No dia em que o Cineasta José Fonseca e Costa faria 84 anos de idade, deixamos aqui esta pequena homenagem

 

Fonseca e CostaJOSÉ FONSECA E COSTA, realizador, nasceu em Caala (Angola), a 27-06-1933, e faleceu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a 01-11-2015. Frequentou a Escola Primária na Caala, iniciou o Liceu em Huambo, mas veio para Lisboa, aos 11 anos de idade, onde terminou o Curso Liceal (Liceu Camões; Escola Lusitânia e Colégio Académico são alguns dos estabelecimentos de ensino por onde passou.

Mais tarde ingressou na Faculdade de Direito, não tendo chegado a concluir o Curso. Começou a interessar-se pelo cinema desde jovem e fez-se sócio do Cineclube Imagem. Nos finais da década de 50, desenvolveu actividade política clandestina, tendo sido preso pela PIDE em 1957. Tentou entar para a RTP, mas, por razões políticas, o cargo de assistente de realização foi-lhe recusado. Começou a fazer estadas em Paris, onde frequentou a Cinemateca, travando conhecimento com alguns críticos dos Cahiers du Cinéma: Kast, Doniol-Valcroze, Chabrol, entre outros.

Em 1959, tentou, em vão, pôr de pé um filme adaptado do livro “Um Anjo Ancorado”, de José Cardoso Pires.

Em 1961, partiu para Itália, onde estagiou com Antonioni, na rodagem de “O Eclipse”. De regresso a Portugal, começou a realizar pequenos filmes publicitários e documentários: “Era o Vento e o Mar” (1966), “Regresso á Terra do Sol” (1967), e a “Cidade” (1968), entre tantos outros.

Em 1967, fundou a Unifilme, onde trabalhou até 1973. Crítico de cinema, colaborou em publicações como a »Imagem« e a »Seara Nova«.

Mas foi como realizador de longas-metragens que Fonseca e Costa se consagrou como figura de proa do panorama cinematográfico português. A sua filmografia inclui. “O Recado” (1971), “Os Demónios de Alcácer-Quibir” (1975), “Kilas o Mau da Fita” (1980), “Sem Sombra de Pecado” (1982), “A Balada da Praia dos Cães” (1986), “A Mulher do Próximo” (1988), “Os Cornos de Cronos” (1990), e “Cinco Dias Cinco Noites” (1996).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 170).

Fonte: “Dicionário do Cinema Português 1962-1988”, (de Jorge Leitão Ramos, Edições Caminho, Lisboa 1989, Pág. 106, 107 e 108)

Dagoberto Markl, se fosse vivo, faria hoje 78 anos de idade.

Dagoberto Markl, não foi, apenas, o pai de Nuno Markl, Dagoberto Markl foi Historiador, Jornalista, Museólogo, Dirigente Associativo e um Mestre de Xadrez.

 

Dagoberto MarklDAGOBERTO Lobato MARKL natural de Lisboa, nasceu a 27-06-1939 e faleceu a 04-04-2010. Historiador, Museólogo, Escritor, Jornalista e Dirigente Associativo. Membro do Partido Comunista Português, estava organizado na célula do Património do Sector Intelectual de Lisboa. Em nota enviada ao Avante!, a Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP lembra o «comunista convicto», o «ser humano que se afirmava pela nobreza de carácter e pela simplicidade que só os grandes praticam», e o «intelectual desassombrado, que não hesitava em pôr em causa as verdades instituídas, mantendo-se sempre fiel às suas convicções».

Nascido a 27 de Junho de 1939, Dagoberto Markl era Historiador de Arte e membro da Academia Nacional de Belas Artes. Autor de muitos trabalhos de investigação, colaborou nas mais recentes publicações de História e História de Arte, sendo um dos colaboradores do Dictiomary of Art, publicado em Londres. Em 1984 foi distinguido com o Prémio José de Figueiredo da Academia Nacional de Belas Artes, e em 1989 faz no Centro de Trabalho Vitória uma comunicação sobre as fontes iconográficas da obra de Gil Vicente, destaca a DORL. Colaborou assiduamente com o jornal O Diário, e com as revistas Vértice e O Militante.

Apaixonado pelo Xadrez, Daboberto Markl foi, para além de praticante daquela modalidade e dirigente do Grupo de Xadrez Alekhine, responsável pela publicação de várias obras sobre a matéria, impulsionador em Portugal do Dia Mundial do Xadrez e o dinamizador da Comissão de História da Federação Portuguesa de Xadrez.

