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“GRAVADORES DE SELOS POSTAIS PORTUGUESES”

 

cavalo-dos-ctt-antigoCHARLES WIENER, Gravador, nasceu em Venloo (Holanda), a 25-03-1832, e faleceu em Bruxelas (Bélgica), a 15-08-1887. Aluno da Academia Real de Belas Artes, de Bruxelas, discípulo de seus irmãos Jacques e Leopoldo, e do Gravador Oudiné, de Paris, foi, na Bélgica, um artista de grande reputação. No conceito de Alphonse de Witte, o talento artístico dos irmãos Wiener marcou o terceiro período da história da gravura de medalhas na Bélgica no Século XIX, período que vai de 1848 a 1890.

Charles Wiener, o mais novo da irmandade, exibia já os títuolos de Escultor e Gravador de Medalhas de Sua Majestade, o Rei da Holanda, membro da Sociedade de Artes de Inglaterra; Cavaleiro da Ordem de Wasa, da Suécia; Cavaleiro da Ordem da Coroa de Carvalho, da Holanda; e Medalha de Ouro de Wurtemberg, quando, em 1864, Sebastião Bertâmio de Almeida, então Direrctor da Casa da Moeda de Lisboa, se lembrou de convidá-lo a vir dirigir uma Escola de Gravura, naquele estabelecimento.

Betâmio de Almeida havia expôsto ao Governo o esdtado decadente da gravura na nossa Casa da Moeda, onde o primeiro Gravador Francisco de Borja Freire atingira 50 anos de serviço er mais de 70 de idade e o segundo Gravador Luís Gonzaga Pereira 51 anos de serviço e próximo de 70 de idade.

A 07 de Setembrto de 1864 assinou-se em Bruxelas um contrato entre o Governo português, representado pelo Conde de Seisal e Charles Wiener, em que ele se obrigava:

1º – Dirigir na Casa da Moeda de Lisboa uma Escola Prática de Gravura:

2º – Executar as gravuras necessárias à mesma Casa da Moeda e à Sub-Inspecção Geral dos Correios, assim como todas as outras que lhe fossem pedidas pelo Governo;

3º – Instruir, no espaço de três anos, pelo menos dois alunos em condições de lhe poderem suceder no cargo;

4º – Manter-se em exercício, cumprindo todas as obrigações, durante seis anos.

O seu vencimento era de 720$000 réis por ano, e além disso receberia por cada puinção de moeda de ouro, prata ou cobre, 26$000 réis; por cada matriz de moeda de prata ou cobre 2$000 réis; por cada matriz de moeda de ouro 3$200 réis; pela reproduição de cada punção 12$000 réis.

Charles Wiener, que deve ter entrado emn exercício nos fins do ano de 1864, foi considerado funcionário da Casa da Moeda sob as ordens imeaditas do Director.

Os dois alunos alunos da nova Escola dirigida por Charles Wiener foram Venâncio Pedro Macedo Alves e Eudóxio César Azedo Gneco.

A fama de que vinha precedido, aliada ao sestro portuguesíssimo, felizmente hoje muito atenuado, de nos extasiarmos perante tudo que importamos do estrangeiro, permitiu a Wiener fosse dce inícioo carinhosamente acolhido em Portugal.

À Exposição organizada pela Sociedade Promotora das Belas Artes em 1865 concorreu com 55 Medalhas e Moedas de sua autoria, das quaios só duas de assuntos portugueses: reverso de uma Moeda de 5$000 réis, e Medalha (talvez selo branco) do Crédito Predial Português, e ainda com três Medalhões em gesso, um dos quais com efígie do Escritor e Jornalista António Augusto Teixeira de Vasconcelos.

Na Exposição de 1866, promovida pela mesma Sociedade, voltou a expôr. Desta vez 11 trabalhos de gravura, e entre elas; um retrato de El-Rei D. Luís, a Medalha da Exposiçãso Internacional da Cidade do Porto; e a Medalha da Sociedade Promotora de Belas Artes em Portugal. Foi neste mesmo certame que figurou com outros quadros, o Medalhão em gesso com a efígie do Gravador da Casa da Moeda Francisco de Borja Freire.

Charles Wiener não chegou, porém, ao termo do contrato, pois foi forçado a rescindi-lo em Junho de 1867. É que, a despeito das qualidades que o haviam imposto à admiração dos seus contemporâneos belgas, ele não foi feliz nos trabalhos que executou em Portugal.

A cunhagem da Moeda de Ouro de D. Luís constituiu para ele um desastre. O busto do soberano foi de grande dificuldade para o artista, e os ensaios dos cunhos arrastaram-se por muito tempo, sempre com insucesso, não obstante a necessidade que havia de pôr em circulação a moeda do novo reinado.

Antes de partir fechou a curta carreira em Portugal com um gesto simpático, confiando ao Director da Casa da Moeda um sobrescrito com 80$000 réis que deveriam ser entregues aos seus dois alunos Venâncio Alves e Azedo Gneco, logo que aquele funcionário julgasse o trabnalho dos dois moços dignos da recompensa.

Charles Wiener foi, em Portugal, Cavaleiro da Ordem de Cristo; recebu uma Medalha de 1ª Classe na Exposição Internacional do Porto, em 1865, e ainda outras Medalhas nas Exposições organozadas pela Sociedade Promotora de Belas Artes em Portugal nos anos de 1865 e 1866.

Por sua morte legou ao Estado Belga a propriedade de mais de 200 punções e matrizes de Medalhas por ele gravadas, que se encontram no Museu da Casa da Moeda de Bruxelas e se acham descritas no Catálogo do mesmo Museu.

Quanto a Selos de Correio só um se deved ao Gravador belga; o da emissão de D. Luís I, de 1866-1867, que desenjou e gravou.

Esta emissão distingue-se das nateriores por se ter adoptado um só desenho para todas as taxas. Com a mesma gravura fez-se a emissão de 1867-1870 que tem mais um valor: 240 réis, cor lilás malva. Foram também estes os primeiros selos portugueses denteados, para o que se encomendou em Londres uma máquina de perfurar seos de correio, cujo pagamento, ao fabricante Joseph Fennm, no valor de £ 23.4.8 (107$490 réis), foi autorizado em Janeiro de 1866.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

“Efemérides”

Faz hoJe 581 que foi instituída a Inquisição em Portugal. Essa sinistra instituição foi criada a 23 de Maio de 1536, no reinado de D. João III, por bula do Papa Paulo III.

“Hoje Fala o Rocha” – Rocha Martins, Jornalista e Historiador, faleceu faz hoje 65 anos.

 

Carnide 1781Francisco José da ROCHA MARTINS, Jornalista e Historiador, nasceu em Belém (Lisboa), a 30-03-1879, e faleceu em Sintra, a 23-05-1952. Era filho de José Dias Martins e Mariana da Rocha Martins. Frequentou o Instituto Industrial mas não concluiu o Curso.

Atraído pela actividade literária, começou a colaborar com contos e folhetins na imprensa periódica, tornando-se gradualmente conhecido. Frequentou também o Curso Superior de Letras.

Pela mão de Maglhães Lima entrou como folhetinista no jornal »A Vanguarda«, destacando-se pelas temáticas de natureza histórica. Vários dos seus contos/folhetins foram posteriormente publicados em volumes autónomos. Transferiu-se depois para o »Jornal da Noite«. Em 1903-1910 tornou-se Director da »Ilustração Portugueza«, em colaboração com Carlos Malheiro Dias. Colaborou em vários outros jornais. Na década de 20 dirigiu o ABC e, em 1932, fundou o »Arquivo Nacional«.

