Archive for Maio, 2017|Monthly archive page

No dia em que passam 121 anos sobre o nascimento de Mário Castelhano, quizemos deixar aqui uma pequena biografia deste importante Sindicalista.

 

Mário CastelhanoMÁRIO dos Santos CASTELHANO, Sindicalista, nasceu em Lisboa, a 31-05-1896, e faleceu no Tarrafal (Cabo Verde), a 12-10-1940. Foi um destacado militante anarco-sindicalista dos anos 20 e 30. Faz parte da terceira geração de activistas que projectaram o sindicalismo e o anarquismo, para o lugar de destaque que tiveram na vida social e política do país à Segunda Guerra Mundial.

Pode dizer-se que Mário Castelhano foi um Sindcalista e um Anarquista dos mais influentes em Portugal. A sua figura humana, a sua intelig~encia e o seu poder conciliador, davam-lhe vantagens que poucos possuíam.

De origem modesta, começou a trabalhar aos 14 anos de idade na Companhia Portuguesa dos Caminhos-de-Ferro (CP), atingindo  sucessivamente  as categorias profissionais de factor e de amanuense de 1ª classe. Participante nas mobilizações e greves ferroviárias de 1911, 1918 e 1920, vem a ser despedido pelo seu envolvimento na organização deste último movimento.

Desde então ocupou-se com actividades de escrituração em organismos sindicais, no Sindicato dos Ferroviários de Lisboa, na Federação Ferroviária e outros da Confederação Geral do Trabalho (CGT).

O seu principal empenho foi, porém, a partir de cerca de 1918, dirigido para as tarefas organizativas e o activismo propagandista e revolucionário. Autodidacta, vários testemunhos o descrevem como inteligente, calmo, corajoso, ponderado, flexível mas firme no rumo traçado para a sua vida. Dirigente do Sindicato da CP (Lisboa), dele se afastara após um conflito com os bolchevistas, dedicando-se durante vários anos à Federação Ferroviária. Esta estrutura foi preparada numa conferência realizada no Porto em Outubro de 1921 e criada no I Congresso Ferroviário, em Junho de 1922, na Sociedade de Geografia de Lisboa. Mário Castelhano é então eleito membro da comissão executiva da notável organização, com o pelouro das relações internacionais ea responsabilidade de redactor-principal do jornal A Federação Ferroviária. Durante algum tempo dirige também os jornais O Ferroviário (da CP) e O Rápido (dos caminhos-de-ferro da Beira Alta).

Em Outubro de 1927 Mário Castelhano é preso e deportado no mês seguinte para Angola com um numeroso grupo de oposicionistas à nova situação política. Em Vila Nova de Seles, distrito de Novo Redondo, ficou Mário Castelhano dois anos, tendo por companheiros Lopes Bibi e Henriques Rijo, entre outros. Embarca clandesinamente para Lisboa, no porão de carvão do vapor Niassa. Em 1933, de novo à cabeça do secretariado da CGT, com José Francisco e Henriques Rijo, organiza o movimento de greve insurreccional de 18 de Janeiro de 1934.

Atacado por febre intestinal, sem tratamento, abandonado pelo Médico passador de óbutos Esmeraldo Pais Pratas, que não lhe receitor medicamentos nem permitiu que os seus compenheiros de deportação os comprassem por conta própria ou lhe prestassem assistência, morreu Mário Castelhano, no dia 12 de Outubro de 1940.

Nos seus trinta anos de lutas e sofrimentos, dentro e fora da prisão, desenvolveu a mais intensa propaganda libertária e defendeu heroicamente o humanismo anarquista.

Deixou dos trabalhos escritos: Os Meios de Transporte e a Transformação Social, (1932); e Quatro Anos de Deportação, (publicada pelo seu filho, em 1975).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (ex-Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, actual Freguesia das Avenidas Novas, Edital de 19-06-1979, troço da Avenida António Augusto de Aguiar); Oeiras (Freguesia de Barcarena).