Fonte: “Jornal Avante”

Fonte: “Jornal Expresso”

Francisco Nicholson, o grande Homem do Teatro, se fosse vivo, faria hoje 79 anos de idade.

 

Francisco NicholsonFRANCISCO António de Vasconcelos NICHOLSON, Actor e Encenador, natural de Lisboa, nasceu a 26-06-1938 e faleceu a 12-04-2016. Filho de pai inglês, o pai foi um dos responsáveis pela Automática Eléctricas Portuguesa (AEP). A mãe, doméstica, acabou por começar a trabalhar também no teatro, depois da morte do pai de Francisco Nicholson — foi nessa altura que trabalhou em guarda-roupas, nos bastidores.

Actor e Escritor, foi um nome fundamental do Teatro e da Televisão portuguesa, teve uma carreira entre o cinema e a música.

Estudou em Paris, onde frequentou a Academia Charles Dullin, do Théatre Nacional Populaire, privando com grandes nomes do Teatro francês, como Jean Vilar, Georges Wilson, Gerard Philipe. Regressou a Portugal em 1960 e passou pelo Conservatório mas só durante três meses — abandonou depois de um desentendimento com uma colega.

Francisco Nicholson começou a fazer teatro aos 14 anos, no antigo Liceu Camões, sob direção do encenador e poeta António Manuel Couto Viana, a convite do qual veio a pertencer ao Grupo da Mocidade, que integrou com, entre outros, Rui Mendes, Morais e Castro, Catarina Avelar e Mário Pereira.

Até aos 21 anos esteve entre os palcos, os Estudos e a Marinha Mercante. Dedicou-se depois ao Teatro de corpo inteiro. Recordou esses tempos em entrevista à revista Sábado em 2014: “Naquela altura ninguém queria. Os meus pais exigiram que eu tirasse um curso. Quando tivesse 21 anos podia seguir o que quisesse. De maneira que fui para a Marinha Mercante, tirei o curso de pilotagem e embarquei. Aos 19 anos, era oficial e dava ordens aos marinheiros barbudos, mas não podia ter autoridade sobre mim”.

Foi também figura importante das primeiras décadas da Televisão Portuguesa. Em 1964 fez parte de “Riso e Ritmo”, enquanto Actor mas também assinando a autoria e cumprindo as funções de Produtor. O papel de Director em Televisão desempenhou-o em diferentes ocasiões mas ficaria também na história como autor de novelas, especialmente a primeira do género produzida em Portugal, “Vila Faia”, em 1982, que criou em conjunto com o colega de profissão e amigo Nicolau Breyner. “Origens”, “Cinzas”, “Os Lobos” ou “O Olhar da Serpente” contaram também com a assinatura de Francisco Nicholson.

Ainda entre os palcos e a televisão, foi um dos autores do tema “Oração”, com que António Calvário ganhou a primeira edição do Grande Prémio TV da Canção. A música foi, aliás, outra das suas áreas de trabalho, muitas vezes participando em concursos e festivais, com o da Figueira da Foz, que ganhou em duas ocasiões, e até nas Marchas de Lisboa, onde foi distinguido como autor em três edições.

Em 2014 estreou-se nos romances, ao lançar Os Mortos não dão Autógrafos (Esfera dos Livros). Dizia nessa altura, na mesma entrevista à Sábado: “É uma aventura que me rejuvenesce. Agora só me faltava ganhar o prémio revelação. Há 50 anos já tinha amigos poetas a dizerem-me para fazer um romance”.

Fonte: “Jornal Observador”

Fonte: “Jornal Expresso”

Manuel Bento, um dos melhores Guarda-Redes portugueses, se fosse vivo, faria hoje 69 anos de idade.

 

Manuel BentoMANUEL Galrinho BENTO, nasceu na Golegã, a 25-06-1948, e faleceu no Barreiro, a 01-03-2007. Começou a jogar futebol aos 15 anos de idade, no Riachense, passando também pelo Goleganense.

O primeiro clube a descobrir os dotes do miúdo de então, foi o Sporting Clube Portugal, clube onde Manuel Galrinho Bento esteve durante uns meses a treinar à experiência, mas na altura não lhe agradou os ares de Alvalade e regressou a Golegã.