Em termos políticos, aderiu ao franquismo e à Causa Monárquica. Em 1918 foi eleito Deputado pelo círculo de Oliveira de Azeméis nas listas monárquicas. A partir de 1945 publicou muitos artigos no jornal »República« favoráveis à oposição democrática.

Nos anos quarenta, escreve no jornal República e o grito dos ardinas proclamava: fala o Rocha! Fala o Rocha! Seguido de, em surdina, Salazar está à brocha..

Entre a sua abundante obra, onde avultaram o romance histórico e a história narrativa e biográfica, podem citar-se títulos como: “Os grandes amores de Portugal”, em 1900, “Maria da Fonte”, em 1903, “Bocage”, em 1907, “Rei Santo”, 1907-1908, “A Corte de Junot em Portugal”, em 1910, “A Monarquia do Norte”, em 1922, “Dom Carlos, História do seu Reinado”, em 1926, “Dom Manuel II”, em 1916-1917, “Pimenta de Castro, os Grandes Vultos da Restauração”, em 1939, “Lisboa de Ontem e de Hoje”, em 1946, “Vermelhos, Brancos e Azuis”, em 1950, etc.

Pertenceu à Maçonaria, tendo sido iniciado em 1906 na loja Simpatia e União, mas não passando do grau 1.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada; Barreiro; Cartaxo (Freguesia de Vila Chã de Ourique); Cascais (Freguesia da Parede); Lisboa (Freguesia de Carnide, Edital de 31 de Agosto de 1993, ex-Impasse A1 do Bairro da Horta Nova); Loures (Freguesia de Camarate); Moita (Freguesia de Alhos Vedros); Porto; Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins e Belas).

Fonte: “Parlamentares e Ministros da 1ª Republica, (1910-1926”, (Coordenação de A. H. Oliveira Marques, Edições Afrontamento, Colecção Parlamento, Pág. 286 e 287).

“GRAVADORES DE SELOS POSTAIS PORTUGUESES”

cavalo-dos-ctt-antigoO exemplo da Inglaterra na instituição do Selo Postal, em 1840, não foi seguido pelas restantes Nações da Europa e da América por forma tão expontânea como seria natural em presença da excelência, imediata e universalmente reconhecida, do novo sistema!

É que as novidades trazidas pelo progresso esbarram sempre com o estorvo dos interesses criados, com a rabujice dos velhos aferrados aos usos do seu tempo, e muito especialmente com a reserva dos que desconfiam sempre, por hábito e por medo, de tudo que é novo.

Só três anos depois da iniciativa britânica, os pequenos Cantões de Zurich e de Genebra, da pacata e laboriosa Suíça, se aventuraram à emissão dos seus selos, decisão em que os acompanhou o Brasil, que nesse mesmo ano de 1843 emitiu a sua primeira estampilha, conhecida na gíria filatélica pela designação de olho de boi.

Sseguiram-se-lhe: Cantão de Basileia, em 1845; Estados Unidos da América do Norte, e Ilha Maurícia, em 1847; França, Bélgica e Baviera, em 1849; Espanha, Suíça, Áustria, Lombardia, Saxónia, Prússia, Schlesvig-Holstein, Hanobre, Nova Gales do Sul, Guiana Inglesa e Vitória, em 1850; Dinamarca, Bade, Wurtemberg, Canadá, Trindade, Sardenha, Toscana e Reino de Hawai, em 1851; Oldemburgo, Modena, Tour e Taxis, Brunswick, Estados da Igreja, Holanda, Parma, Luxemburgo, Barbados e Ilha da Reunião, em 1852; Portugal, em 1853.

Os notáveis estadistas Duque de Saldanha, Rodrigo da Fonseca Magalhães, António Maria Fontes Pereira de Melo e António Aluísio Jervis de Atouguia, subscrevendo o Decreto de 27 de Outubro de 1852, que reformou profundamente os Serviços de Correios e introduziu em Portugal o uso da estampilha, tornaram-se, assim, credores do reconhecimento dos seus concidadãos.

O selo, esse pequenino rectângulo de papel colorido que revolucionara as relações postais de todo o Mundo logo no início do seu aparecimento, em 1840, ia agora, treze anos decorridos, estender os seus benefícios ao território português.

Pelo Artigo 4º do mesmo título Reforma Postal estipulou-se que seriam gravados na Administração da Casa da Moeda e Papel Selado, os selos de franquia ou estampilhas dos diferentes padrões que mais possam facilitar o seu uso.

Casa da Moeda e Administração do Correio iam assim ficar intimamente ligados por quase um Século. Logo a 29 de Novembro de 1852 o Sub-Inspector Geral dos Correios, João de Sousa Pinto de Magalhães,  relata ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, do qual dependiam, então, os Correios, as diligências já efectuadas no tocante ao fabrico das estampilhas.

 

 

Francisco de BORJA FREIRE, Gravador, natural de Lisboa, nasceu a 24-09-1790 e faleceu a 12-01-1869. Era filho de João Luís Freire, Ourives de profissão, com Loja na Rua da Prata, e de Genoveva Maria da Luz. Apenas com nove anos de idade, iniciou a sua carreira artística, frequentando a Escola de Desenho e Gravura do Arsenal Real do Exército, onde teve como Mestres os hábeis Gravadores João de Figueiredo e o filho deste, António Joaquim de Figueiredo.

Em 1814, foi despachado Praticante de Abridor da Casa da Moeda e trabalhou sob a direcção de Domingos António Sequeira, na baixela oferecida por Portugal a Lord Wellington. Foi depois ajudante de seu tio, Cipriano da Silva Moreira, sucedendo-lhe no lugar provisoriamente e depois definitivamente por concurso de 1828.

Em 1830 era nomeado 2º Abridor da Casa da Moeda e condecorado a seguir com as Ordens de Cristo e da Conceição.

Por Portaria de 19 de Janeiro de 1853 foi mandado ficar temporariamente à disposição do Ministério das Obras P+ublicas, a fim de ser utilizado numa comissºao fora do País. De facto, seguiu pouco depois para Inglaterra com incumbência de adquirir uma máquina e outris utencílios necessários à fabricação de selos de franquia.

Em 30 de Março estava já de volta, porque nessa data se promove a entrega aos Correios de 4 dúzias de cunhos de selos e uma prensa de marcar que se acham na Alfândega Grande de Lisboa trazidas de Londres por Frasncisco de Borja Freire.

Em 01 de Abril os diferentes modelos de estampilhas desenhadas por Freire são presentes pelo Sub-Inspector Geral dos Correios ao Ministro das Obras Públicas, que assinala a tinta encarnada os modelos preferidos, com a indicação de que se deverá substituir neles a palavra selo pela palavra Correio. Em 07 é autorizada a aquisição de vários utensílios necessários ao Gravador; em 13 chegam de Londres e barris de goma e uma caixa de tintas, e, finalmente, a 27 anuncia-se a chegada de dois caixotes contendo a máquina para edstampar selos postais e a roda de mão para dar impulso à mesma máquina.

Entretanto, enquanto ia chegando a Lisboa o material escolhido por Borja Freire, entregava-se este à tarefa de abrir cunhos de selos que ele próprio desenhara.

Os primeiros que aprontou foram os das taxas de 5 e de 25 réis. Em 17 de Maio recebeu as primeiras 20 resmas de papel para começar a impressão dos selos daquelas duas taxas.