Fonte: “Antifascistas da Resistência”, “Por Helena Pato)

Fonte: “A Oposição Libertária em Portugal, 1939-1974”, (por Edgar Rodrigues, Editora Sementeira, Lisboa, 1982, Pág. 208)

Anúncios

“Afrânio Peixoto, um Brasileiro “Camoniano”, na Toponímia de Coimbra e de Lisboa”

 

Afrânio PeixotoJúlio AFRÂNIO PEIXOTO, nasceu na Baía (Brasil), a 17-12-1876, e faleceu no Rio de Janeiro (Brasil), a 12-04-1947. Notabilizou-se como estudioso de Camões. Formou-se na Faculdade de Medicina da Baía em 1899 com a tese inaugural “Epilepsia e Crime”.

Professor substituto de Medicina Pública na Faculdade de Direito da Baía, Inspector Sanitário, Director do Hospital Nacional de Alienados, Professor de Higiene na Universidade do Rio de Janeiro, foi aí também Director do Serviço Médico-Legal e Director da Instrução Pública do Distrito Federal.

Foi Higienista e Médico-Legista de fama universal. Presidente da Academia Brasileira de Letras, Secretário da Academia Nacional de Medicina. Doutor honoris causa pelas Universidades de Lisboa e Coimbra, sócio da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História.

Cabe-lhe a iniciativa da criação da Cadeira de Estudos Camonianos na Universidade de Lisboa e, na do Rio de Janeiro, deixou vasta bibliografia sobre o poeta. “Camões e os Lusíadas”, “A Camonologia e os Estudos Camonianos”, “A Medicina dos Lusíadas”, “Alma Minha Gentil e Leituras Camonianas”, “Camões Humorista e Virgílio e Camões”. Apreciado como higienista, legista, Academista e Romancista, deixou entre outras, as seguintes obras: “Rosa Mística”, “Fruta do Mato”, “Sinhazinha”, “Panorama da Literatura Brasileira”, e “Clima e Saúde”.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Coimbra; Lisboa (Freguesia de São João de Deus, actual Freguesia do Areeiro, Edital Municipal de 29 de Julho de 1948); Porto.

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa”

“Isabel Maria Gago, foi a primeira Professora Portuguesa de Engenharia”

 

Isabel GagoISABEL Maria Meleças GAGO, Professora, natural de Lisboa, nasceu a 30-05-1914 e faleceu a 09-05-2012. Era filha de um jovem Capitão que morreu na campanha da Flandres na I Guerra Mundial (Portugal participou na I Grande Guerra). A mãe ficaria como o seu grande modelo. Mas o facto de ser filha de um Militar deu-lhe entrada no Instituto de Odivelas, então chamado Instituto Feminino de Educação e Trabalho. Tinha 8 anos de idade.

Foi aluna do Instituto de Odivelas. Em 1939, Isabel Gago foi a primeira mulher a acabar o Curso de Engenharia Química, no Instituto Superior Técnico (IST), onde entrou em 1933, e onde lecionou até 1984, quando se reformou, aos 70 anos, depois de ter sido a primeira mulher a assumir a docência, numa Escola Nacional de Engenharia.

Isabel Gago desafiou “as normas sociais da época” quando “ousou ingressar no universo exclusivamente masculino da engenharia portuguesa”.

Na formação nesta área, em Portugal, Isabel Gago foi precedida apenas por Maria Amélia Chaves, a primeira mulher licenciada em engenharia, no ramo de Engenharia Civil, também pelo IST, em 1937.

Professora Universitária portuguesa e Engenheira Química-industrial pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Foi Segunda-Assistente e Primeira-Assistente do Quadro Docente do Instituto Superior Técnico de Lisboa, onde regeu a cadeira de Electroquímica e Electrometalurgia (teoria e prática).

Anteriormente, regeu ali a cadeira de Química Geral. Tem trabalhos publicados, sobre a sua especialidade, em revistas técnicas.

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 449”

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”

A Mu(dança) das Placas Toponímias

Rua Maestro PedroSabia que a Rua Maestro Pedro de Freitas Branco, em Lisboa, já se designou por Rua das Fábricas da Seda. Em 1968, através do Edital Municipal nº 124/68, assinado pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, General França Borges, decidiu, por nela ter morada desde os 7 anos de idade, o Maestro Pedro de Freitas Branco, atribuiu-lhe o nome do Maestro. Passando a designar-se Rua Maestro Pedro de Freitas Branco.