De regresso ao Goleganense, eis que surge o convite do primo-divisionário Futebol Clube Barreirense, na altura, fala-se que o FCB teve de pagar 10 contos ao Goleganense e 1 Jogo entre as duas equipas na Golegã, pelo passe de Manuel Galrinho Bento.

Eis então que Manuel Galrinho Bento, em 1967, com a idade de ainda júnior se transfere de armas e bagagens para o Barreiro, para representar o nosso Barreirense. Foi o Barreiro a localidade que o acolheu, e foi o Barreiro que o ribatejano Manuel Galrinho Bento escolheu para residir, formar família, criar raízes e onde residiu até ao final da sua vida.

Estávamos em 1967, quando se estreou na 1ª Divisão Nacional com apenas 19 anos, pelo Futebol Clube Barreirense, clube que viria a representar durante 5 Épocas (67-68, 68-69,69-70,70-71 e 71-72). No Futebol Clube Barreirense em 1967/68 venceu a Taça Ribeiro dos Reis, em 1968/69 obteve a melhor classificação de sempre do Barreirense um 4º lugar e respectivo acesso à competição europeia Taça Uefa (Taça das Feiras), em 1969/70 esteve na estreia do Futebol Clube Barreirense nas competições europeias num célebre Barreirense – 2 Dinamo Zagrev – 0, disputado no Estádio Manuel de Melo completamente repleto, e nessa época ainda ganha a Baliza de Prata (Troféu do GR menos batido do Campeonato Nacional da 1ª Divisão).

Foi também no Barreirense e no Estádio D. Manuel de Melo que o Guarda-Redes Manuel Galrinho Bento, num jogo da 1ª Divisão se estreou a marcar, num fantástico golo de baliza a baliza, num Barreirense – Académica de Coimbra, surpreendendo o então Guarda-Redes academista Melo.

Foi ainda no Barreirense, que Manuel Bento foi convocado e jogou pela Selecção Mundial (substituindo o famoso Guarda-Redes de então YASHYN ) num jogo transmitido pela Televisão para todo o Mundo, e que alem da Grande exibição que efectuou, levou o seu nome e o nome do Futebol Clube Barreirense a ser visto e falado em todo o Mundo.

Foi no Futebol Clube Barreirense que o miúdo Bento, cresceu como Homem e como Jogador, e tornou-se um Guarda-Redes de Eleição.

Após 5 épocas de grande sucesso no Barreirense e ao mais alto nível, surge o interesse do grande Sport Lisboa e Benfica, clube onde ingressou na época de 1972/73, e onde permaneceu 20 épocas como jogador, tendo no Sport Lisboa e Benfica terminado a sua carreira como Jogador em 1992.

Nas suas primeiras 3 épocas no Benfica disputou e repartiu a baliza encarnada com José Henriques, vindo a assumir definitivamente a titularidade em 1975 e nesse mesmo ano conquistou a titularidade da Selecção Nacional. Em 1977 foi considerado o Futebolista do Ano.

Esteve em 1 Campeonato do Mundo e 1 Campeonato Europeu, pela Selecção Nacional. Foram 20 anos de Benfica, como jogador. Foi no Benfica que o Guarda-Redes de Eleição Manuel Galrinho Bento se transformou num dos maiores Guarda-Redes Portugueses de sempre, e um dos Melhores Guarda-Redes Mundiais.

Depois de terminada a carreira como Jogador fica ligado ao Futebol do Benfica como Treinador, primeiro como Treinador de Guarda-Redes no Benfica, posteriormente ainda teve experiências como Treinador Principal em Leça, no União de Coimbra e na Amora, mas acabou regressando à Luz onde trabalhava na formação das camadas jovens do Clube.

Manuel Bento, teve 63 Internacionalizaçoes pela Selecção Nacional AA; 10 Campeonatos Nacionais. 6 Taças de Portugal. 3 Super Taças de Portugal. 1 Taça Ribeiro dos Reis. Futebolista do Ano em 1977. Capitão do Sport Lisboa e Benfica. Capitão da Selecção Nacional.