Estando marcado o dia 01 de Julho para o início da venda de estampilhas, a Sub-Inspecção impacientava-se com a morosidade com que decorria o trabalho, e alvitrava que o pessoal da Casa da Moeda trabalhasse de dia e de noite, incluindo os dias feriados.

O Director daquele estabelecimento, ponderando ios inconvenientes do trabalho nocturno, e o receio dum incêndio, que seria de desoladoras consequências, desaprovou a ideia dos serões, mas afirmou a convicção de que estariam prontos at+e 11 de Maio 70.000 selos da taxa de 25 réis.

Perdera-se muito tempo com a instalação e afinação da máquina vinda de Inglaterra, e o rendimento desta era diminuto, visto que imprimia só um selo de cada vez. A cada volta da roda superior da máquina, baixava um cunho, que imprimia e dava o relevo, e tornava a subir. Como cada folha comportava 24 selos distribuídos por seis filas, havia quer deslocar a folha a cada impressão, o que se fazia pelo accionamento manual do tabuleiro em que repiusava a folha de papel. Tudo isto era muito primitivo!

Apesar, porém,  de todas as  dificuldades, copncluiram-sed atéw 30 de Junho 243.600 selos de 25 réis e 128.400 de 5 réis.

Os de 100 réis só ficaram prontos, na quantidade de 49.200, em 02 de Julho e os de 50 réis em 21, na quantidade de 26.400.

É interessante apontar nesta altura algumas das cifras relativas ao fabrico das estampilhas postais, segundo as contas apresentadas à Sub-Inspecção Geral dos Correios pela Casa da Moeda: Os arranjos necessários na respectiva oficina para se colocar a máquina de gravar os selos e bem assim o pessoal que tem sido preciso para aqueles trabalhos… 67.160 réis; despesas de impressão de selos de 14 a 30 de Junho … 47-540 réis.

A primeira emissão de selos portugueses desenhados por Borja Freire, em 1853, compõe-se, de quatro valores: 5, 25, 50 e 100 réis, impressos em relevo, e nas cores respectivamente castanho, azul, verde e lilás.

O selo representa a efígie da Rainha D. Maria II, de perfil, tendo uma cercadura diferente para cada taxa.

O trabalho, inspirado nos selos ingleses, é explendido e suporta, com vantagem, o confronto com os selos até então emitidos por todos os outros países; e basta por si só para afirmar a personalidade artística do Gravador que os executou.

Em Dezembro de 1864, Borja Freire deu por finda a sua carreira oficial e apoisentou-se do cargo do 1º Abridor da Casa da Moeda; quatro anos depois, na manhã de 12 de Janeiro de 1869, faleceu subitamente na sua residência da Rua de São Nicolau, nº 26.

Possuidor de apreciável fortuna, deixou parte dela a parentes e amigos e o restante a estabelecimentos de caridade e assistência, tais como: Hospital da Confraria dos Ourives da Prata; Cofre de Beneficência da Irmandade do Santíssimo da Freguesia de São Nicolau; Misericórdia de Lisboa; Casa Pia, Hospital de São José, Asilo da Mendicidade de Lisboa; Asilos da Infância Desvalida, etc. Dispôs igualmente no testamento, datado de 1865, que, no caso de falecer por ocasião de uma das suas viagens ao estrangeiro, os seus despojos viessem para Lisboa, afim de serem imunados no seu jazigo do Cemitério do Alto de São João.

Numa das Exposições anuais da Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal, na de 1866, figurou um Medalhão, em gesso com a efígie do Gravador Borja Freire, modelada por Charles Wiener, ao tempo contratado pelo Governo Português para dirigir os trabalhos de gravura da Casa da Moeda.

Borja Freire, era cavaleiro professo da Ordem de Cristo, por mercê de 30 de Agosto de 1825, e Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 4, Pág. 939 e 940)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

“Esquecidas da História”

 

Gabriela Nemésio, merece ser conhecida, merece ficar na História, não por ter sido casada com o Professor e Escritor Vitorino Nemésio, mas sim pelo seu percurso de vida.

 

Gabriela NemésioGABRIELA Monjardino de Azevedo Gomes NEMÉSIO, nasceu na Horta (Ilha do Faial – Açores), A 21-05-1900, e faleceu em Lisboa, A 29-08-1980. Era filha de Francisco de Azevedo Gomes e de Georgina de Ornelas de Almeida Monjardino (26/01/1870-22/10/1930).

Casou em Coimbra, na Igreja de Santa Maria de Celas, a 12 de Fevereiro de 1926, com o Professor e Escritor Vitorino Nemésio [19/12/1901-20/02/1978], igualmente açoriano, da Praia da Vitória, Ilha Terceira, e que concluíra, em 1921, o Liceu naquela cidade e onde pediu para ser sepultado.

Nos anos 40, Gabriela Monjardino Gomes Nemésio tornou-se, por proposta da Professora de Educação Física Maria Joana Duarte Rosendo Dias, sócia do núcleo de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz.

Gabriela de Azevedo Gomes Nemésio, Tornou-se sua Presidente provisória em 1949-1950, nomeada por indicação de Lisboa.

Embora a Presidente eleita em 1950-1951 e 1951-1952 fosse Laura Celeste Tavares Mendes [Lemos], casada com Álvaro Viana de Lemos, foi Gabriela Nemésio que, a 26 de Março de 1952, foi intimada da dissolução e encerramento daquela, devendo indicar o nome e morada dos restantes membros dos corpos gerentes [(1947-1952), “Processo Associação Feminina Portuguesa para a Paz”, CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_149100 (2014-7-10)].

Apesar de o marido se encontrar a leccionar em Lisboa, Gabriela Nemésio manteve sempre uma grande ligação a Coimbra, onde se relacionava há muito com vários inteletuais ligados à oposição, nomeadamente com a família Cochofel, sendo que Maria Albina de Manique e Melo Cochofel [12/09/1887-29/10/1947] e Maria da Graça Simões de Carvalho Dória Cochofel, respectivamente mãe e esposa de José João Cochofel [1919-1982], integravam o núcleo de Coimbra do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

Fonte: “silenciosememorias.blogspot.pt”

Lília da Fonseca, Escritora, Jornalista e Antifascista, se fosse viva, faria hoje 101 anos de idade. Aqui fica esta simples homenagem.

 

Lília da FonsecaLÍLIA DA FONSECA é o pseudónimo de Maria Lígia Valente da Fonseca Severino, Escritora e Jornalista, nasceu em Benguela (Angola), a 21-05-1916, e faleceu em Alverca do Ribatejo (Vila Franca de Xira), a 13-08-1991. Fez os Estudos Secundários em Coimbra, no Liceu Infanta D. Maria, e no Porto, na Escola Carolina Michaëlis. Por trabalhos em prosa  e verso recebeu vários prémios em jogos florais da Emissora Nacional. Colaborou na Seara Nova.

Fundou e dirigiu, entre 1950 e 1956, o jornal Magazine da Mulher. Em 1962 fundou o Teatro de Fantoches de Branca Flor, onde criou o Centro de Animação de Fantoches, que dirigiu até ser extinto, em 1979. Especializou-se em Teatro Infantil e de Marionetas, tendo estagiado para isso no estrangeiro (1964-1965, 1969,1973).

Na sua obra escrita avulta o sector da literatura infantil, em diversos livros distinguidos com prémios. Fora deste sector publicou livros de poesia, como: “Poemas da Hora Presente”, em 1958, o volume de contos “Filha de Branco”, em 1960, e romances, como: “Panguila”, em 1944 e “Relógio Parado”, em 1961 (apreendido pela censura).