“Um Italiano na Toponímia da Amadora”

IMG_1909ADRIANO PEDRALI, Padre,  nasceu em Filago – Bérgamo (Itália), a 16-05-1928, e faleceu em Coimbra, a 05-08-1987. Aos 11 anos de idade entrou na Escola Apostólica de Albino onde frequentou so primeiros cinco anos do curso dos seminários. Fez o noviciado em Albisola e professou a 29 de Setembro de 1945. Cursou Filosofia em Filigno e Teologia em Bolonha, sendo ordenado sacerdote em Bérgamo, a 19 de Setembro de 1953. Terminados os estudos, em 1954, veio para Portugal, sendo destinado ao Colégio Missionário, no Funchal. Em Dezembro de 1955 foi para Coimbra para colaborar na pastoral paroquial e no Colégio Camões, de que a Congregação era co-proprietária. Em 1958 foi para o Colégio Infante D. Henrique, no Funchal, onde trabalhou durante seis anos como ecónomo e educador.

Em 1964 assumiu os serviços de director espiritual e promotor vocacional no Colégio Missionário. Em 1969 devido a uma grave doença esteve hospitalizado em Bolonha e, após a sua recuperação, foi nomeado Superior do Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Alfragide (Amadora). Em 1974 voltou para Coimbra para ser ecónomo da comunidade e pároco de Trouxemil. Em 1977 voltou para Alfragide onde exerceu cumulativamente os serviços de ecónomo, pároco, conselheiro e director espiritual. A 12 de Agosto de 1983 foi nomeado superior do Instituto Missionário, em Coimbra, cargo que exerceu até à morte.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora (Freguesia de Alfragide).

Fonte: “Dehoniam – Sacerdotes do Coração de Jesus – Fernando Fonseca – SCJ”

“GRAVADORES DE SELOS POSTAIS PORTUGUESES”

cavalo-dos-ctt-antigoOs C.T.T., com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

 

João Pedroso GOMES DA SILVA, Gravador e Professor, nasceu na Freguesia dos Olivais (Lisboa), a 17-02-1823, e faleceu na Rua São Pedro de Alcânatra, nº 67-1º, na Freguesia da Encarnação (Lisboa), a 05-12-1890. Era filho de José Pedroso Gomes da Silva e de Ana da Piedade.

Cumulativamente com o lugar de Escriturário da Fábrica do Tabaco, que exerceu durante alguns anos, dedicou-se, desde rapaz, a trabalhos de Gravura em madeira, encontrando-se já produções suas no «Archivo Popular», de 1840. A sua colaboração artística neste semanário é vasta, e vai até 1843, ano em que suspendeu a publicação.

Quando em 1856 Vicente Jorge de Castro, o seu irmão João Maria e o capitalista Tomás de Aquino Gomes, constituídos em sociedade comercial (Castro, Irmão & Cª) fundaram o Archico Pitoresto, e reuniram à sua volta as melhores figuras literárias da época e os mais hábeis artistas do buril, João Pedroso enfileirou nestes últimos.

Por volta de 1862, os proprietários da simpática revista criaram um Atelier-Escola de Gravura em Madeira, cuja direcção foi confiada a Nogueira da Silva e a João Pedroso, e onde se revelaram algumas vocações e se aperfeiçoaram artistas então no princípio da carreira. Infelizmente, por desinteligências entre dirigentes e dirigidos, ciumes artísticos e outras fraquiezas humanas, o Atelier-Escola dedapareceu algum tempo depois.

João Pedroso continuou, no entanto, a colaborar largamente no Archivo e aproduzir outros trabalhos explêndidos como ilustrador de li e publicações periódicas, podendo dizer-se que não houve no seu tempo revista ilustrada emq ue não figurassem gravuras com a sua marca: J. Pedroso.

Foi por muito tempo, e até à sua morte, o Gracador das obras editadas pela Academia Real de Ciências, lugar emque veio a suceder-lhe um dos seus melhores discípulos: Filipe José Fernandes.