Manuel Bento foi contratado pelo Benfica na temporada de 1972-1973, permanecendo na Luz durante dezoito épocas, onze das quais como titular indiscutível. Conquistou oito campeonatos, seis Taças de Portugal e duas Supertaças Cândido de Oliveira. Participou ainda na final da Taça UEFA que o Benfica perdeu em 1982-1983. Jogou em 611  partidas pelos encarnados sofrendo 447 golos. Foi 63 vezes internacional por Portugal. Manuel Bento foi considerado o melhor guarda-redes de todos os tempos.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Barreiro (Freguesia de Santo António da Charneca)

Fonte: “Futebol Clube Barreirense”

Fonte: “Spor Lisboa e Benfica”

“Gravadores de Selos Postais Portugueses”

cavalo-dos-ctt-antigoEDWARD George DAWSON, Gravador, nasceu em 1909, na cidade de Halesworth, condado de Suffolk (Inglaterra), onde o seu pai exercia o comércio de relojoaria e ourivesaria.

Logo na classe de primeiras letras, que frequentou na tarra natal, revelou precoce inclinação para o desenho e para tudo qyue se relacionasse com este ramo das belas artes. E a tal ponto se evidenciou, que, ao transitar para a classe mais adiantada, o novo Professor tomou particular interesse pela vocação do jovem discípulo e obteve-lhe do governo do Condado uma bolsa de estudo para a Escola de Artes da próxima Cidade de Ipswich, que Dawson passou a frequentar uma vez por semana, ao mesmo tempo que seguia os estudos primários em Halesworth. Tinha então apenas doze anos de diade e não havia memória local de que moço de tão pouca idade houvesse alguma vez obtido igual concessão.

Três anos depois abandonou definitivamente so estudos em Halesworth para frequentar diariamente a Escola de Ipswich.

Cerca de 1926 seu pai colocou-o como aprendiz de Gravura nas oficinas da conhecida firma Waterlow & Sons, Ltd, de Londres, onde teve como Mesrtre Mr. Rose, artista americano, com quem desenvolveu comsideravelmente a sua notável aptidão.

Ao mesmo tempo matriculava-se em aulas nocturnas de Desenho, que frequentou ininterruptamente durante cerca de sete anos, findos os quais se considerou apto a executar todos os trabalhos de gravura, incluindo os retratos.

Por altura dos vinte e cinco anos de idade deixou a Casa Waterlow & Sons, e colocou-se nas oficinas da também importante firma londrina Bradbury, Wilkinson & Co, onde serviu sob as ordens e orientação de Mr. M. Hendriks.

Trabalhou, Mais tarde, nas oficinas de Thomas de La Rue, outra velha e acreditada casa da especialidade da capital britânica.

No decurso da sua carreira artística ao serviço das três empresas citadas, Dawson gravou elevado número de chapas e cunhos para notas de banco e selos postais de diferentes países, incluindo Portugal.

Focando o seu interesse pelos trabalhos que executou para o nosso País, escreveu, em carta endereçada ao nosso Cônsul Geral em Londres, Dr. Miguel Pile, a frase que vamos transcrever na língua original: Some of my most enjoyable hours have been spent engraving vignettes and portraits on portuguese banknotes and stamps.

Para Portugal Continental, Dawson gravou os cunhos dos selos das taxas de $10 (Gil Eanes); $30 (João Gonçalves Zarco); $35 (Bartolomeu Dias), 1$00 (Pedro Álvares Cabral), da explendida emissão de 1945: Navegadores Portugueses, encomendada à firma inglesa Bradbury, Wilkinson & Co.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

Há Homens e Mulheres que, pelo seu passado, merecem ser recordados, Manuel João da Palma Carlos é um desses exemplos.

 

Carnaxide 0097MANUEL JOÃO DA PALMA CARLOS, Advogado e Político, nasceu na Freguesia de Bucelas (Loures), a 24-06-1915, e faleceu, vítima de um incêndio no Lar, em Birre, (Cascais), a 01-11-2001. Era filho de Manuel Carlos e de Auta Vaz Velho da Palma, ambos Professores Primários, e irmão do Professor Adelino da Palma Carlos.

Enquanto estudante foi Presidente da Direcção da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa em 1935-1936. Passou de modo fugaz pela Maçonaria. Pertenceu à Acção Anticlerical e Antifascista e à Federação das Juventudes Comunistas.

Preso em 1936, esteve deportado em Angra do Heroísmo durante oito meses, sem julgamento. Concluiu o curso de Direito em 1939. Foi Chefe de Secretaria Judicial no Vimioso e em Mértola. Colabora na revista jurídica Procural. Preterido por motivos políticos em concurso para Delegado do Procurador da República, decide-se a partir de 1941 pelo exercício da Advocacia. Nesta altura reata os laços com o PCP, interrompidos desde a sua prisão. É um dos subscritores do requerimento para realização da reunião de 08 de Outubro de 1945 no Centro Escolar Republicano Almirante Reis, onde é criado o MUD, cuja comissão de juristas vem a integrar.