Lília da Fonseca, também marcou presença na Associação Feminina Portuguesa para a Paz, temdo assinado um escrito sobre a Paz no seu Boletim “A Paz pela transformação do homem”; Boletim da Associação Feminina Portuguesa para a Paz.

A seguir ao fim da Guerra, em Novembro de 1945, foi signatária de um manifesto de intelectuais em que se protestava contra «as limitações de toda a espécie», de que a sua actividade era objecto.

Em 1957, com a Médica Cesina Bermudes e a Escritora Natália Correia, fez parte da Comis~sao Cívica Eleitoral de Lisboa, que procurava dar enquadramento legal à oposição nas eleições que se avizinhavam.

A partir de 1977, e até ao seu falecimento, integrou o Conselho Nacional do Movimento Democrático de Mulheres.

Obras principais: Panguila, (romance, 1944); Poemas da Hora Presente, (1958); Filha de Branco, (contos e novelas, 1960); O Malmequer das Cem Folhas, (contos para a infância, 1960); O Relógio Parado, (romance, 1961). No âmbito da  literatura infantil propriamente dita publicou mais de trinta títulos, como: As Três Bolas de Sabão, A Borboleta Azul, O Livro da Teresinha, etc.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Odivelas, Seixal (Freguesia de Corroios).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 566)

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia~Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário”, (de Mário Matos e Lemos, Luís Reis Torgal, Coordenador, Colecção Parlamento, Edição da Assembleia da República, 1ª Edição, Lisboa, Outubro de 2009, Pág. 170 e 171).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág.  226).

O Aquário Vasco da Gama, foi inaugurado, faz hoje 119 anos.

AQUÁRIO VASCO DA GAMA (RUA DO)

AquárioAquário Vasco da Gama, Estação Biológica Marítima, situada no Dafundo.

O Aquário Vasco da Gama, foi inaugurado em 20 de Maio de 1898, pelo Rei D. Carlos I, de forma a celebrar o 4º Centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Teve a orientação do Cientista Albert Girard (1860-1914).

Fonte: “Grande Enciclopédia do Conhecimento”, (2º Volume, Pág. 186)

Os C.T.T., com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

cavalo-dos-ctt-antigoLuís de Albuquerque COUTO DOS SANTOS, Engenheiro; 4º Administrador-Geral dos Correios e Telégrafos, exerceu este cargo de 1933 a 1937; e 12º( e último) Correio-Mor, cargo que exerceu desde 1947.

Nasceu no Porto, na Freguesia do Bonfim, a 10 de Agosto de 1896, e faleceu em Lisboa, em 1976. Era filho do Engenheiro Luís Couto dos Santos, Professor Catedrático e Director da Faculdade de Engenharia do Porto, e de D. Laura Eulália de Azevedo Albuquerque Couto dos Santos. Neto paterno de Miguel Couto dos Santos, Cavaleiro das Ordens de Cristo, de Santiagom e da Rosa; Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa; Mestre Ferreiro e Serralheiro da Casa Imperial do Brasil, e fundador, em 1862, na cidade do Rio de Janeiro, da «Imperial Fábrica de Fundição de Ferro e Bronze»; neto materno do Engenheiro Joaquim de Azevedo de Sousa Vieira da Silva Albuqerque, Senhor das Casas das Virtudes (Porto); Casal Dasco (Santiago de Besteiros) e Cortinhães (Penalva do Castelo) e Lente Catedrático da antiga Academia Politécnica do Porto, onde era proprietário da cadeira de Mecãnica Racional e Cinemática (1876).

Fez o Curso completo dos Liceus no afamado Colégio da Boavista, do Porto, de que foi Director e Professor João Diogo (1908-1913).

Cursava Engenharia na Universidade de Bruxelas, quando o deflagrar da guerra europeia de 1914 o forço a abandonar aquela Escola Superior.

Voltando ao Porto, frquentou preparatórios de Engenharia civil na Faculdade de Ciências (1914 a 1917) e concluíu a formatura na Faculdade de Engenharia, com 17 valores, em Agosto de 1920.

De Outubro de 1918 até ao fim do ano lectivo de 1920 desempenhou, a convite do Professor Dr. Sousa Pinto,o cargo de 2º Assistente de Física da Faculdade de Ciências do Porto, e em 1919-1920 foi Professor de Desenho da mesma Faculdade, no impedimento, por doença, do proprietário da cadeira, Engenheiro Paulo Ferreira.

Em Outubro de 1920 passou a exercer o lugar de 2º Assistente da Facudlade de Engenharia, no grupo de Electrotécnia, situação que se conservou até ao ano de 1929, em que, mediante concurso de provas públicas, teve a nomeação de Professor Auxiliar do mesmo grupo.

Encarregado da regência da cadeira de «Medidas Eléctricas», desde 1923, organizou e montou completamente o respectivo Laboratório e publicou um Guia de Trabalhos Práticos de Medidas Eléctricas; dois dos mais distintos alunos desta cadeira publicaram as lições do Sr. Engenheiro Couto dos Santos.

Exerceu também as funções de: Chefe das Oficinas da Companhia Carris de Fero do Porto; Engenheiro-Inspector de Obras da Santa Casa da Misericórdia da mesma Cidade; Secretário da Direcção da Associação dos Engenheiros Civis do Norte de Portugal; e Comissário do Governo junto das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade de Lisboa.

De Julho de 1929 a Julho de 1932 ocupou o lugar de Chefe de Gabinete do Ministro do Comércio e Comunicações, Dr. João Antunes Guimarães.

Finda esta comissão regressou à regência da sua cadeira na Faculdade de Engenharia, que acumulou com a assistência aos trabalhos práticos doutras disciplinas.

Em Agosto de 1933 foi convidado a desempenhar interinamente, em comissão de serviço, o cargo de Administrador-Geral dos Correios e Telégrafos, de que tomou posse em 26 do mesmo mês; e a 18 de Março de 1938 foi definitivamente provido no lugar, após a aposentação do Sr. Engenheiro António Maria da Silva. Por este motivo teve de abandonar o magistério, que exercia com devotado carinho.

Depois de 1947, graças à doutrina do Decreto-Lei nº 36.155, de 10 de Maio daquele ano, regressou à tradição restabelecendo-se o título de Correio-Mor na pessoa do Administrador-Geral.

Enumeram-se seguidamente, como índice do seu constante e infatigável labor, as principais providências legislativas e administrativas do período de 1933 a 1962:

Extingue-se o Conselho de Administração dos Correios e Telégrafos (Decreto de 14 de Outubro de 1933).

Criaram-se dois lugares de Administradores-Adjuntos (Decreto de 14 de Outubro de 1933).

Torna-se extensiva ao pessoal dependente da Direcção dos Serviços de Viação a faculdade atribuída aos funcionários dos C.T.T. de apreenderem as correspondências transportadas clandestinamente, com prejuízo do Monopólio do Estado (Decreto de 31 de Outubro de 1933).

Extingue-se a Direcção de Ensino Profissional, e fazem-se outras alterações à Organização dos Serviços (Decreto de 07 de Fevereiro de 1934).

Remodela-se o Serviço de Ambulâncias Postais (Decreto de 10 de Março de 1934).

Fundem-se numa só Direcção, a dos Serviços de Exploração Postal e a dos Serviços de Exploração Eléctrica; Cria-se a Direcção de Serviços Industriais, e fazem-se ainda outras alterações nos quadros da Administração-Geral dos C.T.T. (Decreto de 09 de Janeiro de 1935).