Pela extinção do Contrato dos Tabacos, em 1864, os empregados deste organismo foram colocados em diversas Repartições do Estado, e João Pedroso, aproveitando o ensejo, pediu e obteve que lhe fosse dada a regência de uma Aula de Gravura em Madeira na Academia de Belas Artes de Lisboa, pelo mesmo vencimento que recebia no antigo emprego, acrescido de uma gratificação mensal de dez mil réis.

Masi tarde, quando duma Reforma do Ensino, a Cadeira de Gravura em Madeira entrou no número das Disciplinas ordinárias da Academia e Pedroso foi incluído no quadro do professorado, com o vencimento correspondente. Jubilou-se em 1888, após a congestão que o inabilitou para a sua tão grata função de Mestre.

Além de Filipe Fernandes, a que já fizemos referência, foram discípulos de João Pedroso e depois Artista de mérito; seu sobrinho José Armando Pedroso Gomes da Silva; Luciano Lallemant; João Heitor; Rafael Pimenta; Albino Caetano da Silva Pinto, etc.

Numa espécie de revista, Gravura de Madeira em Portugal, que publicou de 1872 a 1876, reuniu 47 magníficas gravuras, por ele executadas, reproduzindo desenhos originais seus e de Manuel de Macedo; Crstino; Rafael Bordalo Pinheiro; Vítor Bastos; Bomei; Lupi; Isaías Newton; Simões; Soares dos Reis; Columbano Bordalo Pinheiro e Nunes Júnior. As gravuras eram acompanhadas de texto por Brito Aranha.

São também de trabalhos deste Artista as publicações seguintes:

Álbum de Gravura em Madeira, de João Pedroso, oblongo, de 9 folhas, com outras tantas gravuras;

Prémio da Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal – 7º ano, Álbum de 12 gravuras de João Pedroso, reproduzindo quadros de El-Rei D. Luís; Anunciação; Vítor Bastos; Bordalo Pinheiro; F. Chaves; Christiano; Lupi; Isaías Newton; Pedroso; G. Pereira; F. J. Resende e J. Rodrigues.

A par de Gravador em Madeira, foi um notável Pintor de marinhas, género que cultivou com paixão. Entre a svárias recompensas obtidas em Exposições de Arte, foram-lhe conferidas Medaljas na Exposição Internacional do Porto, em 1865; Exposições da Sociedade de Belas Artes, de 1865 e de 1880.

O Director Geral dos Correios, Conselheiro Guilhermino de Barros, quando da sua estada em França, onde representou Portugal no Congresso da União Postal Universal de Paris, de Maio de 1878, deu-se à tarefa de estudar a organização dos Serviços Postais Franceses nos seus múltiplos aspectos, sem exclusão do que se referia à emissão de selos. Dái nasceram diversas propostas que, no seu regresso, apresentou ao Governo, entre as quais sobressaiu a destinada a dar novo rumo ao sistema de produção de selos postais que, daía em diante, deixariam de ser em relevo e passraiam a ser estanpados, ou tipografados.

O desenvolvimento sempre crescente do tráfego postal impunha a necessidade de procurar um processo de fabrico de estampilhas mais rápido, e ao mesmo tempo, mais económico. Os selos de relevo, evidentemente mais bonitos, eram de execução lenta e de custo elevado.

A Direcção da Casa da Moeda discordou da inovação e pôs as suas objecções, mas Guolhermino de Barros animado pelo convencimento das vantagens que advinham para os Serviços da sua Administração, não se deu por achado e obteve o despacho Ministerial de 26 de Novembro de 1878, que mandava fabricar os selos postais pelo processo tipográfico.

João Pedroso recebeu então o encargo de fazer os desenhos e os cunhos para uma nova emissão de selos tipografados, que teria três valores, devendo começar-se pelo de 25 réis.

