santana; Rogétio Bracinha e Eugénio Salvador; “Alto e Para O Baile”, com Henrique Santana e Eugénio Salvador; em 1977, “Aldeia da Roupa Suja”, em 1978, de colaboração com César de Oliveira e Rogério Bracinha, estreada no Teatro Variedades; “E Tudo São Bento Levou”, estredada no mesmo ano no Teatro Maria Vitória, escrieta em parceria com Henrique Santana, Rogério Bracinha e Eugénio Salvador; “Real Capitão Soldado Ladrão”, com os mesmos e César de Oliveira, em 1979; “Mais Vale Sá Que Mal Acomp+anhado”, com os mesmos, excepto Eugénio Salvador; em 1980 “Ó Patego,Olha o Balão”, com os mesmos; em 1980; “Não Há Nada para Ninguém, da mesma parceria; em 1981, “Sem Reu Nem Rock, da mesma parceria; em 1982, “Quem me Acaba o Resto”, e ainda, em 1983, “O Bem Tramado”, revista também com a mesma parceia, estreada no Teatro Maria Vitória, em 1984.

O seu nome faz parte da Toponímia de Oeiras (Freguesia de Queijas) e Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Coordenação de Ilídio Rocha, Editado por Publicações Europa América, Edição de Março de 1998, Pág. 420 e 421)

Fonte: “Dicionário de Autores Casapianos”, (de António Bernardo e José dos Santos Pinto, Biblioteca-Museu Luz Soriano, Ateneu Casapiano, Lisboa, Edição de 1982, Pág. 102)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 230).

Fonte: “O Grande Livro do Espectáculo – Personalidades Artísticas do Século XX”, (de Luciano Reis, 2º Volume, Editora Fonte da Palavra, 1ª Edição de Fevereiro de 2011, Pág. 54 e 55)

“Quem Foi Quem na Toponímia de Grândola”

 

Câmara Municipal de GrândolaIVONE CHINITA, Escritora, nasceu em Grândola, em 1949, e faleceu, de acidente de viação, em Espanha, em 1983. Ivone Chinita era Agente de Educação e Economia Familiar (Orientadora de Cursos de Extensão Familiar em Trás–os–Montes, Alentejo e Açores), mas destacou-se sobretudo como escritora e poeta. Motivos de ordem profissional levaram-na a fixar-se na ilha Terceira, no final dos anos 60, onde concretizou uma notória intervenção sócio-cultural e literária, integrada no grupo de intelectuais de Angra desse tempo e a que pertencia o poeta J. H. Santos Barros, com quem casou e com quem viria a falecer num acidente de viação em Espanha.

Regressou ao Continente, oito anos antes da sua trágica morte. (Morreram ambos em Espanha, em 1983, num grave acidente de automóvel, deixando duas filhas pequenas).

É autora de uma escrita marcada por uma atenção ao universo da mulher e numa óptica de afirmação feminina perante o mundo e os seus problemas, e em que o intuito denunciador e interventivo se serve de uma linguagem directa e violenta, retoricamente despojada. Os livros de 1979 e 1980 atestam um registo lírico e intimista mais envolvente, sem anularem a particularidade desse olhar crítico.

Estreou-se poeticamente com Digo Fome (1970) a que se seguiram Relatório Fragmentado (1974, prosa) e, já em Lisboa, Mulher em Horas de Ponta (1979, prosa) e Outra Versão da Casa (1980).

Publicado já postumamente, Peste Malina (1983) reúne treze depoimentos de mulheres de diferentes estratos sociais e regiões (mais um texto da própria autora), de que ressaltam três grandes núcleos temáticos: a infância e a adolescência, a sexualidade e as transformações operadas pelo 25 de Abril na vida da mulher.

Para o teatro escreveu A Espera, longo monólogo de uma camponesa alentejana e que integrou a peça “Tudo bem?” – reflexões acerca do homem novo, levada à cena em Lisboa pelo grupo de teatro A Barraca (texto publicado no jornal Açores, 6.1.1983).

Por iniciativa de Núcleo de Grândola da Associação José Afonso teve lugar, em Junho de 2014, naquela vila simbólica do Alentejo, um tributo à poeta e militante da BASE-FUT Ivone Chinita. A homenagem, no Cine Teatro Grandolense, incluiu depoimentos de Cesário Borga, José Horta e António Chaínho e um concerto com a participação de Vítor sarmento, Alexandre Dale e Grupo Coral Coop.

Obras princiapis: (1970), Digo Fome. Angra do Heroísmo, Gávea-Glacial. (1974), Relatório Fragmentado. Angra do Heroísmo, Degrau. (1979), Mulher em Horas de Ponta. Lisboa, Ed. Maria da Fonte. (1980), Outra Versão da Casa. Lisboa, Ed. Base. (1983) Peste Malina. Lisboa, Ulmeiro. (1983) A Espera. Açores, Ponta Delgada, 6 de Janeiro.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Angra do Heroísmo; Grândola (Rua Ivone Chinita).

Fonte: “Antifascistas da Resistência”, (por Helena Pato)

Recordamos hoje, Eduardo Elias Mafra, um Ceramista e Miniaturista, que deixou marca.