Participa activamente na campanha eleitoral de Norton de Matos, vindo a ser preso, de novo e em consequência, durante um mês. Em 1957 o governo impede a candidatura da lista oposicionista por Lisboa, de que fazia parte e que organizara. É, ainda, nesse ano, um dos principais impulsionadores públicos da candidatura de Cunha Leal às eleições presidenciais de 1958. Face à recusa deste, é sondado pelo PCP para que se candidate, não aceitando. Integra, por fim, a comissão central da candidatura de Arlindo Vicente.

Intervém intensamente como defensor de presos políticos nos Tribunais Plenários até 25 de Abril de 1974. A sua acção destemida e um carácter turbulento fazem dele um Advogado aguerrido e temido, preferido pelos dirigentes comunistas. É, por exemplo, Advogado de Francisco Miguel, entre 1947 e 1972. Em 1960, no julgamento de Alda Nogueira, chega a despir a toga como protesto contra as arbitrariedades dos  juízes. Em 1957, a sua acção em tribunal leva-o a passar, por determinação dos juízes, de Advogado a réu e é julgado sumarissimamente por alegadas ofensas ao Tribunal.

Em 1953 é Advogado no caso do massacre de trabalhadores negros em São Tomé e em 1960 é convidado a tomar a seu cargo a defesa de nacionalistas angolanos, sendo proibido pelo governo não só de se deslocar a Luanda, como de advogar fora da Comarca de Lisboa, o que se mantém durante três anos. Em 1969, fez parte da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos

Já no início da década de setenta é Advogado do Capitão cubano Carlos Peralta, capturado na Guiné.

Deixou alguns trabalhos de carácter jurídico, designadamente: Códego Penal Português – Actualizado e Anotado (Lisboa, 1938); Código do Processo Penal – Anotado (Vila Nova de Famalicão, 1942); Processo Civil e Comercial (Lisboa, 1935), Alguns Problemas do Processo Penal – Alegações de Recurso (Lisboa, 1956); Perigo e Honra de Ser Advogado (Lisboa, 1971); Em Defesa de António Champalimaud (Lisboa, 1973).

Exerceu funções como Procurador-Geral da República, foi embaixador em Cuba e Presidente do Conselho de Administração da RTP.

Manuel João da Palma Carlos, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade em 2000.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Cascais (Freguesia do Estoril); Oeiras (Freguesia de Carnaxide).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 280 e 281).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973), Um Dicionário” (Mário Matos e Lemos, Coordenação de Luís Reis Torgal, Pág. 137 e 138, Colecção Parlamento, Edição de 2009).

Fonte: “Fundação Mário Soares”

“Estrangeiros na Toponímia Portuguesa”

 

Kubitscheck de Oliveira, um Brasileiro na Toponímia de Oeiras.

 

Oeiras 1585Juscelino KUBITSCHECK DE OLIVEIRA, mais conhecido por J. Kubitscheck de Oliveira, Médico, Militar e Político, nasceu em Diamantina (Minas Gerais – Brasil), a 12-09-1902, e faleceu num acidente de viação quando viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro (Brasil), a 22-08-1976. Presidente da República, Político e Médico.

Órfão de pai aos três anos, estudou no Seminário de Diamantina e concluiu o Curso de Medicina, em Belo Horizonte, em 1927. Estudou cirurgia, em Paris, com Maurice Chevassu e estagiou em Berlim, em 1930.

De regresso ao Brasil, casou-se com Sara Luísa Gomes de Lemos, em 1931, e integrou a Polícia Militar de Minas Gerais, obtendo o posto de Coronel-Médico. Em 1832, distinguiu-se como Cirurgião durante a Revolução Constitucional.

Iniciou a sua carreira política, em 1934, como Chefe de Gabinete do Governador Benedito Valadares e, nesse mesmo ano, foi eleito Deputado Federal, cargo que perdeu, em 1937, aquando do golpe do Estado Novo.

Retomou Medicina e, em 1940, foi designado Perfeito de Belo Horizonte, executando trabalhos de remodelação da capital, com ajuda de Óscar Niemeyer, na época, em início de carreira. Em 1946, foi eleito Deputado Constituinte pelo Partido Social Democrático (PSD) e, em 1951, tomou posse como Governador de Minas Gerais, sendo a sua administração orientada pelo lema “Energia e Transporte”.