O notável Artista gravou este primeiro cunho em aço, inspirando-se, segundo parece, nos selos com o busto de Victor Manuel II, em curso na Itália desde 1863, e fez um trabalho que pode dizer-se muito agradável, apreciado em conjunto. Gracou depois três cunhos em madeira, no que foi menos feliz, não porque o trabalho s epossa considerar mau, mas especialmente pelo busto do soberano, que toda a gente se empenhou em afirmar que não era o Rei D. Luís, mas o do Par do Reino Vaz Preto, que tinha grande parecença com o Rei. E de tal forma essa crença se radicou no espírito dos filatelistas que ainda hoje os selos dessa emissão, 1880-1881, cão chamados os «Vaz Preto».

O primeiro selo de 25 réis, cunho de aço, imprimiu-se em azul-cinzento. Os dos cunhos em madeira, de 5, 25 e 50 réis imprimiram-se, respectivamente, em preto, lilás-vermelho e azul.

A excelência do seu trabalho arrecadou-lhe Medalhas de Prata e Bronze na Sociedade Promotora de Belas Artes, em 1865 e 1880, e a Medalha de 2.ª Classe, na Exposição Internacional do Porto, em 1865. Morava no Campo das Cebolas, em 1880, e na Rua São Pedro de Alcântara, 67, em 1884.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de São João de Deus, Edital de 21-01-1933, era a antiga Rua D do Bairro Social do Arco do Cego).

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Hemeroteca Municipal”

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

Faleceu José Manuel Castello Lopes, Empresário na área da distribuição de filmes e co-fundador do Cinema Londres, em Lisboa.

 

 

Castello LopesJOSÉ MANUEL CASTELLO LOPES, natural de Lisboa, nasceu em 1931 e faleceu a 25-05-2017. Era filho de José Martins Castello Lopes e irmão do Fotógrafo Gerard Casteloo Lopes. Herdeiros da distribuidora centenária, a Filmes Castello Lopes, fundou com o irmão, em 1972, o Cinema Londres, uma sala história de Lisboa.

José Manuel Castello Lopes era um dos nomes históricos da distribuição e exibição do cinema em Portugal, que geriu a Filmes Castello Lopes, fundada há cem anos por seu pai; o Cinema Condes.

Assumiu os comandos da empresa do api na década de 1950, atravessou tempos de ditadura e de liberdade, da época das grandes salas ao aparecimento dos multiplex, e fez da empresa familiar, durante décadas, a mais relevante distribuidora cinematográfica em Portugal, representando o cinema da MGM e da Twentieth Century Fox.

Foi responsável pela exibição em Portugal, por exemplo, dos filmes O Feiticeiro de Oz, e de E Tudo o Vento Levou, ambos de Victor Fleming; Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini; ou 2002, Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.

Em 1968 esteve preso durante dosi dias, nos calabouços da PIDE, a polícia da didatura, por causa da exibição do filme O Samurais, de Jean-Pierre Melville.

José Manuel Casttelo Lopes presidiu à Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas e chegou a deter uma extensa rede de salas de cinema pelo País, mas actualmente a marca Castello Lopes Cinemas esteja associada apenas a seis espaços de exibição.

Era membro honorário da Academia Portuguesa de Cinema e foi distinguido com um Prémio Sophia de Carreira em 2013.

Fonte: “Jornal Expresso”

Fonte: “ Jornal Diário de Notícias”

“Um alemão na Toponímia de Bragança”

 

Existem em Bragança duas Artérias designadas, respectivamente, por Largo da Obra Kolping e Travessa da Obra Kolping. Em jeito de homenagem, ao fundador das Uniões Operárias, aqui ficam alguns dados biográficos.

 

KolpingADOLFO KOLPING, Padre, nasceu em Kerpen (Alemanha), a 08-12-1813, e faleceu em Colónia (Alemanha), a 04-12-1865. Era filho de Peter Kolping e de Anna Maria Kolping. Aos 32 anos de idade foi ordenado Sacerdote. Três anos depois, com 35 de idade, uniu-se a um pequeno grupo de jovens, a Associação dos Artífices, que se tornaria depois a Obra Kolping.

Foi o fundador das Uniões Operárias «Gesellenvereine», a sua divisa é: os melhores apóstolos dos Operários são os próprios Operários, deverá tornar-se nícleo de muitos outros movimentos católicos ni Mundo, como por exemplo a JOC.

