Etelvina Lopes de Almeida, se fosse viva, faria hoje 100 anos de idade

 

Etelvina Lopes de Almeida, apesar de ter tido uma vida muito activa, quer antes do 25 de Abril de 1974, combatendo o fascismo e, por isso mesmo, sofrendo as consequêcias, quer depois do 25 de Abril de 1974, desenvolvendo diversas acções nos mais variados campos.

Nos últimos anos da sua vida dedicou-se aos problemas ligados à velhice, tendo fundado, em Tábua, juntamente com Igrejas Caeiro, a Fundação Sara Beirão/Anbtónio Costa Carvalho, onde veio a falecer.

Apesar de toda a sua militância social e política, é desconhecida da grande maioria dos portugueses. Por tudo o que fez bem merecia figurar na Toponímia Nacional, nomeadamente, em Serpa onde nasceu e em Tábua, onde ajudou a criar a Fundação, cujo “Patrono”, Sara Beirão, era natural de Tábua.

Embora eu já tenha proposto o nome de Etelvina LOpes de Almeida, para Lisboa, Serpa e Tábua, em nenhum destes Municípios a proposta foi acolhida. Apenas existe uma Rua Etelvina Lopes de Almeida, em Sintra, na Freguesia de São João das Lampas.

 

Etelvina LopesETELVINA LOPES DE ALMEIDA, Jornalista, Escritora e Política, nasceu em Serpa, a 17-03-1916, e faleceu em Tábua, a 30-04-2004. Fez a Instrução Primária em Idanha-a-Nova e depois de um percurso atribulado, a família fixou-se em Lisboa. Fez o curso Liceal no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, onde foi aluna de Olímpia Perry Vidal Pereira Bastos, que tinha sido activista, quando estudante, da Associação de Propaganda Feminista, e que militou, na década de 40, no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Integrou, entre 1940 e 1943, a Secção de Literatura, com as activistas Leontina Hogan, Maria da Luz Albuquerque, Maria da Luz de Deus, Maria Lamas e Teresa Leitão de Barros.

Completou o Curso Liceal e, em 1941, começou a trabalhar na Rádio Renascença, primeiro como Secretária, depois na Locução.

EtelvinaAo fim de algum tempo entrou para uma empresa de recortes de jornais e iniciou uma colaboração na revistas Modas e Bordados, cuja Directora, Maria Lamas, a convidou a vir secretariá-la. Em 1943, já era Chefe de Redacção da Revista e assinava contos e reportagens para o Século Ilustrado e, em 1944, concorreu a Locutora da Emissora Nacional, tendo sido aprovada.

Em 1945, foi um dos milhares de signatários das listas para a constituição do MUD. Quando Maria Lamas foi designada Presidente co Conselho Nacional das Mulheres Portugesas, em 1946, sucedeu-lhe na direcção da revista. Foi uma das conferencistas da exposição «Livros Escritos por Mulheres», organizada por aquela instituição, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Janeiro de 1947, uma iniciativa que teve grande repercussão mediática mas que seis meses mais tarde levaria ao encerramento, pela polícia política, da sede do Conselho.

Em 1948, assinou, juntamente com alguns outros colegas da Emissora Nacional, documentos oposicionistas que reclamavam a supressão da censura e a libertação de presos políticos, pelo que viria a ser afastada no ano seguinte. Começou então a colaborar em alguns jornais, no Rádio Clube Portuguêse em pequenas emissoras radiofónicas privadas.Nesse ano, impressionada com a vida difícil no Alentejo, escreveu o seu primeiro livro, Bia Calatróia, e fez-se sócia da Liga Portuguesa Feminina para a Paz e, quando esta acabou a actividade, ligou-se ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, em cuja direcção estiveram Sara Beirão e Maria Lamas.

Foi Secretária da Sociedade Portugesa de Escritores, na presidência do Dr. Jaime Cortesão. Em 1962, assinou um documento contra a guerra em África e foi demitida da Modas e Bordados, passando a desempenhar funções na empresa proprietária da revista.

Deixou nessa altura de assinar as suas colaborações em jornais e revistas e assim se manteve até 1968, ano em que vai para Paris, donde enviou para O Século uma série de reportagens sobre os emigrantes portugueses, publicadas sem assinatura.Passou depois a coordenar o Gabinete de Relações Públicas de uma empresa imobiliária, tendo visitado vários países nessa qualidade.

Depois do 25 de Abril, foi reconduzida no seu lugar, na Radiodifusão Portuguesa, e em 1975 passou a chefiar o Departamento da Radiodifusão Portuguesa Internacional, tendo visitado então diversas comunidades portuguesas no estrangeiro.

Fez parte do Grupo de Mulheres Socialistas e foi Deputada pelo Partido Socialista à Assembleia Constituinte e à Assembleia da Rpública (I Legislatura), eleita, de ambas as vezes, pelo círculo de Évora.

Dedicou-se posteriormente aos problemas da terceira idade e esteve na direcção da Fundação Sara Beirão/António Costa Carvalho que ajudara a fundar, com Igrejas Caeiro, em Tábua. Em 1983, presidiu, em Estrasburgo, a uma sessão do Parlamento Eurpeu para Idosos, durante a qual foi aprovada a Carta Europeia para os Idosos.

Em 1995 foi agraciada pelo então Presidente da República, Mário Soares, com a Comenda da Ordem de Mérito.

É autora de alguns livros, designadamente infantis e romances, como Bia Calatróia, (1948); O Tontinho da Esquina, (s/d); Maria Verdade, (1952, com desenhos de Meco); O Tambor da Paz, (1963); ABC da Culinária, (1966); 111 Receitas com Ovos, (1979); 111 Receitas de Tapas e Entradas, (1979); Histórias que o Mundo Conta, (1985).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Sintra (Freguesia de São João das Lampas).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973), Um Dicionário” (Mário Matos e Lemos, Coordenação de Luís Reis Torgal, Pág. 98 e 99, Colecção Parlamento, Edição de 2009).

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