Institue-se o Fundo de Cauções destinado a indemnizar quaisquer prejuízos provenientes de alcance ou peculato (Lei 1922 de 14 de Junho de 1936).

Oficializa-se o emblema escolhido pela Administração-Geral dos C.T.T. (Portaria de 28 de Agosto de 1936).

Organiza-se uma Secção de Informações e Reclamações (Ordem de Serviço de 29 de Janeiro de 1937).

Organiza-se provisoriamente, uma Secção de Propaganda e Publicidade (Ordem de Serviço de 05 de Abril de 1937).

É aprovado o programa de remodelação do material e instalações da Administração-Geral dos C.T.T., compreendendo: a) o plano geral de construções Telefónicas e Telegráficas, a realizar no prazo de quinze anos, no valor total de 326.000 contos; b) Um plano de edificações, a realizar no prazo de cinco anos, no total de 66.500 contos; c) Um plano de aquisição de material, incluindo mobiliário para as estações e serviços, automóveis, máquinas e diversos, a realizar no prazo de cinco anos, no total de 21.800 contos. Pata custear estas despesas de execução do programa referido é autorizado a concessão de um empréstimo à Administração-Geral dos C.T.T. até à importância máxima de 414.300 contos, a utilizar durante quinze anos (Lei 1959, de 03 de Agosto de 1937).

Fazem-se algumas emendas aos Regulamento dos Serviços de Encomendas Postais (Decreto de 03 de Setembro de 1937).

Estabelece-se o pré-aviso no Serviço Telefónico Interno (Decreto de 18 de Fevereiro de 1938).

Regulamentam-se as formalidades preliminares indispensáveis para a emissão de fórmulas de franquia postal (Decreto de 18 de Fevereiro de 1938).

Fixam-se as taxas para exploração, pelos C.T.T., dos serviços de anúncios nas Estações, Listas Telefónicas, Cadernetas, rosto dos Bilhetes Postais, etc. (Decreto de 18 de Fevereiro de 1938).

Estabelecem-se as taxas de Telegramas noticiosos de imprensa entre Continente e Ilhas e o Império Colonial Português (Decreto de 19 de Fevereiro de 1938).

Estabelecem-se as normas mínimas, a que, tecnicamente, devem obedecer os postos particulares de Radiodifusão (Decreto de 03 de Março de 1938).

Eleva-se para 100 contos o limite máximo de declaração de valor de cartas, caixas ou Encomendas Postais (Decreto de 20 de Julho de 1938).

Regulamenta-se a escolha e a execução das fórmulas de franquia (Decreto de 25 de Agosto de 1938).

Reorganizam-se os serviços, quadros e vencimentos do pessoal dos C.T.T. (Decreto de 07 de Dezembro de 1938).

Estabelece-se a tabela de taxas Telegráficas Nacionais do Continente e Ilhas Adjacentes e coordenam-se algumas disposições relativas ao Serviço Telegráfico (Decreto de 26 de Julho de 1939).

Regulamentam-se os concursos de admissão e promoção do pessoal dos C.T.T. (Decreto de 21 de Agosto de 1939).

Publica-se um novo plano de fardamentos para o pesoal menor (Portaria de 07 de Outubro de 1939).

Regula-se a instrução e julgamento dos processos por crime de furto ou dano de traçados de telecomunicações (Decreto de 23 de Maio de 1940).

Regulamenta-se o serviço de correspondências fonopostais (Decreto de 02 de Julho de 1940).

Cria-se o Serviço de Correspondência Postal com a designação de resposta sem franquia (Decreto de 22 de Outubro de 1940).

Regulamenta-se o Serviço Telegráfico de Radiocomunicações de múltiplos destinos (Decreto de 28 de Março de 1941).

Cria-se o Serviços de Radiotelegramas-cartas a permutar entre as Estações Costeiras Portuguesas do triângulo Continente-Açores-Madeira e navios portugueses que naveguem fora da zona marítima do referido triângulo (Decreto de 07 de Maio de 1941).

Tornam-se extensivas às correspondências postais permutadas em todo o território do Império Português as taxas que vigorarem nos Serviços Metropolitanos, e autoriza-se o Governo a negociar a celebração de Convénios Postais e Telegráficos com o Brasil e a rever os Convénios existentes com a Espanha (Decreto de 26 de Julho de 1941).

Estabelecem-se as taxas de Encomendas Postais trocadas entre a Metrópole e as Provícnias Ultramatinas (Decreto–Lei de 29 de Julho de 1941).

Estabelecem-se as taxas de Encolmendas Postais do serviço imperial (Decreto-Lei de 29 de Julho de 1941).

Altera-se a tabela de taxas telegráficas metropolitanas (Decreto de 11 de Agosto de 1941).

Publicam-se algumas alterações ao Regulamento para os Serviços dos Correios de 1902 (Decreto de 21 de Agosto de 1941).

Fazem-se algumas emendas ao Regulamento para o serviço de Encomendas Postais de 22 de Agosto de 1911 (Decreto de 28 de Janeiro de 1942).

Aprovam-se as bases de cooperação entre a Administração-Geral dos C.T.T. e os Serviços Radiotelegráficos Militares (Portaria de 26 de Maio de 1942).

Publica-se o novo Regulamento de exploração e tarifas da Rede Telefónica Nacional (Decreto de 10 de Setembro de 1942).

Aditam-se ao Regulamento anterior algumas disposições relativas aos Açores (Decreto de 29 de Dezembro de 1942).

Estabelecem-se as bases de entendimento entre a Administração-Geral dos C.T.T. e a Junta Autónoma de Estradas, para resolução dos problemas que interessem aos dois organismos oficiais (Portaria de 16 de Fevereiro de 1944).

Como complemento ao Decreto nº 31.421, de 1941, que estabeleceu a uniformização de portes do correio em todo o território português, fixam-se as taxas e prémios relativos aos serviços de assinaturas de jornais, correspondências contra reembolso, títulos a cobrar, vales do correio e valores declarados, e as normas para a execução desses mesmos serviços (Decreto de 05 de Dezembro de 1944).

Legisla-se sobre o Serviço de Radiocomunicações de destinos múltiplos – R.D.M. (Decreto de 05 de Janeiro de 1945).

É aprovado um acordo telegráfico luso-espanhol (Decreto-lei de 23 de Julho de 1945).

Adoptam-se algumas providências complementares relativas às reclamações e indemnizações nos Serviços de Encomendas Postais (Decreto de 16 de Novembro de 1945).

Publica-se o Regulamento dos conjuntos atenuadores de interferências rádio-eléctricas de origem industrial (Decreto de 08 de Janeiro de 1946).

Faz-se uma profunda revisão da orgânica dos serviços, quadros e vencimentos do pessoal dos C.T.T (Decreto-Lei de 10 de Fevereiro de 1947).

Fixam-se as condições técnicas e de exploração em que deverão funcionar os postos de TSF de amadores (Decreto de 29 de Julho de 1947).

Estabelecem-se novas normas tarifárias aplicáveis aos telegrams do regime ultramarino, de acordo com a Companhia Marconi (Decreto de 10 de Setembro de 1947).

Ampliam-se algumas disposições do Regulamento de Encomendas Postais (Decretos de 06 e 13 de Janeiro, de 02 de Junho e de 04 de Novembro de 1948).

A Administração-Geral dos C.TT. é autorizada a explorar o serviço de comunicações telegráficas por aparelhos teleimpressores entre assinantes (Decreto de 09 de Janeiro de 1948).

Actualizam-se algumas disposições do regulamento para o serviço de permutação de fundos por intermédio do Correio (Decreto de 14 de Janeiro de 1948).