Organizou as «Gesellenvereine», base diocesana, criou  Uniões nas principais Cidades e Vilas que alojaram gratuitamente os Operários e procuravam-lhes trabalho.

Em Países de cultura germânica o movimento teve ampla difusão com perto de 1500 Uniões filiadas.

Escritor de raro talento e de sabor popular, fundou e redigiu até à sua morte o jornal Reimische Voksblätter. Ainda hoje as «Gesellenvereine», com sede em Colónia, continuam a inspirar os Movimrentos Sociais Cristãos e os Sindicatos recrutam nas Uniões os seus melhores dirigentes.

Em 1991, o Papa João Paulo II, beatificou o Padre Adolfo Kolping.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Bragança (Largo e Travessa Obra Kolping)

Fonte. “Verbo – Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura”, (Volume 11, Pág. 1181)

“GRAVADORES DE SELOS POSTAIS PORTUGUESES”

 

cavalo-dos-ctt-antigoFREDERICO Augusto DE CAMPOS, Gravador, natural de Lisboa, nasceu em 1814 e faleceu a 29-07-1895. Gravador especializado em gravura de cunhos para moedas. Era filho de José Pedro de Paula Campos e de Gertrudes Ferreira de Campos. Em 01 de Setembro de 1830 entrou como simples aprendiz de abridor de cunhos, armas e medalhas, ali teve como primeiro Mestre o habilíssimo Gravador Domingos José da Silva. Serviu-lhe de fiador, no acto de inscrição, seu tio Joaquim José Policarpo da Silva Campos, também empregado da mesma Casa da Moeda. Tendo alcançando dentro de pouco tempo e por mérito próprio, o lugar de 1º Gravador.

O salário de 120 réis diários com que o admitiram na aprendizagem foi-lhe elevado para 240 réis, a seu pedido, em 27 de Outubro de 1832, mediante informação lisonjeira do seu Mestre.

Teve um interregno na sua vida artística, ao alistar-se no exército de D. Pedro IV, no final das lutas liberais, em que ainda chegou a tomar parte. Retomando, porém, as suas ocupações civis.

Tendo frequentado a Escola Politécnica e a Academia de Belas Artes, salientou-se em muitos concursos oficiais, em concorrência com outros Gravadores nacionais e estrangeiros.

A 18 de Maio de 1849 teve a almejada nomeação de 3º Abridor da Casa da Moeda, depois de quase 19 anos de estágio, como aprendiz e praticante, durante os quais recebeu lições de Domingos José da Silva, José António do Vale e Francisco de orja Freire.

Em Março de 1863, o Director da Casa da Moeda, Sebastião Betâmio de Almeida, resolveu abrir concurso para a execução da moeda de prata de 500 réis do novo reinado, limitando-o aos dois Gravadores da mesma Casa, FRAncisco de bORja Freire e Frederico Augusto de Campos, e ao Gravador francês Gerard, há muito estabelecido em Lisboa.

Cada um dos concorrentes receberia a justa retibuição do seu trabalho, e ao autor do cunho preferido seria atribuída uma gratidicação condigna.

Tendo desistido o concorrente francês, as provas dos dois outros foram em 11 de Agosto do mesmo ano submetidas à apreciação e voto consultivo de um grupo de Artistas constituído pelo Escultor Francês Anatole Camel, residente em Lisboa; Professor da Academia de Belas Artes, Vítor Bastos; Arqueólogo Abade de Castro; Arquitecto e Pintor Tomás da Fonseca; e dos numismatas Jorge de La Figanière e Lopes Fernandes.

Escudado com a opinião destas individualidades, o Director da Casa da Moeda submeteu à aprovaão ministerial o cunho gravado por Frederico Augusto de Campos, a quem na sua proposta faz esta justa referência:

«O trabalho do abridor Campos, verdadeira obra de arte, honrando a Casa da Moeda e o País, parece-me bem merecedor de algum sinal do agrado de El-Rei. E o abridor Campos carece de ser animado: desconhecido e desamparado por largos anos o seu talento foi acometido pela descrença; e as suas vigorosas faculdades parecem-me sonegadas pou un despeito intimo».

