“GRAVADORES DE SELOS POSTAIS PORTUGUESES”

cavalo-dos-ctt-antigoDomingos ALVES DO REGO, Gravador, nasceu na Freguesia de Colmeias (Leiria), a 12-02-1873, e faleceu em Lisboa, em 1960. Era filho de Domingos do Carmo e Rego, Professor Oficial, e de Angélica de Jesus Rego.

Logo de pequeno revelou grande vocação para a gravura, talhando em amdeira, sem qualquer ensino, letras, carimbos e pequenas vinhetas, o que levou um jornal de Pombal, daquela época, a chamar a atenção dos poderes públicos para o precoce artista.

Por altura dos 15 anos de idade matriculou-se na Escola Industrial Domingos Sequeira, de Leiria, onde foi premiado no 1º ano de Desenhor de Ornato. Dois anos depois, passando por Leiria, no regresso de uma viagem a Paris, o Gravador Ramalho, com oficina da especialidade na Capital, na Rua da Prata, nº 51, convidou o jovem amador a vir trabalhar com ele.

Uma vez em Lisboa, junto de profissional competente, Domnigos Rego deu largas à sua habilidade, começando a gravar em metal com grande êxito. Três anos depois saiu da oficina de Ramalho e trabalhou por sua conta, livre de qualquer tutela.

Entretanto, frequentara, de 1891 a 1894, as aulas nocturnas de Desenho de Figura e de Ornato da Academia de Belas Artes.

A Têmpera, na Casa da Moeda, do cunho de uma Medalha que executara gratuitamente para a Associação Protectira da Infância, pôs Domingos do Rego em contacto com Venâncio Alves, que logo se apressou a convidá-lo a ingressar naquele estabelecimento do Estado. Aceite o convite, foi admitido como Gravador extraordinário em 04 de Novembro de 1894, com o salário de 500 réis diários e o pagamento à parte de todos os cunhos que executasse, ficando além disso com pulso livre para trabalhos particulares.

Colocado assim sob as ordens e a direcção do Mestre competente que era Venãncio Alves, Domingos Rego desenvolveu rapidamente as suas naturais faculdades e concorreu com o seu esforço e desembaraço para que se pusessem em dia obras que, na Casa da Moeda, se encontravam então em grande atraso.

Por Decreto de 20 de Janeiro de 1910, após o felicíssimo trabalho de execução do selo postal de D. Manuel II, foi, por mérito, nomeado para a vaga de 2º Gravador, que havia 19 anos se achava por preencher. Quatro anos mais tarde, a 30 de Maio de 1914, teve a nomeação de 1º Gravador, e em 08 de Maio de 1920 foi colocado como Chefe dos Serviços de Gravura. Em 1932 deixou de pertencer aos quadros da Casa da Moeda.

O seu primeiro trabalho de figura foi o explêndido busto do Rei D. Carlos I, gravado a aço, para o selo do bilhete postal comemorativo do 4º Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia, emitido em 1898.

Quanto a trabalhos de amoedação, anteriormente ao regime republicano só executou um cunho com a efígie do Rei D. Carlos I, que não chegou a utilizar-se por entretanto ter sido assassinado o soberano; mas depois de 1910 gravou grande númerio de moedas, tanto da Metrópole como das Colónias, entre as quais se devem apontar como trabalho excelente a de 1$00, em prata, modelado pelo Escultor Francisco Santos e cunhada em 1914 para comemorar a proclamação da República; e a de 10$00, também em prata, comemorativa da Batalha de Ourique, cujo modelo é do Escultor Simões de Almeida.

Habilíssímo na execução de Medalhas, tamntas foram as que executou no decorrer da sua longa carreira de Artista perfeito e conscencioso que difícil se torna organizar uma relação completa de todas as suas produções deste género. Anotamos, porém, as seguintes:

Medalha comemorativa da instituição da Associação Protectora da Infância, de Santo António de Lisboa (1891, gravada gratuitamente, e cunhada na Casa da Moeda);

Medalha comemorativa do centenário de Santo António (1895); Outra do mesmo motivo (1895, feita por uncumbência de E. Baptista, para exploração comercial);

Medalha da Exposição Industrial do Porto (1897);

Medalha comemorativa do centenário do descobrimento da Índia (1898);

Medalha comemorativa do 4º centenário do descobrimento do Brasil (1900, encomendada pelo negociante de Medalhas Costa);

Reverso da Medalha comemorativa da visita régia às Ilhas Adjacentes e da Exposição na Ilha de São Miguel (1901);

Medalha comemorativa do quinquagésimo aniversário da definição do dogma da Imaculada Conceição e da Peregrinação Nacional ao Sameiro (1904);

Medalha comemorativa do Presidente da República Francesa, Emílio Loubet, a Lisboa (1905);

Medalha da Exposição Agrícola das Caldas da Rainha (1923);

Medalha da Associação dos Advogados de Lisboa.

À parte o selo de porte-franco da União dos Atinadores Civis de Lisboa, de 1899-1910, que gravou, e o selo, também de porte-franco, da Assistência Nacional aos Tuberculosos, de 1904, de que fez o desenho e gravura, pode dizer-se que só trabalhou nas emissões do curto reinado de D. Manuel II.

Para a execução do selo postal do reinado acima referido houve três concorrentes portugueses: Domingos Rego; José Sérgio e Armando Pedroso; dois franceses e três alemães. O concurso limitava-se ao busto, pois a cercadura considerar-se-ia depois.

Presentes os trabalhos ao Mnonarca, este deu preferência, sem hesitações, ao que desde logo considerou mais perfeito; mas, porque a prova escolhida não tinha assinatura, impossível se tornou saber, de momento, quem era o feliz autor do cunho sobre que recaíra a escolha do Rei.

Só no regresso à Casa da Moeda, o Director deste estabelecimento, que submetera as provas à régia apreciação, teve o prazer de verificar que o trabalho preferido era a obra de um dos seus subordinados, o habilíssimo Gravador Domingos Alves do Rego.

Confiado o desenho e a gravura das duas cercaduras ao autor do busto, a emissão de D. Manuel II, de 1910, ficou constituindo um autêntico mimo filatélico pela peleza do desenho, perfeição do trabalho e harmonia de todo o conjunto.

A séria compõe-se de 14 selos, das taxas de 2 ½, 5, 10, 15, 20, 25, 50, 75, 80, 100, 200, 300, 500 e 1.000 réis, impressos respectivamente nas cores: violeta, preto, verde azeitona, castanho claro, carmim, castanho azul, bistre, ardósia, castanho sobre verde, verde sobre salmão, preto sobre azul, sépia e castalho e azul e preto.

De Alves do Rego é também o desenho e gravura das emissões com a efígie de D. Manuel II das colónias de Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, de 1912, que, por terem que circular depois da queda da monarquia, foram sobrecarregadas com a palavra República.

Por trabalhos que levou à Exposição Universal de Paris de 1900, foi premiado com a Medalha de Prata.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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