Com o apoio do PSD e do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), Kubitschek lançou a sua campanha presidencial a 4 de abril de 1955, com o slogan “50 anos em 5” e com um arrojado “Programa de Metas”, inteiramente cumprido, que inclui-a a construção da nova capital brasileira, Brasília (abril de 1960). Tomou posse como Presidente da República a 31 de janeiro de 1956, presidência que durou até 31 de janeiro de 1961, altura em que foi sucedido por Jânio Quadros.

Em 1964, foi eleito Senador por Goiás, todavia o regime militar apreendeu o seu mandato e suspendeu os seus direitos políticos por um período de dez anos. Exilado em Nova Iorque e depois em Paris, regressou ao Brasil, estabelecendo-se como empresário e escrevendo as suas memórias, Meu Caminho para Brasília, obra em 5 volumes, cujo primeiro foi publicado em 1974.

Tornou-se membro da Academia Mineira de Letras, em 1975. Juscelino Kubitschek faleceu a 22 de agosto de 1976, num acidente de viação, quando viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Oeiras.

Fonte: “Juscelino Kubitschek. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-04-01].

“Os Centenários”

No dia em que Luís Piçarra, se fosse vivo, faria 100 anos de vida, deixamos aqui esta pequena homenagem.

 

 

Luís PiçarraLUÍS Raúl Janeiro Barbosa PIÇARRA Valderazo y Ribadanayra, Cantor Lírico, nasceu em Moura, a 23-06-1917, e faleceu em Lisboa, a 22-09-1999. Foi um dos mais destacados Cantores Portugueses entre as décadas de 1940 a 1960, tendo desenvolvido uma carreira internacional.

Descendente de uma família de Músicos Amadores, começou a cantar ainda criança em festas particulares e no Coro da Igreja de Moura.

Fixou-se em Lisboa para prosseguir os Estudos Liceais, frequentando, enquanto aluno interno a Nova Escola Progredior, na qual teve aulas de Piano.

Nesse período, apresentou-se em festas, serenatas e  espectáculos amadores em Associações Recreativas e integrou o Grupo Coros da Ópera. Em sequência de uma apresentação, conheceu o Cantor Fernando de Almeida, que viria a ser o seu primeior Professor de Canto.

Prosseguiu os seus estudos de Canto com Hermínia Alagarim, participou em cursos orientados por Tito Schiappa e foi fundador do Grupo Cénico da Casa do Alentejo, tendo também pertencido a vários Coros (Orfeão da Casa do Algarve; Coral do Rádio Clube Português; Coral Duarte Lobo) e ao Grupo Cénico do Clube da Estefânia.

Na década de 1930 iniciou as suas apresentações na Rádio, acompanhado por Nóbrega e Sousa (que apresentava canções suas e de outros Compositores).

 

Aprendeu as primeiras letras na sua terra natal e fez os estudos primários, em Lausanne, na Suíça, onde viveu com o seu tio o poeta Doutor Bento Caeiro. Estudou Direito, Letras e Belas artes, mas não terminou nenhum, preferindo enveredar pelo canto lírico.

A sua estreia profissional deu-se em 1941, em Lisboa, na interpretação do “Rigolleto”, de Verdi e de “O Barbeiro de Sevilha” de Rossini, depois de ter sido aconselhado pelo Maestro Italiano Alfredo Podovani e de ter estudado canto com Hermínia Alagrim, vedeta do Teatro de Milão. Criador do célebre “Coimbra”, que interpretou pela primeira vez no Rio de Janeiro, internacionalizou este tema com o título francês de “Avril au Portugal”. Em Fança, ao lado da Actriz franco-portuguesa, Irena Cruz, actuou durante doze anos na opereta “Colorado”.

Participou em várias operetas e revistas: A Lenda dos Sete Cravos, no Teatro da Trindade e Coliseu dos Recreios de Lisboa, em 1942; Belezas de Hortaliça, no TAV, em 1942; A Cova da Moura, no TAV, em 1943; De Fora dos Eixos, no TAV, em 1943; A Feira, no TAV, em 1943; O Jogo do Diabo, no TAV, em 1944; Zé do Telhado, no TAV, em 1944; João Ratão, no TAV, em 1953; Maria da Fonte, no TM, em 1953, entre outras.