Em presença destas claras palavras de apreço, mal se compreende que a mesma entidade oficial meses depois haja promovido o contrato de um Gravador estrangeiro, Charles Wiener, para dirigir os trabalhos de gravura da nossa Casa da Moeda.

Da situação vexatória assim criada ao hábil Artista português nasceu por certo o ambiente de hostilidade que se formou em volta de Charles Wiener e o desanimou na tarefa de que vinha incumbido e de que, como já vimos, se saiu por forma muito inferior aos seus méritos.

Não obstante o plano de inferioridade emq ue fora colocado, Campos continuou a trabalhar com a dedicação e o escrúpulo de sempre, embora, como é natural, profundamente reseentido da injustiça de que era vítima. E, vingando-se por forma elegante, ia executando, com toda a perfeição de que era capaz, a maioria dos trabalhos a que o Gravador belga se obrigara e não cumpria. Tinha então a categoria de 2º Abridor.

Com a rescisão do contrato de Wiener, em 1867, Frederico de Campos foi promovido a 1º Abridor da Casa da Moeda, ocupando assim o lugar que de direito lhe pertencia.

Os dois alunos da Escola de Gravura, Azedo Gneco e Venâncio Alves, cujo ensino estivera a cargo de Wiener, nos termos do contrato que este fizera com o Governo Português, passaram então a receber lições de Frederico de Campos, juntamente com outro discípulo, seu sobrinho, Augusto Carlos Campos, que veio a ser tamém Abridor de Cunhos da Casa da Moeda.

Escultor de merecimento, fez em mármore um apreciável regrato de Camões; mas foi particularmente como Gravador de Moedas que o seu talento artístico mais se evidenciou. São do seu buril alguns dos cunhos das moedas do reinado de D. Pedro V, quase todas do reinado de D. Luís I e os das primeiras moedas do reinado de D. Carlos I. O cunha da moeda de 10$000 réis em ouro de D. Pedro V, primorosamente executado por Frederico de Campos, deu ensejo aum desolador incidente que pôs em foco, mais um avez, a incompreensão das instâncias superiores perante os valiosos trabalhos deste tão talentoso quão modesto artista. São também do seu buril as chapas de alguns selos fiscais em curso no reinado de D. Luís I.

Das inúmeras Medalhas que executou, citamos apenas: A comemorativa da inauguração da Estátua de Camões, gravada por incumbência da Comissão encarregada de erigir o Monumento, em 1867.

A consagrada ao Maestro espanhol Francisco Ansejo Barbieri, pela Assocuação Musical 24 de Junho, para comemorar a inauguração dos concertos clássicos, em 1879 e duas Medalhas Comemorativas do Centenário de Camões, em 1880.

Os seus trabalhos foram apresentados nas principais cidades da Europa e América, ganhando várias Medalhas e Distinções, dentre as quais se destaca a Medalha de Ouro da Exposição Universal de Paris.

Nos fins de 1869 o Director Geral dos Correios, Conselheiro Eduardo Lessa, notando que os selos em curso gravados por Charles Wiener, se apresentavam por vezes com falhas de impressão e coradas algumas partes de relevo, encarregou o Gravador Frederico de Campos de reformar a matriz e o punção reprodutor dos aludidos selos, sob a condição, porém, de manter a efígie existente e de conservarf o mesmo desenho sem qualquer alteração.

Embora com bastante repugnância, dispõs-se a executar o trabalho, ma slogo de início verificou a impossibildiade de o realizar em ciondições artísticas aceitáveis, e assim informou o Director da Casa da Moeda em estenso relatório depois enviado à Direcção Geral dos Correios. Aceites as suas judiciosas objecções e encarregado do desenho dum novo selo, dá-o concluído em 21 de Fevereiro de 1870.

Além do desenho e gravura do selo da emissão que acabamos de referir, desenhou e gravou ainda os selos do reinado de D. Luís I, também de relevo para as nossas Colónias de Angola (1886); Cabo Verde (1886); Índia (1886); Macau (1888); Moçambique (18886); e Timor (1887).

É também de sua autoria o desenho e a gravura do selo, tipografado, de 2 réis, emitidos em 1884.