Regulamenta-se a admissão e promoção do pessoal dos C.T.T. em novos moldes (Decreto de 17 de Maio de 1948).

Fazem-se algumas alterações à legislação da exploração e tarifas na rede telefónica (Decretos de 03 e 04 de Novembro de 1948).

Fixam-se novos valores para algumas das taxas unitárias dos sistemas tarifários dos serviços nacionais de exploração dos C.T.T. (Decreto de 03 de Novembro de 1948).

Institui-se o servilo de franquia de correspondências postais por meio de máquinas apropriadas (Decreto de 14 de Janeiro de 1949).

Restabelece-se a «Medalha dos C.T.T.» de bom serviço e exemplar comportamento (Portaria de 03 de Março de 1949).

Publica-se o Estatuto Disciplinar do Pessoal dos Correios, Telégrafos e Telefones (Portaria de 24 de Julho de 1950).

Remodela-se o serviço de receptáculos domiciliários de correspondência postal (Decreto-lei de 01 de Agosto de 1950).

Celebra-se, com a Companhia Portuguesa Rádio Marconi, um contrato adicional ao Convénio da execução de serviços telegráficos assinado em 1941 (Decreto de 19 de Outubro de 1951).

Publicam-se algumas alterações no Regulamento para o serviço de permutação de fundos por intermédio do Correio (Decreto de 30 de Agosto de 1952).

Instituem-se os vales de cobrança (Decreto de 23 de Janeiro de 1953).

Adopta-se um novo emblema dos C.T.T. (Portaria de 23 de Stembro de 1953). Aprovam-se novos estatutos de concessão com as Companhias de Cabos de Submarinos estabelecidas em território português (Decreto-Lei de 06 de Janeiro e 21 de Maio de 1956, 01 de Fevereiro de 1957, 08 de Fevereiro e 23 de Maio de 1960 e 11 de Setembro de 1962).

Publica-se o Estatuto do Selo Postal (decreto-lei de 27 de Julho de 1959).

Dos acontecimentos de relevo deste período de administração (de 1933 a 1963), sobressaem, pelo imediato interesse que despertaram no público, as realizações seguintes:

Construção e instalação, em 1933-1934, da Emissora Nacional, primeira Estação de Radiodifusão do Estado, que, algum tempo após a sua inauguração, deixou de fazer parte do quadro de serviços da Administração-Geral dos Correios e Telégrafos.

Instalação, em 1939, da moderna Estação dos C.T.T. dos Restauradores, destinada a servir uma das zonas de maior movimento da Capital.

Estabelecimento, em 1941, do Serviço Postal Imperial, isto é, a criação de uma tarifa única para todas as correspondências permutadas entre o Continente, as Ilhas Adjacentes e as Províncias do Ultramar Português.

Estabelecimento, em 1941, da taxa telegráfica única para todas as Províncias Ultramatinas.

Assinatura, em 30 de Abril de 1942, do Acordo Postal com o Brasil, para a aplicação da tarifa postal interna à correspondência permutada entre os dois países: Um dos factos de maior alcance político, de mais relevante utilidade e de mais perfeita compreensão, de todo o ciclo de acontecimentos que nos últimos três anos se tem produzido na política luso-brasileira, na opinião do notável Escritor Dr. Júlio Dantas.

Construção, por conta do Estado, dos primeiros 88 novos edifícios de Correios, Telégrafos e Telefones, dos 100 previstos no plano geral de edificações a realizar no Continente e Ilhas. (Os edifícios construídos foram os seguintes:

Póvoa de Varzim; Vila Nova de Gaia; Mealhada; Albergaria-a-Velha; Penafiel; Estarreja; Setúbal; Vila Nova de Ourém; e Peso da Régua, em 1941.

Tomar; Amarante; Aveiro, Estoril; Entroncamento; Funchal e São João da Madeira, em 1942.

Abrantes; Torres Vedras; Beja; Loulé; Figueira da Foz e Barreiro, em 1943.

Pedras Salgadas; Coruche; Vila Franca de Xira; Aljustrel; Almeirim; Montijo; Valença; Fronteira; Crato; Nelas; Tondela; Golegã e Grândola, em 1944.

Reguengos de Monsaraz; Bragança; Moura; Águeda; Anadia; Braga; Odemira, Ourique e Bom Sucesso (Pavilhão), em 1945.

Proença-a-Nova; Albufeira; Nisa; Portimão; Seia; Leiria; Mértola; Mogadouro; Oliveira do Hospital e Campo Maior, em 1946.

Macedo de Cavaleiros; Moncorvo; Castro Verde e Ferreira do Alentejo, em 1947.

Tortosendo, Santa Comba Dão; Évora; Vendas Novas; Pombal; Arganil e Silves, em 1948.

Horta; Angra do Heroísmo,  Matosinhos e Santa Cruz das Flores, em 1949.

Covilhã e Lisboa (Praça D. Luís), em 1950.

Vila Real, em 1952.

Ponta Delgada, em 1954.

Freixo de Espada-à-Cinta, em 1956.

Lagoa (Faro) e Castelo de Vide, em 1958.

Oliveira de Azeméis, em 1959.

Olhão; Oeiras; Óbidos; Figueiró dos Vinhos; Faro; Vila Verde da Raia e Montemor-o-Novo, em 1961.

Felgueiras e Beja (Depósito de Material), em 1962.

Praia da Vitória e Mafra, em 1963.

Além destes, de 1941 a 1962 foram construídos por particulares, para arrendamento aos C.T.T., mais de 193 edifícios especialmente para esse efeito.

Automatização do serviço telefónico local e regional, a cargo dos C.T.T., do grupo de resdes de Coimbra (1942), a que se seguiram os grupos de redes de Braga (1943); Viseu (1945); Torres Novas (1946); Setúbal (1949); Caldas da Rainha (1949); Leiria (1949); Viana do Castelo (1952); Évora (1952); Figueira da Foz (1952); Covilhã (1958); Funchal (1958); Ponta Delgada (1959); Aveiro (1959); Vila Real (1960), e Mealhada (1961).

Instalação, em 1945, dos primeiros aparelhos teleimpressores.

Instalação, em 1947, do primeiro cabo telefónico interurbano (Lisboa-Vila Franca de Xira).

Criação, dem 1947, do Museu dos Correios, Telégrafos e Telefones.

Criação, em 1947, do importante serviço de Ambulâncias Postais por Estrada, que tanto veio a facilitar o giro das correspondências, especialmente entre pequenos aglomerados populacionais.

Realização, em Outubro de 1953, da notável Exposição Filatélica Internacional de Lisboa, integrada nas Comemorações do Centenário do Selo do Correio Português.

Estabelecimento, em 1954, da rede telex-internacional.

Entrada em funcionamento, em 1960, do cabo telefónico coaxial Lisboa-Porto com capacidade para 3.000 circuitos em alta frequência.

Automatização integral, em 1961, da rede telegráfica nacional, tanto para o serviço das estações telegráficas equpadas com teleimpressores, como para os assinantes do serviço «telex».

Automatização, em 1961, do serviço telefónico interurbano Lisboa-Porto.

Inauguração, em 1962, da estação interurbana automática de Coimbra, permitindo comunicações automáticas entre os assinantes dos grupos de redes de Coimbra, Aveiro, Figueira da Foz, Mealhada e Viseu, e destes grupos de redes para Lisboa e outras localidades.