A partir da década de 1960 desenvolveu carreira também na Televisão, tendo gravado diversos programas para a NBC e para a RTP, e fez parte do Conjunto Artístico Metropolitano, com o qual actuou nos então territórios portugueses em África.

Em 1966 fixou-se em Angola, onde sofreu um acidente que o levou à progressiva deterioração do seu estado de saúde e à posterior interrupção da sua carreira.

Ainda em Angola, desempenhou o cargo de Professor no Centro de Preparação de Artistas de Rádio, organismo posteriormente integrado na Emissora Oficial de Angola, entre 1970-1974.

Regressou definitivamente a Portugal em 1975, onde passou a actuar esporadicamente.

Foi condecorado pelo Presidente Francês, General de Gaulle, com o Colar e a Roseta da Legião de Honra dos Franceses.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada; Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 15-12-2003); Moura; Oeiras (Freguesia de Paço de Arcos).

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 3º Volume, L-P, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 1002 E 1003)

“Samaritana” é o título de uma balada de Coimbra, muito conhecida , mas poucos serão os portugueses que sabem quem foi o seu Autor. No dia em que faz 152 anos que nasceu , Álvaro Cabral, o seu Autor, aqui ficam alguns traços biográficos.

 

Álvaro CabralÁLVARO Augusto CABRAL da Cunha Godolfim de Maia Figueiredo, Actor e Autor, nasceu em Vila Nova de Gaia, a 22-06-1865, e faleceu no Porto, a 22-10-1918. Aluno nº 826 da Casa Pia de Lisboa desde 03-10-1874 a 22-06-1881 (3ª numeração).

Tendo-se estreado como Actor no Teatro da Rua dos Condes, de Lisboa, na noite de 18-03-1890 na revista Tim-Tim por Tim-Tim. Depois de fazer parte durante muitos anos da Companhia Rosas & Brasão, passou para a Empresa Luiz Galhardo, desempenhando então primeiros papéis em mágicas, operetas e revistas. Como autor teve os seus melhores êxitos com as revistas Peço a Palavra, escrita de colaboração com João Bastos, e Santo António de Lisboa, com Penha Coutinho.

Álvaro Cabral, um boémio bom conversador e espirituoso, foi, também o autor da célebre balada de Coimbra “Samaritana”, gravado, pela primeira vez, em 1928, no Porto, por Edmundo Bettencourt, acompanhado à guitarra por Artur Paredes e Albano de Noronha e, à viola por Mário Faria da Fonseca (discos Columbia 8121 e Columbia, GL 102, master P. 301). Na reedição deste disco (Columbia, GL 102, etiqueta verde) figura erradamente, por gralha ou ignorância, o nome de Álvaro Leal como autor do fado, erro que se generalizou e se transformou num verdadeiro “erro sistemático” da discografia coimbrã. Faleceu no Hospital do Bonfim, do Porto, sendo nessa altura primeiro Actor e Director de cena da Companhia Luiz Ruas, que trabalhava no Teatro Nacional daquela mesma cidade. A última peça que representou foi a revista Papagaio Real.

É autor de: Visão Santa (Lisboa, 1904); Cançoneta Estapafúrdia original (Lisboa, 1906); Coplas da Opereta Viúva Alegre (Lisboa, 1909); Quem vem lá? (poesia, Lisboa, 1914); Baixa de Posto (poesia, Lisboa, 1916); o Tio Bernardino (cançoneta, Lisboa, 1922); Amor em Marcha (terceto s/d); Fogo de Vista (revista em dois actos, s/d); Uma teima (s/d); Um Actor célebre (monólogo, s/d). Foi ainda co-autor de: Peço a Palavra (peça teatral); Santo António de Lisboa (peça teatral).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 05, Pág. 301)

Fonte: “Dicionário de Autores Casapianos”, (de António Bernardo e José dos Santos Pinto, Biblioteca-Museu Luz Soriano, Ateneu Casapiano, Lisboa, Edição de 1982, Pág. 71)

“Gravadores de Selos Postais Portugueses”

cavalo-dos-ctt-antigoAUGUSTO Fernando GERARD, Gravador, nasceu na Freguesia de Santo Estáquio, em Paris (França), em 1796, e faleceu na Freguesia da Pena (Lisboa), a 30-05-1883. Era filho de António Gerard e de Maria Antonieta Rozard.