Possuía o grau de Cavaleiro da Ordem de Isabel a Católica, de Espanha, e o Grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago. Os seus principais trabalhos foram: moeda de 10$000 réis com a efígie de D. Pedro V; uma medalinha de cera com o retrato deste monarca e do da Baviera; o retrato de Luís de Camões de mármore, em alto relevo; e cunhos para diferentes estampilhas.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

Adeodato Barreto, um Luso-Goês na Toponímia de Aljustrel.

 

Adeodato BarretoJúlio Francisco ADEODATO BARRETO, Escrutor e Professor, nasceu em Margão, Goa (Índia), a 03-12-1905, e faleceu em Coimbra, a 06-08-1937. Poeta e Jornalista, mas também Pedagogo e Filósofo. Era partidário da não violência, da liberdade integral e do amor, na acepção dada a estes valores por Tagore, Gandhi, Vivekananda e outros pensadores hindus de que era discípulo.

Licenciou-se em Direito (1928) e em Ciências Históricas e Filosóficas (1929) na Universidade de Coimbra, onde, com colegas seus conterrâneos e o apoio de alguns Professores, fundou um Instituto Indiano. Cursou também a Escola Normal Superior (1930). No âmbito da sua actividade pró-Instituto Indiano, fundou e dirigiu o jornal Índia Nova (Coimbra, nº 1, 07 de Maio de 1928; nº 6, 31 de Maio de 1929), onde defndia a cultura e a filosofia de que era partidário, numa campanha que foi apoiada por Rabindranath Tagore e pelo orientalista francês Sylvain Lévi.

Romain Rolland, com quem também se correspondia, autorizou-o a traduzir e a editar em Portugal, sem quaisquer direitos de autor, a sua biografia, Mahatma, para a qual não encontrou editor.

Em Outubro de 1929, foi eleito Presidente do Centro Republicano Académico de Coimbra, desenvolvendo nessa qualidade grande actividade política e cultural. Em 1930, iniciou a sua actividade como Professor do Ensino Secundário, numa Escola Industrial da Figueira da Foz; em 1931, leccionou na Universidade Livre de Coimbra; e, em Fevereiro de 1932, foi nomeado Professor agregado do Liceu de Évora, lugar de que não chegou a tomar posse.

Em Abril de 1932, foi para Montemor-o-Novo, onde fora colocado como Escrivão de Direito, mudando-se pouco tempo depois para Aljustrel, agora como Notário. Nestas duas localidades alentejanas, desenvolveu generosa e intensa actividade nas áreas da assistência social e da educação de adultos.

Em Aljustrel, fundou e dirigiu um outro jornal de que foram colaboradores Brito Camacho e Pedro Muralha, o Círculo (nº 1, 17 de Junho de 1934; nº 7, 26 de Agosto de 1934). Este semanário tinha uma curiosa particularidade: todos os membros da sua redacção era esperantistas. Jornal regional, não deixava, porém, de reflectir a cultura e a filosofia de que o seu director era defensor, tratando temas indianos e dando destaque às então intensas actividades de Gandhi.

Durante a sua fase mais activa de Coimbra, preparou um ensaio sobre os Poetas Luso-Indianos e um estudo Sobre o Presente e o Futuro de Goa, que ficaram inéditos.

Colaborou assiduamente no jornal O Diabo e na revista Seara Nova, além de alguns outros jornais de âmbito regional, nomeadamente no bissemanário da Figueira da Foz, A Voz da Justiça. Nalguns dos seus escritos jornalísticos, usou o pseudónimo de «Adebar».

Obras principais: Verbo Austero: Defesa Dum Revolucionário Indu perante um Tribunal Inglês, (1930); A Paz: Alocução Dirigida às Crianças Duma Escola, (1930); Civilização Hindu. Autodomínio. Tolerância. Humanismo. Síntese, (1935); Fragmentos: Testamento Moral de Vicente Mariano Barreto, (1936); O Livro da Vida: Cânticos Indianos, (1940).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Aljustrel.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Biblioptecas, Publicações Europa América, 1ª Edição, Março de 1998, Pág. 213 e 214)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 80).