Colaborando nas brilhantes comemorações do Duplo Centenário, 1140-1640, os CTT emitiram uma série de 8 selos com desenhos alusivos ao patriótico acontecimento, e construiram no recinto da Exposição do Mundo Português o elegante Pavilhão das Telecomunicações, inaugurado em 19 de Julho de 1940, onde funcionou uma Estação que desempenhava todos os serviços de Correios, Telégrafos e Telefones, incluindo as correspondências fonopostais que pela primeira vez, em Portugal, foram postas à disposição do público.

No que se refere a benefícios materiais e morais concedidos ao pessoal, neste período dos últimos trinta anos, destaca-se, pela sua longa projecção, a magnífica instituição das Obras Sociais dos CTT, que compreendem as secções seguintes:

Centro de Assistência (sede em Lisboa, delegações no Porto, Coimbra, Beja, Braga, Castelo Branco, Covilhã, Évora, Faro, Funchal, Leiria, Pombal, Ponta Delgada, Santarém, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.

Assistência Médico-Cirúrgica, higiene da maternidade, higiene infantil, e serviço de enfermagem.

Farmácias (Lisboa e Porto): venda de especialidades e produtos galénicos. Em Lisboa, fabrico de algumas especialidades.

Cantinas: (Lisboa, Porto e Funchal); serviço de refeições à lista, merendas, etc.

Presepe dos Cêtêtêzitos (Lisboa); abrigo diurno, com missão educativa, de crianças até 7 anos de idade, filhos de funcionários dos CTT.

Lar de Raparigas CTT (Lisboa): casa destinada a funcionárias sem família que as possa acolher.

Colónias de Férias: Caparica (quatro pavilhões privativos no conjunto FNAT, viagens de ida e volta pagas); Vila Nova de Milfontes, Louriçal do Campo, Gala (Figueira da Foz) e Nazaré (transporte e estadia de crianças nas Colónias locais).

Visitadoria: serviço destinado a possibilitar a investigação de situações de vida dos funcionários que necessitem sensato conselho ou protecção maternal.

Subsídios para Estudos: comparticipação nas despesas com matrículas, propinas, livros, transportes e mantença dos filhos dos funcionários ou dos próprios funcionários.

Balneário: (Lisboa): banhos de chuveiro, quentes e frios.

Centro de Desporto, Cultura e Recreio: Centro de Alegria no Trabalho, filiado na FNAT; grupo coral; grupo cénico; cursos profissionais, de línguas e trabalhos femininos, exposições de fotografia, desenho e pintura, excursões, grupos desportivos, salas de leitura, jogos e convívio, etc.

Fundo Casa de Saúde: instituição particular dos funcionários, administrada em colaboração com as Obras Sociais, destinada a auxiliar o internamento em hospitais e casas de saúde.

Casas Económias: aquisição do direito perpétuo de arrendamento por servidores dos CTT de casas económicas expressamente construídas em Lisboa, Porto, Beja, Aveiro, Évora, Portalegre e Viseu.

Fundpo Especial de Assistência: concecessão de empréstimos e donativos a servidores para solucionar crises económicas acidentais.

Núcleos Cristãos (Lisboa, Porto, Beja, Braga, Castelo Branco, Évora, Faro, Santarém, Vila Real e Viseu): associações voluntárias de funcionários dos CTT; interessados em proporcionar ao semelhante quanto esteja nas suas possibilidades, tanto no aspecto material como no campo moral e espiritual.

Serviços Locais de Assistência: ajustes para prestações de serviços médicos em moldes económicos para servidores dos CTT residentes em localidades onde não existam delegações do CA.

Higiene da Maternida (na província): auxílio às parturientes residentes em localidades onde não haja CA ou Delegações.

Auxílio Especial para Serviços Clínicos e de Enfermagem: subsídios a servidores internados em estabelecimentos hospitalares ou casas de saúde de localidades onde não funcionam Delegações do CA.

Fundo de Maneio dos Beneficiários: capital necessário para permitir pagar em prestações alguns dos serviços solicitados.

Esta obra monumental; única no seu género dentro dos serviços do Estado, foi possível mercê do disposto no artº 50º do Decreto-Lei nº 36.155, de 10 de Fevereiro de 1947, que autorizou a Administração Geral dos CTT a instituir obras de carácter social e cultural em benefício dos seus servidores.

Por virtude do mesmo diploma se estabeleceu a Medalha de Bons Serviços do Pessoal dos CTT, que havia sido extinta em Outubro de 1910.

Como Administrador-Geral dos CTT, o Engenheiro Couto dos Santos presidiu à terceira Reunião do Comité Consultivo Internacional de Radiocomunicações, realizado no Estoril em Setembro de 1934; e em Maio de 1963 presidiu à Delegação portuguesa que tomou parte, em Paris, nas comemorações do Centenário da Conferência Postal Multilateral de 1863.

Fez parte do Conselho Superior dos Caminhos de Ferro; e foi membro do Conselho Superior de Obras Públicas, e da Junta Nacional de Educação.

Era condecorado com o Grande Oficialato da Ordem de Cristo; Comendador da Ordem da Coroa, de Itália; Medalha de Bons Serviços da Legião Portuguesa e a Medalha de Ouro dos CTT.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

No dia em que Mário Sottomayor Cardia faria 76 anos de idade, deixamos aqui esta pequena homenagem.

 

Mário SottomayorMÁRIO Augusto SOTTOMAYOR Leal CARDIA, Político e Professor, nasceu em Matosinhos, a 19-05-1941, e faleceu em Lisboa, a 17-11-2006. Era filho de Mário Augusto Cardia Pires, e era casado com a Escritora Luísa Ducla Soares. Oriundo de uma família da média burguesia urbana, logo aos catorze anos entrou em rutura com os valores políticos e religiosos familiares

Findo o Curso dos Liceus no Porto, chegou à capital em 1958, destinado à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, mas ao fim de um ano trocou o Curso pelo de Filosofia, na mesma Universidade.

Empenhou-se desde muito jovem nas lutas estudantis e, ainda estudante liceal, fez parte do Movimento Nacional dos Estudantes. Na Faculdade de Letras, desempenhou diversas funções na Comissão Pró-Associação, foi Director da revista Grafia (1961) e membro da Junta de Acção Patriótica dos Estudantes da Universidade de Lisboa.

Em Maio de 1962, foi preso pela PIDE e, no mês seguinte, foi suspenso da Universidade de Lisboa por 30 meses, devido à sua participação na greve de fome que decorreu na Cantina da Cidade Universitária. Foi empregado de Escritório numa firma de Lisboa e colaborou em diversas publicações estudantis, designadamente nos jornais Grafia, O Mocho e Idem.

Licenciado em Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa, é desde 1979 Professor Auxiliar convidado da Universidade Nova de Lisboa.

Foi Redactor, de 1964 a 1968 e Chefe de Redacção, de 1968 a 1972 da revista Seara Nova. Distinguiu-se na oposição ao Estado Novo, foi militante do Partido Comunista Português de 1962 a 1971, e em 1969 colaborou na organziação da Comissão Eleitoral Democrática.

Em 19-04-1973 participou na reunião de Bad Münstereiffel (Alemanha), em que foi oficialmente criado o Partido Socialista.

De 1973 a 1987 fez parte dos órgãos dirigentes do Partido Socialista, tendo sido Director do Portugal Socialista, de 1974 a 1976.

Foi Ministro da Educação e Investigação Científica, de 1976 a 1977 e da Educação e Cultura, em 1978.