Veio para Portugal, por altura dos vinte anos de idade, contratado, ao que parece, para as Oficinas de Joalharia, Ourivesaria e Medalhas de Santos Leite, em Braço de Prata, e trazia já nessa altura uma preparação que, se não era completa, lhe permitia contudo o rápido desenvolvimento da natural inclinação para que foi especialmente contratado, era, porém, grande e evidenciou-se logo no início da sua estada entre nós.

Terminados os seus compromissos com a firma Santos Leite, começou a trabalhar para o Banco de Lisboa, e depois para o sucessor deste: o Banco de Portugal. Para ambos abriu, em chapa de cobre, as gravuras de muitas das notas que circularam em todo o País, e que criaram a Augusto Gerard a fama, aliás justificada, de Gravador competentíssimo. Convidado pelo Banco do Porto a executar naquela cidade trabalho semelhante, por tal forma se houve no desempenho da tarefa, que a Direcção do referido estabelecimento bancário, encantada com a perfeição das gravuras, achou exíguo o preço de 400$000 réis que o modesto artista pedia pela xsua orbra, e recompensou-o com o dobro da quantia.

A Junta de Crédito Público e outras entidades similares confiaram-lhe igualmente a execução das gravuras dos seus títulos e papéis de valor.

Mais de uma vez a Casa da Moeda solicitou o autorizado parecer do consumado artista, em assuntos da sua especialidade, tendo-o mesmo convidado a concorrer à execução do cunho da moeda de prata de 500 réis, do reinado de D. Pedro V (1863), ao qual Gerard não acedeu.

Ao seu estabelecimento da Rua do Ouro, em Lisboa, acorriam tanto as Secretarias de Estado, como os partoculares, para a encomenda dos mais variados trabalhos: sinetes simples e heráldicos; selos brancos; esmaltes; gravuras em cobre e em aço, medalhas, etc.

No capítulo de Medalhas da sua autoria apontam-se as seguintes:

Medalha da Sociedade Promotora da Indústria Nacional (1823);

Medalha da Academia das Belas Artes de Lisboa (1837, com o busto da Rainha D. Maria II);

Medalha das Belas Artes do Porto (1851, com o busto da Rainha D. Maria II);

Medalha de D. Maria II, para galardoar actos de filantropia e generosidade (1852);

Medalha Comemorativa da inauguração do Caminho-de-Ferrro de Leste (1856, cunhada por ordem do Ministro das Obras Públicas, Marquês de Loulé);

Medalha Escolar, dos alunos das Escolas reais de Mafra e das Necessidades (1856, cunhadas por incumbência de D. Pedro V),

Medalha Escolar, do Liceu da Celestial Ordem Terceira da Santíssima Trindade (1858);

Medalha de Prémio para os alunos da Escola Popular de Conto, mandada cunhar pela Câmara Municipal do Porto, em 1858; e uma outra para oferta ao fundador da mesma Escola;

Medalha Comemorativa da Exposição Industrial do Porto (1860);

Medalha Comemorativa da Exposição Industrial do Porto (1861);

Medalha Comemorativa da Exposição da Associação Promotora da Indústria Fabril de Lisboa (1863);

Medalha da Expedição a Angola;

Medalha da Associação dos Melhoramentos das classes Laboriosas;

Medalha da Real Associação Naval;

Tendo trabalhado até quase aos últimos momentos da sua longa existência, difícil, senão impossível, seria enumerar toda a obra realizada por Gerard nos 66 anos que residiu em Portugal.

De trato bondosíssimo, nunca recusava auxílio ou conselho dos principiantes que ao seu saber e competência recorriam frequentemente: A todos acolhia com afabilidade, ensinando-lhes os segredos da sua tão querida arte.

De Augusto Gerard é a gravura em aço do cunho dos simpáticos selos Coroa das Colónias Portuguesas de: São Tomé e Príncipe, de 1869; Angoola, de1 870; Cabo Verde, Moçambique e Índia, de 1877; Macau, de 1884; tão apreciados dos Filatelistas, e por isso mesmo de elvada cotação nalgumas das suas variedades. Embora circulassem primeiramente em São Tomé, não há dúvida de que o primeiro cunho gravado foi o de Angola. Os das outras Colónias são, incontestavelmente, um inteligente arranjo daquele.

Era Académico de Mérito da Academia de Belas Artes de Lisboa.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)