 

Eduardo Mafra EliasEDUARDO MAFRA ELIAS, Ceramista e Miniaturista, natural das Caldas da Rainha, nasceu a 17-09-1880 e faleceu em 1949. Era filho de António Elias dos Santos e de Mariana da Conceição Mafra, meia irmã de Manuel Ciprinao Gomes Mafra, nome incontornável da Cerâmica. Casou com Lucinda Pereira Neves, filha de Joaquim Pereira Neves (O Cartaxo), 1853-1928, de quem teve um filho, Eduardo Neves Elias, que foi seu colaborador na Arte da Miniatura, Pertenceu a uma geração de ceramistas muito conhecidos, sendo sobrinho de Francisco Elias e pai de Eduardo Elias.

Frequentou a então chamada Escola de Desenho Industrial Rainha D. Leonor, onde concluiu o curso em 1900. De 1896 a 1908 trabalhou como modelador na cerâmica artística de José Alves Cunha, de onde saiu para a Fábrica de Frederico Pinto Basto, onde trabalhou na Escultura de imagens de barro até 1909. Aprendeu Desenho com Eduardo Gonçalves Neves e Escultura com Josef Fuller.

Quando do encerramento desta fábrica voltou à anterior, na categoria de gerente e director artístico, onde se manteve até 1917. Desde essa data passou a trabalhar em “atelier” próprio, dedicando-se ao trabalho de miniatura, o que já anteriormente fazia por encomenda para presépios. A maioria são obras de inspiração original, tendo no entanto passado para o barro algumas cópias de quadros, entre eles de Malhoa e de Murillo.

De todas as suas obras as mais significativas são: A Última Ceia de Cristo, Descimento da Cruz, Amor de Perdição (inspirado na obra homónima de Camilo Castelo Branco) e D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir.

Realizou diversas exposições individuais e concorreu a outras onde obteve diversos prémios. Realizou também em grande vulto imagens na fábrica dos Bogalhos e de 1929 a 1931 executou, com a colaboração do 21, 21 quadros em baixo-relevo, representando os Passos da Vida de Cristo, que ornam a Igreja Paroquial do Souto da Carpalhosa.

Na exposição de 1927 das Caldas da Rainha foi premiado com as Medalhas de Ouro e de Prata.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Caldas da Rainha (Rua Eduardo Mafra Elias).

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 15, Pág. 886)

“Quem Foi Quem na Toponímia de Gouveia”

 

Câmara Municipal de GouveiaEULÁLIA MENDES, Política, nasceu em Gouveia, a 30-04-1910, e faleceu em Varsóvia (Polónia), em 2004. Era filha de um Oprerário e de uma Doméstica. Eulália Mendes foi uma das maiores activistas na luta do Movimento Operário imigrante nos Estados Unidos da América. Em 1953 o regime fascista português impediu o seu regresso à Pátria.

A militância politica anarco-sindicalista do seu progenitor, e a pequenez do meio empurram a família para a emigração, em 1912, após uma vaga repressiva que recaiu sobre o operariado da região.

O casal parte em 1912, levando a filha Eulália com dois anos e um outro filho pouco mais velho.O destino original seria o Brasil mas, por razões relacionadas com tempo de espera e razões porventura financeiras, optaram pelo barco que já estava no Tejo e partiram em direcção a Nova Iorque.

Depois, Eulália Mendes frequenta durante poucos meses a Escola Primária em Boston onde os seus pais se radicaram. Aos seis anos como todas as crianças da sua condição, vê-se empregada numa das fábricas. A indústria têxtil americana, sobretudo na costa leste, cresceu à custa da guerra primeira guerra mudial que devastava a Europa, e o trabalho e a exploração infantil eram vistos com naturalidade pela sociedade norte americana.

Eulália, de corpo franzino, revela-se demasiado pequena para trabalhar nos teares e consegue tornar-se ajudante administrativa. Depressa se confronta com a necessidade da luta. Entre os teares e as sirenes da fábrica a criança frágil dá lugar à mulher inteligente e combativa.

Cedo percebe a injustiça da realidade laboral norte-americana. Cedo aprende a necessidade da luta organizada e consequente.

Em 1928, com algumas noções do sindicalismo aprendidas em casa e com um dia-a-dia que não lhe permitia outra escolha, aos 18 anos, dirige uma greve. Organiza a greve das operarias têxteis que fizeram parar as fábricas pelo mais longo período de que há memória: seis meses.

Após a II Guerra Mundial, começam naquele país as perseguições aos comunistas e aos democratas. Eulália Mendes – conhecida como activista sindical e membro do Partido Comunista Americano – é então perseguida e impedida de trabalhar. Em Maio de 1953, sob o pretexto de não ser americana, acabaria por ser expulsa dos EUA. O fascismo português impediu o seu regresso à pátria. Sem família em Portugal, é com a ajuda do PCP que acaba por ir viver para Varsóvia (Polónia), onde veio a falecer.

A vida de Eulália Mendes está perpetuada em documentários e em estudos universitários de investigadores norte-americanos.

Foi homenageada pela Câmara Municipal de Gouveia em 2009, que acrescentou o nome desta ilustre gouveense à toponímia do concelho. «Gouveia é uma terra com profundas tradições operárias, terra de muitas lutas de que há registo, e onde existiu uma série de jornais operários, um dos quais dos primeiros a surgir do País» – disse-se numa intervenção durante a homenagem.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Gouveia (Rua Eulália Mendes)

Fonte: “Jornal Avante, nº 1836, de 05 de Fevereiro de 2009”

Fonte: “Antifascistas da Resistência”