Entre outros estudos, publicou: Os Direitos do Homem, 1968, O Dilema da Política Portuguesa, 1971, Sobre o Antimarxismo Contestário, 1972, Por Uma Democracia Anticapitalista, 1973, Socialismo Sem Dogma, 1982, Salazar, Abril e o Presente, 1984, e Prosas Sem Importância, 1985.

Foi agraciado com a Grão-Cruz da Ordem da Liberdade em 1991.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Loures.

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 390).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973), Um Dicionário” (Mário Matos e Lemos, Coordenação de Luís Reis Torgal, Pág. 133 e 134, Colecção Parlamento, Edição de 2009).

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 122).

A popular Actriz Raquel Maria, se fosse viva, faria hoje 71 anos de idade.

 

Raquel MariaRAQUEL MARIA Cabrita dos Santos, Actriz, nasceu em Castro Verde, a 18-05-1946, e faleceu em Lisboa, a 26-07-2006. No Barreiro fez a Instrução Primária, onde participou em récitas, que adorava. Tinha, desde criança, outro projecto, o de cursar Belas-Artes, mas as dificuldades económicas da família impediram a sua concretização. Conseguiu, contudo, inscrever-se na Cooperativa dos Gravadores Portugueses, em Lisboa, onde aprendeu as técnicas de Desenho, Gravura e Serigrafia fora das horas de trabalho, como empregada de escritório, secretária ou contabilista.

Começou a representar em 1965, no Grupo de Teatro Amador da Sociedade Recreativa 22 de Novembro, do Barreiro, com a peça A Ratoeira, de Agatha Christie.

Outras peças se seguiram, merecendo especial referência João Gabriel Borkman, de Ibsen, que ganhou vários prémios e foi exibida na Televisão.

Em 1973, foi convidada por Luís Miguel Cintra para fazer parte da fundação de um Grupo de Teatro Profissional. Assim nasceu a Cornucópia, que se apresentou ao público em meados daquele ano com a peça O Misantropo.

Raquel Maria permaneceu no grupo até 1987. Na hora da saída, declarou que “é um gesto doloroso deixar uma comunidade de trabalho, que é quase uma família, mas creio que tal é saudável para mim e para a companhia”. Demais, disseram- -lhe que, “se um dia quiser voltar, a porta da Cornucópia estará sempre aberta”.

Em 1984, foi distinguida pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro com o Prémio de Teatro 25 de Abril, atribuído a vários artistas. A mesma associação voltou a premiá-la, em 1986, pelo seu papel secundário na peça Páscoa. Ingressou, em 1988, no Grupo Dramático Intermunicipal Almeida Garrett, vulgarmente conhecido por Teatro da Malaposta, a principal sala em que os espectáculos se realizavam.

Em 1990, começou a desempenhar papéis em séries e episódios de Televisão e, em 1992, saiu da Malaposta, com uma licença sem vencimento. Terminou ali a sua carreira de Actriz de palco, para desgosto dos seus admiradores. Só mais uma vez representou ao vivo, na peça Divisão B – Parque, de Rui Cardoso Martins, integrada na Companhia do Teatro Nacional D. Maria II, num espetáculo do Festival Mergulho no Futuro – Expo 98. Mais tarde, expressaria o seu desapontamento: “por um acaso da vida, vejo-me aqui como freelancer, coisa que eu nunca quis ser, mas a que fui obrigada”.

Depois da estreia televisiva em Marina, Marina, seguiu-se Por Mares nunca dantes Navegados (1991), Ora Bolas, Marina (1993), Os Malucos do Riso (início em 1995, prolongando-se por vários anos), As Aventuras de Camilo (1997), Companhia do Riso (1999), Bacalhau com Todos (2000), Fábrica de Anedotas (2001), Não Há Pai (2002), e muitos outros trabalhos com um ou dois episódios. Para além do teatro, interpretou papéis em vários filmes e participou em algumas exposições de gravura e desenho, tanto individuais como coletivas. Destas, salienta-se o XVIII Salão da Primavera, de 1982, promovido pela Junta de Turismo da Costa do Sol, onde lhe foi atribuída a Medalha de Bronze.

Na Cornucópia entrou nas seguintes peças: O Misantropo, de Molière (1973); A Ilha dos Escravos e A Herança, de Pierre Marivaux (1974); O Terror e a Miséria no III Reich, de Bertolt Brecht (1974); Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki (1975); Ah Q, de Jean Jourdheuil e Bernard Chartreux (1976); As Músicas Mágicas, de Catherine Dasté (1976); Tambores na Noite, de Bertolt Brecht (1976); O Treino do Campeão antes da Corrida, de Michel Deutsch (1977); Casimiro e Carolina: sete cenas de amor, prazer e dor neste nosso mau tempo, de Odon Von Horváth (1977); Auto da Família, de Fiama Hasse Pais Brandão (1977); Woyzeck, de Georg Büchner (1978); E não se Pode Exterminá-lo?, de Karl Valentin (1979); Paragens mais Remotas que Estas Terras: cenas das comédias de Plauto, montagem de textos de Luís Miguel Cintra (1979); Zuca, Truca, Bazaruca e Artur, do Grupo Grips Theater (1979); Capitão Schelle, Capitão Eçço, de Rezvani (1980); Não se Paga, Não se Paga, de Dário Fo (1981); O Labirinto de Creta, de António José da Silva, “O Judeu” (1982); Oratória, colagem de textos de Gil Vicente, Wolfgang Goethe e Bertolt Brecht (1983); Recordações de uma Revolução, de Heiner Müller (1984); Simpatia, de Eduardo De Filippo (1984); O Parque, de Botho Strauss (1985); A Ilha dos Escravos e Páscoa, de August Strindberg (1985); A Sombra dos Espectros, de August Strindberg (1986); A Mulher do Campo, de William Wycherley (1986); Vermelhos, Negros e Ignorantes e As Pessoas das Latas de Conserva, de Edward Bond (1987); e Grande Paz, de Edward Bond (1987). Além da interpretação, desempenhou também, em algumas destas peças, funções de assistência de encenação, direção de cena e contrarregra.

No Teatro da Malaposta, representou nos seguintes espectáculos: Sala de Espera da Saúde, de Sean O’Casey (1988); O Príncipe Perfeito, de António Borges Coelho (1988); A Estalajadeira, de Carlo Goldoni (1989); O Render dos Heróis, de José Cardoso Pires (1989); A Floresta, de Alexander Ostrovski (1990); Ele Há Coisas do Diabo, de Gil Vicente, seleção de textos de Raquel Maria e José Peixoto (1991); Os Cavaleiros da Távola Redonda, de Christophe Hein (1992).

Foi Assistente de encenação na peça Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare (1991). No cinema, participou nos filmes: A Vida é Bela?!, de Luís Galvão Teles (1981); Silvestre, de João César Monteiro (1981); Paisagem sem Barcos, de Lauro António (1983); Abismos da Meia-Noite, de António Macedo (1983); O Bobo, de José Álvaro de Morais (1987); A Maldição do Marialva, de António Macedo (1990); O Rapaz do Tambor, de Vítor Silva (1990); Rosa Negra, de Margarida Gil (1992); Terra Fria, de António Campos (1992); A Sombra dos Abutres, de Leonel Vieira (1998); Golpe de Asa, de António Borges Correia (1999); Mal, de Alberto Seixas Santos (1999); Um Tiro no Escuro, de Leonel Vieira (2005).

O corpo seguiu para o cemitério de Vila Chã, Barreiro.

Fonte: “Feminae – Dicionário Contemporâneo, por João Esteves e Zília Osório de Castro” (Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, 1ª Edição Dezembro de 2013, Pág. 828).